Você tem consciência do tipo de vibração que emite pela fala?

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Você fala muito ou é do tipo observador? Você tem consciência do tipo de vibração que emite pela fala?

O mundo é dos faladores, a mídia é “falante” e valoriza os falantes. Vivemos em uma sociedade onde a fala é muito valorizada. O discurso ficou mais importante do que a prática. Como a fala é a forma pela qual nos comunicamos uns com os outros é compreensível que seja assim.



Pela fala podemos transmitir amor, ternura, carinho, conhecimento, delicadeza, poesia, gratidão, tranquilidade, energia positiva, mas também raiva, rancor, agressividade, impulsividade, incoerência, hipocrisia, desconhecimento, ignorância.

E o excesso da fala pode nos deixar acelerados. Se você é professor ou palestrante sente na pele o desgaste causado pela fala, após terminar uma aula ou palestra. Ao mesmo tempo em que é revigorante, porque recebemos energia, também é desgastante, porque doamos energia.

Você já observou em que momento da conversa as discussões ficam acirradas e podem partir para agressão física? É na comunicação agressiva, rude, desrespeitosa, porque isso normalmente mexe com o nosso ego, com o nosso equilíbrio, por entrarmos na mesma vibração da palavra dita.


Muitas vezes explodimos porque escutamos uma palavra, e a interpretamos como uma ofensa. A forma como somos abordados, as palavras e a intenção (energia), faz toda a diferença.

Então, muitas vezes falamos demais, falamos sem pensar, desconectamos do nosso eu interior, e ficamos desequilibrados, porque tomamos o caminho contrário, ou seja, ficamos identificados com o que é falado, que não necessariamente corresponde ao que somos.

No ambiente de trabalho, ou na família, ou na sala de aula, sempre tem alguém que fala demais, e por isso mesmo, faz de menos. Esse é um extremo. Talvez a tagarelice não dê espaço ao fazer. E como essa pessoa é vista? Algumas vezes, pode ser vista como alguém que “só tem papo”, porque não faz o que fala, e por algum motivo está tentando convencer alguém de alguma coisa pelo discurso. Isso na filosofia se chama retórica, significa falar bem e transmitir ideias com convicção e clareza, mas não necessariamente significa que aquilo que se fala é verdadeiro ou real. Mas somente palavras e ideias.

Conhecemos muito bem essa prática na política. O candidato fala muito bem, se porta bem, se apresenta muito bem, se relaciona muito bem, mas na hora de cumprir a promessa de campanha, não faz absolutamente nada do que prometeu. Fomos seduzidos pela aparência e discurso. Por outro lado, muitas vezes desacreditamos de outro candidato que se apresenta de forma menos elaborada, que fala menos, mas que já realizou e poderia realizar muito mais.


Quem é honesto não precisa provar a honestidade pela fala, mas pelas atitudes. Esse é um dos motivos que me fez avaliar a aparência e a fala das pessoas, e sempre tentar ir além.

Porque muitas vezes, mesmo que intuitivamente eu perceba que existe algo de mentiroso na situação, eu fico seduzida pelo discurso e pela aparência da pessoa, e me engano, acreditando nela. E no fim, o combinado não acontece porque o acordo ficou só na aparência e na fala.

Hoje, é difícil encontrar pessoas que mantêm a palavra daquilo que promete e fala. Tanto que é comum dizer para alguém “ Vai lá em casa pra gente conversar”, mas não se passa o endereço, nem o telefone. Ou seja, a fala aconteceu somente para ser agradável e sociável, pois o que foi dito não tem validade.

Os quietos são considerados estranhos, até traíras, porque não se expõem. É a era da extroversão, da exposição, das redes sociais.

Se você conhece algum templo budista, hindu, ou fez algum tipo de meditação pode imaginar que os mestres valorizam o silêncio, ensinam através dele, justamente porque o silêncio nos permite olhar para nosso interior. Teria sido Jesus um tagarela? Acredito que não, embora tenha ensinado por parábolas.

Um exemplo prático e comum: uma mãe que fala o tempo todo para o filho arrumar o quarto, não deixar a toalha molhada na cama, desligar a TV…e nada, o filho nem dá bola. Então chega o pai e só olha para a criatura, e é atendido imediatamente. A conclusão é que provavelmente quem fala menos, insiste menos com o filho, mas faz o que fala, é considerado mais severo, ou crível. E por isso é atendido. E aquele que fala muito, insiste muito, e acaba não fazendo o que fala, não tem crédito com a criança.

E você, o que está transmitindo com a sua fala? Desejo que transmita o que tem de melhor em você. Um degrau por dia, um dia de cada vez.


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