Vivemos numa época em que as lagartas perderam a sua essência e viraram borboletas com asas de plástico

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Permitam-me, com a minha peculiar impavidez, a tocar em um tema polêmico porém disseminado por toda a sociedade moderna. A intenção não é, de modo algum, criticar mas sim, convidá-los para mais uma reflexão acerca do comportamento humano, nesse complexo movimento que realizamos todo o tempo, que é: “viver”.



Não obstante a grandeza do tema, gostaria de me ater somente ao aspecto da “autoimagem”. Porém, não aquela refletida no espelho do quarto, mas sim daquela que transcreve o reflexo no espelho da nossa alma.

Metaforicamente, perdemos o nosso DNA de lagarta e nos transformamos em borboletas com asas de plástico. Sim, até as deslumbrantes cores das nossas asas são manipuladas… nada mais se parece real. Mergulhamos em um perigoso oceano no qual, quem não é perfeito fisicamente, não se acha capaz de encontrar no seu cardume, alguém para perpetuar a espécie.

Chegamos a tal ponto, que transformamos tudo no nosso corpo, compramos todas as partes e tudo que parece com defeito é substituído por algo melhor. Sei que até aqui vocês podem estar pensando: “e daí? Isso não é bom?” Eu diria: Depende.

Depende do preço que se paga para fazer tudo isso! Às vezes, perdemos a nossa essência com o intuito de nos parecermos com um robô perfeito e depois não a encontramos mais! Isso significa: quadris empinados até os ombros, peitos cheios, redondos e volumosos, somada a uma depressão profunda que esvazia até a alma!


É um labirinto sem saída, pois todo o tempo o que você vê refletido no seu espelho, parece com defeito no outro.

Você nunca estará perfeita(o), a crítica nunca vai deixá-lo(a) viver, nunca mais você vai se arrumar para se agradar, porque esse seu “eu” não existe mais, foi deslocado para o ponto de vista do outro.

Você só se reconhece através das lentes de outro alguém. E, nessa constelação, os critérios estão cada vez mais rígidos, chegando ao patamar do impossível para serem atingidos.

Porém, o exército continua marchando, morrendo nas salas de cirurgias, perdendo a visão em procedimentos estéticos. Estamos numa era de lábios cheios de substância botulínica mas que, muitas vezes, só expressam desamor, desarmonia e insatisfação.


Deuses da beleza, verdadeiras perfeições sendo alimentadas por fármacos que determinam quando eles podem dormir e o que eles devem esquecer. Será que realmente somos só isso? Será que não podemos ser amados de dentro para fora? E quem resiste a todas essas transformações, terá que procurar o amor em outro planeta? Ou será que até mesmo os Ets se transformaram e já estão disfarçados no meio de nós?

Não quero com isso dizer que a beleza não seja importante, que ser saudável não é fundamental ou que melhorar o seu aspecto fisicamente seja algo negativo, pelo contrário, tudo isso precisa ser contemplado para sentirmos a sensação de que mudamos para melhor.

Porém, todas essas coisas não fazem sentido se nós manipularmos a foto 3 X 4 da carteira de identidade da nossa alma e perdemos a nossa essência, a nossa espontaneidade, a nossa ligação à pessoa que realmente somos e que é a razão de todas as transformações.


Direitos autorais da imagem de capa: wallhere / 1128809

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