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Você já reparou como as escolhas consomem nossa energia?

Você já reparou como as escolhas consomem nosso tempo e nossa energia? 

Algumas escolhas são bem fáceis. Sabemos o que não queremos, quase sempre, mas quanto ao que queremos é outra história! Porque muitas vezes temos várias opções e todas parecem, no mínimo, interessantes.


Escolher significa ficar com uma opção e abrir mão de outras, rejeitar várias e se contentar com apenas uma escolha.

Não queremos isso, queremos tudo, queremos o mundo, um mundo de possibilidades e todas ao alcance de nossa mão (fechada), queremos alcançar o topo do sucesso e o sucesso maior é ser feliz, mas a vida pulsa pedindo sempre mais e não quer se contentar com: ou isso ou aquilo.

Tudo está sempre em constante movimento e transformação, inclusive nós, que estamos em diferentes escalas de entendimento do processo, precisamos de escolhas.

Eu sempre achei muito difícil. Como escolher desfazer-se de uma viagem muito ansiada e planejada por medo de não dar certo e optar por fazer um curso de verão que pode enfeitar o currículo mas que jamais vai lhe dar a experiência fascinante de conhecer um novo lugar, inserir-se numa nova cultura e entregar-se a cores, cheiros e sabores antes apenas imaginados?


Como optar por voltar a um antigo relacionamento, na esperança de que dê certo só porque um dia foi bom (ficamos com essa impressão, às vezes, distorcida do passado, e perder as chances de uma incrível relação com aquela pessoa que parece tão interessada em conhecê-lo e tão interessante a seu ver, no quesito profundidade? Deve falar mais alto a saudade?

Como escolher entre lembranças não muito confiáveis de um passado, que podem vir com ternura exagerada quando estamos carentes, ou a possibilidade excitante de um futuro que pode ser brilhante porque vem cheio de coisas novas e o novo sempre atrai e encanta, com suas inúmeras surpresas?


Como optar por um emprego se você tem mais de uma proposta tentadora para progredir e aprimorar suas aptidões? E se a escolha não der certo? E se decidir ficar ao menos perto, de sua já conhecida, segurança?

Todos dizem que devemos sair de nossa zona de conforto. Eu vivo tentando entrar, porque minha vida sempre foi de muita aventura e, às vezes, preciso de uma certa rotina para renovar as forças e a energia, mas não consigo ficar ali por muito tempo, a vida me chama para tentar e desfrutar de cada instante, mesmo que isso signifique fazer escolhas, para mim, nem sempre boas, mas que só consigo definir ou classificar depois. Não há porque se culpar ou se envergonhar se o resultado da escolha não for o melhor. Existem infinitas cartadas e mesmo que o jogo seja ou esteja em alguma fase difícil, vale o aprendizado.

Conheci um homem que dizia que nunca escolhia nada, nem trabalho, nem mulheres, nem momentos, ele dizia que aceitava tudo o que vinha, sem escolhas (mas também sem emoção), ele fingia que não se importava com nada, mas na verdade, sempre o vi infeliz, muito entediado, buscando ficar cada vez mais isolado de tudo e todos, a falta de escolhas o deprimia.

Se praticarmos a liberdade que temos, aí acredito que cada momento será pleno e que realmente não precisaremos escolher muito, porque vamos atrair sempre coisas boas para nós, para nosso presente e futuro, de acordo com nosso sentimento, mas se passarmos pela vida com indiferença, não haverá novidade que dê jeito, nada vai parecer perfeito nessa mesmice da não escolha.

Temos sim o poder de escolher entre a felicidade ou a indiferença e quase ninguém quer o tanto faz. Não se deixe arrastar pela rotina num mundo de ilusão. Diga sim, diga não, diga talvez, mas exerça seu poder de escolha em cada ato de sua vida.

Não ligue para a plateia que, às vezes, é muito crítica com sua atuação, não ligue para as vaias, em outros momentos pode ser que lhe aplaudam de pé, mas o importante não são as críticas ou os aplausos dos outros, é a sua atuação e o bem que você pode fazer para si e, consequentemente, aos outros, em cada nova escolha. Não se preocupe, não faça da necessidade de optar uma coisa sofrida, ansiosa, medrosa, porque o medo nunca foi bom conselheiro, ele inventa situações aflitivas, de exagerado perigo e insegurança.

Toda escolha é boa se é feita com vontade e se não der certo ou não lhe deixar feliz, é só tentar outra vez ou voltar atrás alguns passos e recomeçar. Às vezes, o próprio destino vai lhe dar as mãos e ajudá-lo a caminhar, ele é um parceiro fiel que vai aliar-se a você quando qualquer opção lhe parecer difícil. Dar uma mão ao destino é buscar a melhor maneira de sentir-se feliz com a situação que se apresenta, ou mudar o momento que não o agrada, de preferência sem muita reclamação, porque o descontentamento é uma emoção negativa que nunca leva ninguém para a frente e só nos permite ver o lado ruim de cada questão.

Seja lá o que for que você resolva, pese antes na balança se além de qualquer lucro, progresso, dinheiro ou sucesso, a decisão vai trazer para você bem-estar, vai lhe deixar confortável, leve, contente, porque nada ou ninguém vale o preço de sua infelicidade, nenhuma situação merece que você se sinta escravo de sua própria escolha, sem direito a  enxergar luzes brilhantes no começo, meio e fim de cada túnel, porque viver, além de ser um prazer, deve  incluir o direito de mudar qualquer situação incômoda, sempre que você desejar.

Vejo pessoas em busca de reconhecimento, de mérito a cada momento, pessoas que precisam ser respeitadas não pelo que são, mas pelo juízo que fizerem delas, mesmo que seja um juízo completamente equivocado.

Se pelo menos esse boicote à felicidade e à realização dos sonhos adiantasse… mas o que vejo são pessoas a cada dia mais vulneráveis, mais frágeis, apáticas.

Cuidado com as escolhas que parecem tranquilas, cuidado com a aparência enganosa de uma chantagem, do tipo: se você fizer isso, eu lhe dou aquilo, se você optar por largar emprego, ou casa, ou qualquer outra coisa em questão, eu o ajudo, eu lhe dou bases, raízes, chão.

Não caia nessa, não conte com o outro para apoiá-lo, mesmo que o outro seja muito próximo, conte apenas consigo, porque qualquer ajuda é sempre bem-vinda como uma surpresa, não como uma exigência ou como moeda de troca por sua liberdade.

Desejo que você seja feliz com suas escolhas, mas, principalmente, que tenha a coragem de tentar, porque viver é, além de tudo e sempre, um eterno recomeçar.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: mettus / 123RF Imagens





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