Viveremos numa sociedade que apela ao fracasso?

A pergunta poderá parecer estranha, mas é sem dúvida pertinente. Esta pergunta surge pela minha observação de centenas de pessoas que têm algo em comum: tentam a todo o custo mostrar à sociedade que são bem-sucedidas. Nada estranho até aqui. O curioso é existirem centenas de milhares de produtos e serviços voltados para este massivo público-alvo.



Senão vejamos: quando pensamos em alguém de sucesso será que não imaginamos logo um carro de marca “X” ou “Y”, um smartphone da marca da maçã, vestuário de acordo com as últimas tendências, relógio idem, óculos de sol importados ou morada em bairro ou freguesia “chique”?

O curioso é que de forma geral todos nós corremos atrás de algo e, na maioria das vezes, pelos motivos errados. Sou defensor de que o sucesso é extremamente importante na vida de cada um, mas engane-se quem pensar que o sucesso que faz alguma diferença na nossa vida é aquele que nos leva a capas de revista ou nos proporciona o “estrelato”. Normalmente esse sucesso é muito solitário.

Quando falo em fama não me refiro como é óbvio a figuras públicas, actores, músicos e líderes. Refiro-me à fama dentro do grupo de amigos, entre os familiares, entre os colegas de trabalho e muitas vezes entre os conhecidos casuais que entram na nossa vida por breves segundos. Será que não estaremos a viver numa sociedade que nos convence que somos fracassados excepto se…?


  • Se frequentarmos o restaurante “X”;
  • Se formos alunos do ginásio “Y”;
  • Se tivermos uma licenciatura, doutoramento e mestrado;
  • Se formos proprietários do último gadget do mercado;
  • Se gostarmos de determinado estilo de música;
  • Se, Se, Se…

Existem tantos “Ses” que francamente sinto-me incomodado. Sinto que o nosso sucesso caiu numa dinâmica movida pelo capitalismo onde a verdadeira essência do que nos faz feliz à muito deixou de ser relevada. Durante a fase de pesquisa do meu livro “A Matriz do Sucesso” esbarrei-me com vários atentados ao sucesso individual no seu sentido mais puro: o da satisfação pessoal.

Peço que o leitor pare e pense. Será que não é alguém bem-sucedido e que apenas vive em estado de hipnose induzido por um conceito político e económico? Não me leve a mal, poder é algo que inconscientemente todos queremos, abundância e prosperidade financeira também. O que me choca é saber que esse poder e capital é gerado ao induzir insegurança e apelar à vitimização da sociedade.

Ora se alguém é levado a crer que o seu estado atual é insatisfatório, a mesma fonte que planta a semente venenosa, certamente lhe apresenta um produto ou serviço que elimine essa insatisfação. Entende como o raciocínio é simples? Sem querer, entramos nesta malha e sair dela exige um esforço que a maioria não está disposta a fazer.


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Uma frase da famosa trilogia “The Matrix” explica o sentimento de muitos: “A ignorância é uma bênção”. Isto significa que a passividade, o viver em piloto automático ou então o modo de sobrevivência, é o mais simples. O difícil é correr em busca de um ideal com identidade própria, com o nosso DNA racional ou emocional devidamente impresso.

O sucesso pode ser encontrado em algo tão simples como sair de casa e chegar ao trabalho. Se conseguiu chegar do ponto “A” ao ponto “B”, significa que foi bem sucedido na tarefa.

Infelizmente somos levados a crer que uma enorme “nuvem negra” irá cobrir a sua cabeça para sempre se não aceitar fazer parte de uma “tribo de consumo”. Eu recuso-me a permitir que a falsa popularidade governe a minha vida pessoal e profissional. O curioso é que na minha profissão tento chegar a milhares de pessoas. Pensando por um prisma “aceitável”, deveria ser o “bom da fita”, tentar agradar a “gregos e troianos” e evitar proferir opiniões tendenciosas. A verdade é que o grupo de pessoas a que me dirijo é o grupo que quer sair da “Matrix”, aquele que pretende criar a sua própria realidade e viver segundo os seus próprios conceitos, custe o que custar.

É a esse grupo que tento apresentar soluções racionais, emocionais e espirituais que reforcem o seu poder interior e alavanquem a mudança. Acredito que a relação entre o conhecimento e a evolução são inversamente proporcionais. Parece que quanto mais conhecimento obtemos de forma gratuita, mais envolvidos estamos neste conceito de sucesso dos “Ses”.

Ora “Se” o meu sucesso está constantemente a ser comprometido porque não sou parte integrante de um grupo de consumo, a minha opção é simplesmente abandonar esse paradigma. O leitor certamente pensará que se fizer essa opção, irá perder o seu grupo de amigos. Meu caro, se isso acontecer, existem apenas duas hipóteses: ou não são verdadeiros amigos que tem no seu grupo ou então as suas escolhas foram também baseadas nesse mesmo conceito de sucesso dos “Ses”.

Qualquer que seja a opção, o importante é decidir focar-se mais em si e no seu bem-estar e encontrar novas pessoas que se enquadrem nessa sua filosofia de Vida. De nada adianta ter 5000 “Amigos no Facebook” se na verdade não conhece nem convive mais de 1% das pessoas. De que lhe vale ter o último “smartphone do mercado” se ele custa mais de um salário? Será que um equipamento mais “modesto” não satisfaria as suas necessidades sem literalmente “assaltar” o seu bolso?

Não vou ser hipócrita e dizer que não gosto de produtos ou serviços caros. A diferença é que se esse produto ou serviço corresponder às minhas próprias expectativas e me proporcionar maior qualidade de vida, o caro torna-se barato. O problema é que a maioria das pessoas é vulnerável ao marketing emocional do sucesso e consome produtos e serviços que não sabe para o que servem, apenas para fazer parte do selecto grupo de pessoas de “sucesso”.

Recuso-me a acredita que todos somos “obrigados” a viver nessa realidade. Quem define os traços do nosso caminho somos nós mesmos e não os estranhos que desconhecem a nossa Vida, as nossas emoções, crenças e pilares. Esses estranhos fazem-nos crer que são nossos companheiros, que sabem os nossos problemas e que estão “aqui” para nos dar o seu “ombro” e nos ajudar a vencer.

É precisamente por isso que nos meus programas não apelo à fragilidade das pessoas. Eu incentivo-as, mostrando-lhes que afinal a vida não é tão “negra” como elas pensam. A partir do momento em que a visão é transformada, ofereço o meu auxílio para que mais e mais barreiras sejam eliminadas e para que a Vida possa ser tudo aquilo que elas desejam.

Hoje em dia, e analisando as condições políticas, somos levados a crer que o fracasso é algo natural. Afinal existem milhares de desempregados, a economia está mal de saúde, o estado político é vulnerável e a emigração é a única solução para esta triste realidade. Como emigrante falo com conhecimento de causa e digo-lhe que isso é totalmente falso. O desemprego se existe é porque a sociedade nos faz acreditar que não podemos todos ser empreendedores e que para vencer, temos de subir na escada corporativa.

Vivemos numa era onde o impossível se torna possível a uma velocidade vertiginosa. O que é preciso é sabe utilizar os recursos que existem em nosso benefício e saber exactamente o que desejamos na vida. A partir desse momento, somos pessoas de sucesso. Os números negativos nos mais variados índices sociais são apenas mais uma forma de aumentar o número de “reféns” e fazer crer que o sucesso já não é possível sem uma cultura de “Ses”.

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Volto a reforçar que enquanto você “fracassa”, existem milhares de pessoas a ganhar à sua custa. Será que não chegou o momento de finalmente quebrar as barreiras e estabelecer uma nova definição de sucesso dentro de si? Será que não chegou o momento de deixar que o medo seja o sabotador do seu bem estar? A resposta para o seu sucesso está dentro de si. Nunca se esqueça disso.

Qual a sua decisão?

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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