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Você é tudo o que quiser ou tudo o que seu medo deixa você ser?

Quem aqui já ouviu falar de um querido mocinho chamado medo? (mocinho é por minha conta… rs)



Provavelmente a maioria já ouviu falar e todos já sentiram na pele. Ele nos acompanha durante toda a existência, ancorado em cada etapa por desafios diferentes.

Na infância, lá estava ele quando precisava dar os primeiros passos, as primeiras palavras: e se eu cair quando soltar as mãos da minha mãe? Se minhas pernas não aguentarem a pressão dos passos? Se eu falar e ninguém entender?

Anos depois, os desafios são outros: o primeiro dia de aula, os passeios com a turma, o desenvolvimento da escrita e leitura. Novamente somos bombardeados pelo sentimento de medo: o da separação da mãe, o de não gostar da turma, o de não aprender a ler e a escrever.


Na adolescência, ahhh a adolescência! Que fase paradoxal! Lá está o adolescente, que oscila entre comportamentos infantis e juvenis, pois está vivenciando uma importante transição. E para agregar a essa bagagem de mudanças físicas, o medo faz questão de estar presente nessa viagem.

É isso mesmo, falar que o adolescente não possui medo e que é corajoso e autossuficiente para tudo é um tanto raso e perigoso. Cada etapa possui seus medos característicos, e a adolescência não foge à regra neste quesito. Pense comigo: muitas vezes não é fácil atender as expectativas da família e da sociedade. A primeira estimula-nos a estudar, a sermos responsáveis, educados, a pensar sempre antes de agir. A segunda, em contrapartida, muitas vezes diz que devemos curtir ao máximo esse momento, fazer amizades e sermos fiéis a ela, mesmo que isso custe certo preço,  ensina-nos também que é a fase das paqueras, dos namoros, e que devemos concentrar grandes esforços nesta área.

Logo vem a juventude, a sonhada juventude. Agora eu sou dona de mim, sou livre e posso fazer tudo o que quiser!!! Depende. Às vezes, é tudo o que o seu medo te deixa ser.

É nessa fase complexa que você é exigida a tomar decisões importantíssimas que vão acarretar consequências para o resto da vida: é aqui que você precisa decidir, caso vá fazer, qual faculdade cursar, e consequentemente qual profissão terá. É aqui também que você escolhe parceiros amorosos e talvez o parceiro para o resto da vida.


Agora pergunto: como podem exigir de nós escolhas tão sérias como essas, quando não conseguimos ao menos decidir a roupa que sairemos no final de semana, quando temos medo do paquera não gostar dos seus trejeitos, quando lutamos para ser aceitos socialmente, quando nossa cabeça está cheia de nós e, sinceramente, não achamos a ponta. Não seria melhor achá-la primeiro para depois nos levantarmos e aí então decidirmos tudo isso?

Não sei. Talvez sim. Talvez não. Mas o ponto aqui é o medo. Durante toda nossa vida somos acompanhados por vários sentimentos, e não ouso aqui encerrar as possibilidades de medos apenas nos exemplos supracitados.

São muitos e incontáveis. São eternos e passageiros. São grandes e pequenos. São difíceis e fáceis. São antagônicos e similares. Tê-los não significa fraqueza, pois a questão não é livrar-se completamente deles (caso pudéssemos, talvez viveríamos bem pior do que aqueles que possuem muitos), pois cabe aqui ressaltar seu aspecto protetor e essencialmente necessário para a nossa sobrevivência.

Partilho da ideia de que todos os extremos são perigosos. Portanto de certa forma temos que nos acostumar com ele, sem, necessariamente, fazer dele uma companhia. Novamente digo: tê-lo não é o problema, mas o que fazemos com ele é: encará-lo ou abraçá-lo?


Se soltarmos dele talvez descobriremos um mundo de possibilidades que estão prontas para ser abraçadas.

Afinal, só não vive com medo, quem não vive. Prefiro viver mesmo vivendo com ele. E você?

Talvez não exista a hora errada, apenas pessoas que não queiram tentar…

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