Vivemos uma “ditadura da felicidade”, e nos encontramos cada vez mais vazios

Nossa busca pela felicidade precisa ser serena, pautada na conscientização de que satisfação genuína é um trabalho árduo, que exige dedicação, resiliência e grande força de vontade.



Dar o melhor de nós para viver de forma plena e intensa os bons sentimentos junto com os nossos afetos é o que dá sentido para a vida. Tudo a favor em querer ser feliz, em cultivar momentos que nos sublimem a alma, junto com os eleitos de nosso coração, mas o que percebemos é que, muitas vezes, não agimos de forma coerente com o resultado que buscamos.

O verso de Vicente de Carvalho, ao se referir à felicidade, provoca-nos profunda reflexão: “Existe, sim: mas nós não a alcançamos. Porque está sempre apenas onde a pomos. E nunca a pomos onde nós estamos”.

O fato é que somos os construtores de nossa vida e assim os responsáveis por fazê-la mais agradável e feliz. Quando trazemos para nós essa responsabilidade, as possibilidades se ampliam e transformamos dificuldades em desafios.


Atualmente, parecemos viver uma ditadura pela felicidade, as pessoas querem ser felizes a qualquer preço e, dessa forma, acabam se sentindo cada vez mais insatisfeitas, vazias, inúteis. As redes sociais contribuem para a relevância da aparência, do mostrar o que não se é e o que não se tem.

Essa concorrência causa danos emocionais intensos e transforma pessoas em escravos de um sentimento que deveria trazer paz, tranquilidade. Tamanha inversão da felicidade “a qualquer preço” pode provocar tudo, menos a real satisfação.

Felicidade é sentimento, tem a ver com nosso mundo interior, nossas aquisições espirituais e realizações pessoais. Ninguém pode ser feliz sem, inicialmente, amar a si mesmo, e autoestima vai muito além de aparências.

Muitas pessoas bonitas, famosas e de boa condição financeira, que fazem lindas viagens e divulgam o quanto sua vida é maravilhosa, na verdade, têm a alma dolorida por difíceis situações ocultas.


Felicidade não se aparenta, por si só ela se expande, porque quem é realmente feliz se preocupa em inspirar esse sentimento em mais pessoas.

É preciso entender que felicidade não é um estado de humor contínuo; essa busca desenfreada beira à insanidade. Todos temos nossas dificuldades, perdas irreparáveis, que nos causam dissabor e tristeza.

Você pode ter um bom dia, chegar em casa feliz e se deparar com uma notícia que lhe cause tristeza, mesmo não atingindo diretamente você. Além de nossas dificuldades, difícil não nos sensibilizarmos com a dor alheia. O fato é que ninguém é totalmente feliz o tempo todo.

Nossa busca pela felicidade precisa ser serena, pautada na conscientização de que satisfação genuína é um trabalho árduo, que exige dedicação, resiliência e grande força de vontade. Ser feliz não é uma tarefa fácil, pois é o resultado de outras aquisições, tais como: tolerância, aceitação, paciência, coragem, fé e gratidão.

Parafraseando o poeta: felicidade existe sim, desde que desenvolvida em nós mesmos e expandida para os nossos relacionamentos.

 

Direitos autorais da imagem de capa: Paul Theodor Oja/Pexels.

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