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Zona de conforto

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Eu não sou contra relacionamentos. Nunca fui. Aliás, admiro muito alguns casais que conheço. É mágico se apaixonar e ser correspondido. É ótimo ter alguém para enfrentar a caminhada, para te fazer se sentir importante, para te abraçar apertado nos momentos difíceis. É claro que eu não poderia ser contra algo assim. O que eu condeno veementemente é o fato de uma pessoa manter um relacionamento que não a faz feliz. E o que é ainda pior: fingir que é feliz para manter as aparências. Eu sei muito bem que uma relação a dois nunca é um mar de rosas. Deve haver muita compreensão e jogo de cintura para que funcione. Não é disso que estou falando. Esse tipo esforço, quando feito para alguém que o faça valer a pena, chega até mesmo a ser prazeroso. O que me incomoda são os covardes. Aqueles que percebem claramente que não são felizes com seus relacionamentos, mas estão acomodados e sentem medo de enfrentar a situação. Chega a ser patético, mas, para eles, a zona de conforto é o sofrimento. A pessoa não termina por medo de sofrer, mas mantém o relacionamento sofrendo e se sentindo vazia. Qual é a lógica? Serão necessários anos de convivência e um divórcio nas costas para aprender? Espero que não. Porque mais estúpido do que levar um namoro que não te faz feliz para frente, é se casar achando que assim os problemas vão melhorar. Desculpe pessoa iludida, mas permita-me rir da sua cara. Vou ficar daqui torcendo muito para que vocês não tenham filhos antes de acordarem desse pesadelo. Eles não merecem isso. Outro tipo de covarde muito comum é aquele que quer viver a vida de solteiro, mas não tem a dignidade de assumir isso e prefere iludir e machucar uma segunda pessoa que merecia, no mínimo, ter os seus sentimentos respeitados. Sabem do que estou falando? Daquele carinha, por exemplo, que diz que ama a namorada, mas que traição “é necessidade de homem”.



Desculpe meu caro, mas você não passa de um tremendo imbecil machista que não consegue assumir as suas escolhas. Não é justo iludir alguém que você tem total consciência que merece uma pessoa, talvez não melhor, mas, simplesmente, disposta a dar algo que você não está preparado no momento. E quanto a você que fica aí fingindo felicidade nesse seu relacionamento meia-boca, eu te digo mais uma vez: não tenha medo de ser feliz. Não é demérito nenhum admitir o término de um relacionamento que não está dando certo. Nada pode ser mais melancólico do que alguém se acostumar a ser infeliz. Nunca é tarde para começar a sorrir. A pior solidão que se tem notícia é aquela sentida a dois.

 

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Escrito por Rafael Magalhães – Via Precisava Escrever

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