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Você sentiu saudades de si mesmo(a) e cavou seu caminho de volta

Você sentiu saudades

No início, você sorria à toa, sentia-se a pessoa mais sortuda desse mundo por ter caído nas graças daquela pessoa.



Certamente, você agradeceu ao Universo por não ter dado certo com ninguém antes, e, teve a certeza de que, finalmente, encontrou a pessoa certa.

Ele(a) não media esforços para encantá-lo(a), tudo fluía magicamente, vocês praticamente respiravam um ao outro. Ele(a) lhe falava de um passado que o fez sangrar, sim, todos(as) os(as) ex dele(a) foram uns monstros com ele(a). Enquanto o(a) ouvia, você se indignava e se perguntava: ‘como é possível alguém ter sido tão cruel com essa pessoa maravilhosa?’

Seguramente, você, extremamente comovido(a), jurou a si mesmo(a) que curaria todas as feridas dele(a) com o seu amor, cuidado e zelo.


Algum tempo depois, você notou algumas atitudes que, de certa forma, o(a) incomodava, mas, você preferia entender que eram atitudes naturais de quem ama, você interpretava como um “excesso de zelo” da parte dele(a). Ele(a), aos poucos, passou a monitorar as suas redes sociais, a se incomodar com novos(as) amigos(as) adicionados(as) e com  a sua forma de interagir com eles(as). Então, na tentativa de se ‘adequar’ à aceitação dele(a), você passou a se policiar, a se reprimir, e, chegando  a experimentar uma ansiedade constante por receio de fazer algo que causasse desconforto nele(a).

Ele(a), muito persuasivo(a) e manipulador(a), pegava pesado tentando convencê-lo(a) de que ninguém nesse mundo lhe daria o amor que ele(a) lhe dava, e você acatava aquilo como uma sentença irrevogável. Você temia o abandono dele(a) e se transformou num(a) verdadeiro(a) maratonista no sentido de fazer o impossível para que ele(a) se sentisse amado(a), sem nada para se queixar. Acontece que nada do que você fazia era o suficiente, sempre tinha algo que o(a) aborrecia. Daí, você percebeu que quase não havia risos e descontração entre vocês, tudo acabava em discussão e mágoa.

Um dia você se deu conta de que havia abandonado a sua essência para agradá-lo(a), a  espontaneidade, sua marca registrada, estava sepultada em algum lugar porque representava uma ameaça a ele(a).

Você tornou-se apático(a), arredio(a), tenso(a), ansioso(a) e com aquele sentimento não ser bom(oa) o suficiente.


Você vivia alternando sentimentos de raiva, de si e dele(a), angústia, tristeza, pena de si e dele(a), e amargura. Aquela pessoa nunca admitia que errava contigo e, tinha uma incrível habilidade para inverter a situação e fazê-la sentir uma culpa que não lhe pertencia. Com a autoestima estraçalhada, você acreditava que, caso abandonasse aquela relação, não existiria mais nenhuma opção para você neste planeta.

Um dia, num lampejo de lucidez, você sentiu falta de si mesmo(a), e encharcou o seu travesseiro de lágrimas, foi preciso abafar a boca para não acordar ninguém com os seus soluços.

Naquele momento, você decidiu cavar o seu caminho de regresso a si mesmo(a), você sabia que não seria fácil, mas estava determinado(a). E você está progredindo, não sei, ao certo, quanto ainda falta para você concluir o seu percurso, ou se já concluiu, mas sei que esse é um caminho sem volta.

A sua dignidade agradece e eu o(a) parabenizo por toda a sua garra e disposição em lutar por si mesmo(a). Você é incrível e esse texto é para você!



Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123rf / lightfieldstudios

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