Vivemos a era da disrupção amorosa



Foi-se o tempo em que éramos surpreendidos pelo amor. Quando caíamos nas peripécias da paixão como crianças que se deixavam levar só pelo prazer do frio na barriga.

A bem da verdade é que paramos de jogar dados. O amor ainda existe, assim como a paixão. Ambos seguem como projeto universal de vida. Mas o que mudou foi que paramos de arriscar. E quem não arrisca não corre o risco de ser surpreendido. Ao evitar a possibilidade do sofrimento, cancelamos também as chances de felicidade.

Colocamos olho mágico na porta do coração e já não abrimos mais sem antes ver quem está do outro lado.

Essa é a era da disrupção amorosa. Quando quebramos um curso normal de um processo. Nesse caso, o curso normal é o da vulnerabilidade, das incertezas, das curvas que não vemos, mas sabemos que existem. A disruptura é causada pela força empenhada em querer controlar todas as possibilidades, em eliminar os picos e vales e retraçar o caminho como uma reta, plana e horizontal.

O termo disrupção apareceu pela primeira vez em 1997 pelo professor de Harvard, Clayton M Christensen, para descrever inovações que ofereceriam produtos acessíveis e, assim, criariam novos mercados consumidores.

A disrupção amorosa também se dá quando criamos novas formas de relacionamentos a partir de comportamentos artificiais.

Ou seja, quando não nos entregamos. Quando criamos barreiras de intimidade com inovações sentimentais fazendo releitura de conceitos como fidelidade, compromisso, romance.



Na mesma medida, também queremos relacionamentos acessíveis. Por vezes ficamos com a primeira opção por estar ali, ao alcance. Desistimos no primeiro não, ou não suportamos o primeiro atrito simplesmente porque não somos obrigados. Assim, em vez de consertar, substituímos. Do mesmo jeito como fazemos com os produtos. Trocamos por uma versão atualizada.

O problema é que sempre haverá uma versão mais atualizada. Isso provoca uma ansiedade tremenda pois evidencia a o fim previsível.

A disruptura amorosa que eu trago aqui não se trata de um juízo de valor, mas de uma constatação do quanto o mundo externo afeta o mundo interno e, para o bem ou para o mal, está aí, está aqui e precisamos ao menos, pensar sobre isso.



Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: vladmax / 123RF Imagens






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