CrônicasO SegredoRelacionamentos

Você não é o ovo da marmita

você não é o ovo da

Você não é – tão – importante.



É isso mesmo, você não é a última bolachinha do pacote, não é o último pedaço do chocolate, muito menos o restinho do papel higiênico. Não, você não é o melhor lugar no sofá, a cobertura do bolo, não é a nota de cinquenta reais encontrada no bolso da calça jeans que foi lavada. Definitivamente você não é o ovo da marmita.

Como exemplo trágico olhe a vida de Júlia, ela teve um namorinho com um garoto – psicopata desenfreado – que entra diariamente nas redes sociais da pobre, e acredita sinceramente de que ela pensa nele 24 horas por dia. Pobre ilusão.

Infelizmente – ou não -, aquela postagem no facebook de “Júlia está se sentindo feliz”, “Júlia está se sentindo triste”, não é pra você, não.


Júlia não está feliz só porque lhe viu ontem, nem triste porque não lhe viu hoje.

Julia está feliz e triste por outras coisas, afinal a vida dela tem milhões de coisas e pessoas, que não são necessariamente você.

Olha lá na página dela, ela postou uma música que dizia “aonde quer que eu vá, levo você no olhar”, ou aquela “bateu saudade, lembrei do tempo em que a gente se amou” e não foi para você. N – Ã – O! Não foi para ninguém.

Ela não pode somente gostar daquela música? Ela tem que ser necessariamente para alguém?


Coitada da Júlia, ultimamente anda controlando suas postagens, mesmo sabendo que suas redes sociais são pessoais, nem nelas ela pode dizer o que sente – de verdade – pra não ser mal interpretada.

Ele tem mania de achar que tudo que ela posta é relacionado a ele, e assim fica nessa vida de visualizações constantes nas redes sociais de Júlia, ele tem é uma Julionite aguda!

Se ela chega em algum lugar – esses lugares comuns que jovens da nossa idade frequentam, como o Incomum, um bar lá perto da minha cidade – e ele está, logo conclui que Júlia foi até lá para vê-lo, mal sabe que ela realmente havia ido para um encontro, mas não com ele.

Ele acreditava que ela frequentava os lugares comuns que eles iam – há algum tempo atrás, tempo que Júlia sequer lembra bem – na esperança da companhia dele, e assim ele enchia o peito de orgulho por Júlia ainda estar apaixonada por ele.


A história de Júlia é a mesma de muita gente por aqui, já foi a minha, já foi a sua, se não foi, talvez um dia seja.

Um amigo comentou esses tempos, em meio a algumas conversas sobre relacionamentos, que meus textos – sim, os meus nessa coluna – eram diretos demais, explicou que “o cara” por quem eu era – ou deveria ser – apaixonada, estava lendo tudo, acreditando que os textos estavam diretamente ligados a ele. Porém, não estavam, porque não havia o cara.

Eu sempre soube disso, mas nunca me importei com a opinião alheia, afinal existia cada coisa que eu ficava sabendo sobre a minha vida por outras pessoas que até eu me surpreendia.

Por diversas vezes imaginei o que as pessoas poderiam pensar ao lerem os textos, em como elas entenderiam aquele bando de informação, que mudava de uma semana para outra.


Se pensariam que além de bipolar, como pedir que ele esqueça nessa semana e que lembre na outra, eu teria uma vida amorosa mais badalada do que o carnaval de Salvador. O que – infelizmente – não era.

Afinal, não vou ser hipócrita e dizer que nenhum texto fala sobre você, você e você aí – imagine uma sala cheia de gente em que eu aqui, aponto a cada um com aquele dedo indicador enorme -, existem vários parágrafos que falam sobre você. Até porque nossa história de tão errada é comum.

Também não vou negar que existem textos sobre as minhas amigas, algumas coisas que não tenho a cara – de pau – para falar diretamente. Muito menos que muitos deles possuem histórias que ouvi por aí, de pessoas que sequer conheço, mas que deram bons textos.

Ou que certa vez, um cara me disse que não queria se envolver porque havia lido um texto meu que falava “eu não quero ser importante”, pensando assim que eu – que estava realmente interessada nele – estava só curtindo o momento, e que não fazia a mínima questão de ser importante, mas eu queria.


O problema é que tem sempre alguém que aposta sinceramente que nós – nós aqui ó –somos perdidamente apaixonadas por ele. E não há quem coloque na cabeça do fulano que aqueles textos, aquelas publicações de Júlia, não fazem qualquer relação com ele, e que se fizerem, no meu caso, ele vai saber por mim e não por postagens lançadas nas redes sociais.

Tudo bem, mesmo que você aí, que está agorinha lendo esse texto, achando que Julia lhe ama, que Maria lhe ama, que Cátia lhe ama, e que talvez até eu lhe ame, você que está percebendo o quanto o chapéu serviu, mesmo que acredite que é o ovo da marmita, você precisa entender que existem marmitas  – milhões delas – muito mais saborosas, sem ovo.

 

___


Escrito por Alessandrea Menegaz – Via CATWALK

Se for para namorar…

Artigo Anterior

Você nunca saberá como é acordar comigo

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.