Você se reconheceria se se visse no paraíso?

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Você se reconheceria se se visse no paraíso?



Em algum momento da vida, você pode ter escutado a música Tears in heaven, do Eric Clapton. Ela é um choro da alma do cantor diante da perda de seu pequeno Conor (filho), que, acidentalmente, caiu do 53º andar de um prédio. Nela, ele questiona à memória do filho: você saberia meu nome, se eu te visse no paraíso? É claro que, se você está lendo este texto, você permanece vivo, mas isto não necessariamente significa que você nunca tenha sofrido um acidente – seja ele físico, moral, espiritual, material, emocional ou psicológico – e, de alguma forma, perdeu parte de si.

“A dor muda às pessoas.”

Diante destas mudanças, com pedaços faltando, da alma ou do coração, será que você se reconheceria se se visse no paraíso? Não estou falando do paraíso bíblico, estou falando de um lugar (metafórico) onde você não teria seu corpo, apenas a sua essência. Então, vamos reformular a pergunta: você se reconheceria se visse apenas seus próprios sentimentos e pensamentos?


VOCE SE RECONHECERIA - FOTO 01

Eu não sei se você já percebeu, mas, dê uma olhada no perfil das pessoas (nas redes sociais) e leia a descrição da “bio”. É extremamente raro encontrar pessoas que saibam quem elas são! Em entrevistas de emprego, idem, as pessoas gaguejam ao responder aquele “fale um pouco sobre você”. Quem é você? A ideia socrática de conhecer a ti mesmo é extremamente perturbadora quando vista de frente.

Mahatma Gandhi tem uma ideia genial a respeito de mudanças. Ele diz: “se quero mudar o mundo, tenho que começar por mim.”. Desde que eu abandonei as religiões, a minha missão de vida deixou de ser “salvar o máximo de almas possível”, e passou a ser deixar o mundo melhor do que quando eu o encontrei. Por isso o conceito de Gandhi é tão importante neste contexto. Ora, se eu quero mudar o mundo, tenho que começar a mudar a mim mesmo. E, por consequência, se eu quero mudar a mim mesmo, tenho que, primeiro, descobrir quem eu sou! Não posso mudar algo que não conheço, não posso consertar o que não sei que está quebrado…


Faz sentido?

Eu percebi o quão pouco eu me conheço quando eu hesitei para responder perguntas do tipo:

O que faz você feliz? É…

Se você pudesse ir para qualquer lugar do mundo, agora, que lugar seria este? Sei lá, são tantos! Pode ser Itália.

Quais seriam os seus desejos se você encontrasse a lâmpada mágica? Hum… Deixa eu ver…

Você ganhou na loteria! O que fará com o dinheiro? Acho que vou investir e comprar uma casa. E um carro. E roupas novas.

Quem é você? O que você gosta? O que você quer?

Nós fracassamos com “O Segredo” quando nós não levamos a sério a Lei da Atração. Nós jogamos fora a chave da felicidade quando negligenciamos as nossas crenças – se você acredita no seu-desejo-é-uma-ordem (o “pedi, e dar-se-vos-á” da bíblia), mas não deseja porque sabe que não vai receber, então está negligenciando-a.

Você sabe por que a Lei da Atração não funciona para você? Porque você não QUER o que pensa que quer! Porque diante de perguntas como as citadas acima, você tem que parar para pensar na resposta. Há uma diferença colossal entre querer e QUERER! Co. Los. Sal! Nós queremos ir para Dubai, nós queremos uma casa nova, nós queremos um celular mais moderno… Uma mãe QUER que o filho saia das drogas. Uma esposa QUER que o marido saia do coma. Eles não hesitariam se encontrassem Deus e ele lhes conhecesse um pedido. Nós não temos planos! Não temos metas! Não temos os sonhos bem definidos!
Qual cidade? Qual carro? Qual casa? Qual rua? Qual investimento?

Você sabe que QUER uma coisa, quando esta coisa pulsa junto com seu coração 24 horas por dia, sete dias por semana! Você QUER uma coisa, quando ela é prioridade e está nos planos. Você QUER uma coisa, quando alguém pergunta “se pudesse fazer qualquer coisa, o que seria?” e a resposta já está na ponta da língua, pronta para sair. É quando existe este QUERER que você atrai, alcança, realiza e vivencia.

Enquanto for só querer… Continuará sendo só querer.

VOCE SE RECONHECERIA - FOTO 02

Agora… Não menos importante do que isto: precisamos conhecer quem nós somos.

Eu não vou deixar o mundo um lugar melhor se eu não souber quem eu sou. Claro, aqui estamos falando exclusivamente sobre a perspectiva “Lei da Atração”, mas esta verdade vale igualmente para outras áreas da vida. Às vezes, nós carregamos conceitos dentro de nós que nos impedem de fazer o dia – nosso e dos outros – ser melhor, quanto menos o mundo!

Se você teve instrução religiosa, é certeza de que tenha adquirido, cultivado e “maquiado” alguns medos e julgamentos. Veja… Eu li “O Segredo” em meados de 2007 – há quase 10 anos portanto –, e foi só nestas últimas semanas que eu percebi que eu achava que eu não merecia determinadas coisas. É a famosa auto sabotagem. Como que eu vou ter um super-salário se não sofri (para estudar)? Foi uma pergunta bem parecida com esta que me fez despertar num monólogo interno.

— É meio injusto você ter isto sem ao menos ter sofrido na vida.

— Ei, quem foi que falou que é preciso sofrer para merecer algo?

— Ah, mas as pessoas aí ralam o dia inteiro para ganhar um salário mínimo, por que você quer ganhar mais do que elas?

— Porque eu quero!

— Ah, tá! Então você acha justo que você esteja curtindo um final de semana nas Maldivas, enquanto as pessoas trabalham?

E, assim, eu descobri que eu sufocava muitos “QUERER”, com a ideia de não merecimento; e eles iam se tornando ‘querer’ menores, e menores, e menores… Até sumirem! Estes valores conflitantes dentro de mim, dentro de nós, nos fazem correr exaustivamente em cima de uma esteira, e é claro, não nos faz sair do lugar.

Não estou aqui para julgar ou discutir suas crenças, mas, uma vez eu ouvi uma pessoa falar que não ia ajudar fulana porque era o carma dela e ela tinha que passar por aquilo. Se esta pessoa acredita que a pessoa merece aquela condição – que não era nada favorável –, ela acredita que merece a sua própria condição. Ou seja, ela até pode querer uma vida melhor, mas ela aceita aquilo que a “vida lhe oferece”, e continua vivendo isto continuadamente. E em vez de ajudar o próximo, deixa-o sofrer porque “é o carma dele”! Não importa qual seja a sua fé, desde que… Você seja sincero consigo mesmo! Que seja verdadeiro consigo mesmo! Que sua crença, seus valores e seus desejos sejam harmoniosos entre si. Do contrário, você será um furacão desgovernado.

Eu, particularmente, já tinha me livrado de conceitos de “pecado” a respeito de muitos dos meus desejos, mas eu não tinha ideia de que eu achava que não merecia isso ou aquilo. Eu não me conhecia! E por isso não podia me mudar, me cuidar melhor, me amar melhor…

Será que você se conhece o bastante? Será que você não tem barrado no “eu não mereço isso”?
Será que quando você pensa em estudar numa (Universidade) Federal, você não acha que é “injusto” porque… Sei lá?! Será que você não quer ser rico porque tem muita gente pobre no mundo? (E não é, exatamente, com dinheiro que se muda esta situação?) Será que você não tem um carrão porque tem medo? Será que você não se auto sabota quando quer uma casa no bairro bom, mas pensa que não merece porque sua irmã batalhou demais e só conseguiu ter um apartamento minúsculo?
Será que os seus critérios de merecimento estão apoiados em ideias de pecado, carma e sofrimento?

Será que você se conhece?

Para amarrar as pontas: esta saudade, este amor, esta dor, esta procura, esta… Essência (do início do texto e a música citada)! É que é o Eric Clapton. Não é a música, a voz, o violão ou o corpo, mas o que está dentro. Percebe?
Digo isto na esperança de que sirva como pista para você encontrar a si mesmo e descobrir-se, e desvendar-se, e revelar-se.

No paraíso, você se reconheceria?

Quem é você?

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