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Você é uma pérola ou uma ostra em coma?

Dia desses, recebi em minha casa uma de minhas mais queridas amigas. Mais de 30 anos de uma amizade que se tornou irmandade. É minha família também. Amo muito! Conversa vai, lembranças vêm, risos, lágrimas e muitas emoções compartilhadas. Amigos são presentes divinos, posso apostar!



Vivendo uma fase de profundas transformações, saindo de um casamento de 20 anos, dois filhos adolescentes e um sem-fim de medos, ansiedades, desejos e esperanças, ela tem se empenhado em descobrir que tipo de vida quer viver e quanto de felicidade acredita que merece.

E entre uma reflexão e outra, ela me disse: “Rô, eu era uma ostra em coma!”. Eu arregalei os olhos e me certifiquei de que tinha ouvido bem: “Você era o quê???”. E ela repetiu: “Uma ostra em coma!”. Caímos na risada. Nunca tinha ouvido essa expressão! “Nossa!”, eu comentei, “uma ostra já é fechada. Imagine, então, se estiver em coma…”.

E logo em seguida, peguei-me pensativa: quantas vezes eu também já me senti feito ostra em coma… Com a impressão de que qualquer movimento me remeteria à ainda mais medo ou tristeza… Quantas vezes não fui capaz de me defender das ameaças da vida de forma criativa e valiosa… Ao contrário, quantas vezes preferi apenas continuar exatamente como estava, sem arriscar, sem tentar, sem ter fé em mim e na vida?


Para quem não sabe, vale a pena pesquisar: a ostra é um animal curioso e fantástico. Como forma de defesa contra invasores, ela produz algo brilhante, precioso. Trata-se do processo de formação da pérola. E é fascinante. Ou seja, para não se deixar machucar e a fim de amadurecer, a ostra desenvolve uma joia valiosa e rara. Rara porque nem todas as ostras produzem pérolas. 

Imagine se nós, diante de uma ameaça, aprendêssemos a criar algo assim, tão belo? Quantas preciosidades produziríamos? Que pérola incrível poderia ser encontrada dentro de nós ao amadurecermos e nos abrir para o mundo?

A boa notícia é que muitas pessoas dão início a um processo tão genuíno de autoconhecimento e percepção de si que, de fato, produzem não apenas uma, mas muitas pérolas internas. Que se tornam raras, autênticas, brilhantes. Tenho acompanhado alguns desses processos ao longo de minha carreira e posso testemunhar o quanto é possível vivenciar fases extremamente dolorosas e, depois de algum tempo – com vontade e muita coragem, com determinação e muito trabalho – abrir-se feito ostra pronta e mostrar-se ao mundo como uma verdadeira joia.


E você? Como tem vivido? Pérola ou ostra em coma? Algum dia, você já se deu conta de que o que parece ruim pode ser a sua grande chance de sair do coma e começar a viver de fato? Que tal iniciar seu processo? Que tal aproveitar as ameaças de sua história para descobrir o que há de mais incrível em você?

Pois essa minha conversa com a minha amiga terminou assim: emocionada, mas cheia de alegria e entusiasmo, ela confessou que se tudo o que sofreu foi o preço que ela tinha de pagar para dar-se conta de si mesma, que ela viveria tudo outra vez. Mas que agora, aberta e disposta a se arriscar, certamente vai se manter atenta e duvida muito que possa entrar em coma novamente…

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