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Você vai continuar sozinha enquanto não parar de buscar pela pessoa perfeita:

Acho que grande parte dos problemas associados a relacionamentos poderiam facilmente ser solucionados se a gente simplesmente parasse de fazer comparações.Porém, é engraçado como dependendo da urgência emocional a grama do vizinho parece sempre mais verde, o passado parece mais interessante que o presente e o relacionamento surreal do casal na TV, que exala um encanto absolutamente ensaiado, se torna o modelo de parceria ideal.



Em suma, aparentemente a gente busca e cultiva a indisponibilidade. Daí reclama que não encontra uma pessoa bacana, que só mergulha em relacionamentos frustrados, que é a melhor companheira da solidão, quando de fato o problema está justamente na falta de jeito de olhar para o outro. Comparar é uma escolha e viver refém de uma lembrança ou um padrão também.

Quem já provou do banquete mais saboroso que seus sentidos poderiam degustar dificilmente se contenta com um simples café com pão. Porque expectativa é assim, se alimenta de pequenos pedacinhos de saudade e ilusão até se tornar algo tão grandioso que perde-se o limite entre o que é real e o que não é.

Uma vez aninhado em um patamar tão alto é difícil olhar para baixo e reduzir as perspectivas do que se quer. A sociedade, a mídia, os padrões de relacionamentos que foram criados também apresentam uma grande parcela de culpa neste processo. A gente quer sempre mais, o pacote completo.

A pessoa mais bonita, mais bem sucedida, mais inteligente, mais sarada, com o beijo do ex, o olhar da menina da faculdade, o sorriso do Cauã e a intimidade arduamente conquistada do último relacionamento. É uma característica quase inerente à condição humana comparar. Quando se vê, lá estão os olhos a almejar aquilo que não têm ou, acham que não têm.


É muito fácil alimentar uma eterna procura, ao invés de simplesmente assumir nossas necessidades reais e arcar com os desapegos emocionais associados a isso. Permanecer entrelaçado a uma saudade ou a um protótipo de relacionamento fictício chega a ser confortável, uma vez que, implica em destituir da culpa os verdadeiros responsáveis por esse desencontro com o amor: nós mesmos. Nesse jogo de associar uma coisa que parece boa a algo que muitas vezes nem teve uma chance decente de mostrar a que veio, muitos caminhos e possibilidades de felicidade se perdem.

Digo ainda que competir com um deslumbramento é difícil demais. Nenhuma pessoa, parceria, oportunidade, situação, se torna atraente frente a um monte de idealização.


No fundo, tudo está relacionado com aquilo que nosso coração e nossa vivência necessitam naquele exato momento. Não adianta comparar o apetite de ontem com o de hoje, porque as prioridades mudam com as bagagens. Se nossa fome é de atenção, um simples cafuné antes de dormir servirá de aconchego.

Se a sede é de um relacionamento, qualquer sentimento atravessado que cruzar nosso caminho pode se tornar o maior amor das nossas vidas. Absolutamente tudo está relacionado com os anseios do nosso coração naquele ponto da travessia e como isso modifica nosso jeito de olhar para o outro. Assim, um simples arroz com feijão pode ser uma iguaria ou uma refeição insossa, e da mesma forma, um pão bolorento pode encher seus olhos carentes como um brigadeiro na vitrine da padaria. Depende da sensibilidade do seu paladar e da permissividade dos sabores disponíveis no mercado. O pequeno príncipe que sussurra na cabeceira da minha cama já dizia: o essencial é invisível aos olhos.

Como tudo na vida, comparar também é uma escolha. Ou a gente aceita de coração aberto os presentes que o universo coloca no nosso caminho e dá ao acaso a sua devida oportunidade de construir felicidade, ou, vive cúmplice de um passado, uma cicatriz, um pré-conceito, qualquer coisa que te impeça de seguir adiante.

Quando existe a possibilidade de viver uma parceria sensacional é difícil não se apegar a isso e buscar sentimentos/situações similares no futuro. Acontece que não somos os mesmos de antes e o mundo, invariavelmente, não é o mesmo também. É essencial ajustar o olhar. Aprender a degustar novos sabores, redescobrir sensações e valorizar oportunidades que a primeira vista não parecem tão atraentes.

Parar de comparar e redirecionar as expectativas. Depois não adianta reclamar que o universo boicota seus relacionamentos quando foi você quem dispensou o café com leite na procura descontrolada por um croissant idealizado. Não estou dizendo que devemos fechar qualquer negócio, apenas que devemos aprender a avaliar racionalmente os termos que realmente importam neste contrato de parceria.

Ostentação mesmo é poder exibir um amor sincero e quentinho que sacia apenas a SUA essência, ao invés de alimentar um “modelo”, uma saudade, e consequentemente, a tão desconfortável solidão.

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Autora: Danielle Daian

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