Descubra por que os cães rosnam para algumas pessoas e não para outras, com base em fatores como olfato, linguagem corporal, socialização e estado emocional

Se você tem um cachorro em casa, é bem provável que já tenha notado que ele não reage da mesma maneira a todas as visitas.
Algumas pessoas são recebidas com entusiasmo, com muitos abanos de cauda e pulos de alegria, enquanto outras provocam latidos insistentes e, em algumas situações, até mesmo comportamentos mais agressivos.
Essa variação no comportamento dos cães costuma deixar muitos tutores curiosos: será que os cães percebem algo que nós não conseguimos ver, ou isso é apenas uma questão de instinto protetor?
A resposta, de acordo com estudos sobre comportamento animal, é mais complexa do que parece e envolve aspectos como olfato, linguagem corporal, socialização e até o estado emocional das pessoas ao redor.

Direitos autorais: Reprodução / Canva
De modo geral, o latido é uma forma de comunicação dos cães com o ambiente ao seu redor. Quando um estranho entra em casa, é natural que o animal fique em estado de alerta — afinal, ele está protegendo seu território e sua família. No entanto, essa reação não ocorre com todas as pessoas.
Segundo a etologia, ciência que estuda o comportamento animal, os cães têm uma capacidade aguçada para captar estímulos que passam despercebidos por nós. Um cheiro diferente, uma voz mais alta ou um jeito hesitante de se aproximar podem ser interpretados como sinais de ameaça, mesmo quando não há perigo real. Nessas situações, o latido serve como um aviso de que algo está fora do normal.
Pesquisas indicam que há diferentes categorias de latidos — como os de alerta, frustração, brincadeira ou solidão — o que reforça a ideia de que eles não estão simplesmente “latindo à toa”, mas tentando comunicar algo específico.
Enquanto os humanos possuem cerca de 5 a 6 milhões de receptores olfativos, os cães têm entre 200 e 300 milhões, dependendo da raça. Além disso, a parte do cérebro dedicada à análise de odores é proporcionalmente muito maior nos cães.
Por isso, eles conseguem perceber se uma pessoa está ansiosa, com medo ou nervosa — tudo isso apenas pelo cheiro. Hormônios como o cortisol, liberados em momentos de estresse, são facilmente detectados por seu olfato aguçado.
Além disso, a linguagem corporal humana pode transmitir intenções sem que a gente perceba. Um olhar fixo demais, uma aproximação rápida ou gestos exagerados podem ser interpretados como ameaçadores. E os cães, que são especialistas em leitura corporal, reagem com base nessa percepção.
Cada cão tem sua própria história e personalidade. Animais que não foram bem socializados durante a fase crítica de desenvolvimento — geralmente entre 3 e 12 semanas de vida — tendem a ser mais medrosos ou reativos diante de pessoas e situações novas.
Isso ajuda a entender por que dois cães da mesma raça podem ter comportamentos totalmente diferentes diante da mesma visita. As experiências de vida, o grau de exposição a diferentes ambientes e até traumas anteriores influenciam diretamente na forma como eles reagem.

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A melhor forma de evitar latidos excessivos ou atitudes defensivas é trabalhar a socialização do cachorro desde filhote. Apresentá-lo a pessoas de perfis variados, levá-lo para passeios em locais diferentes, permitir contato com outros animais e criar interações positivas são ações fundamentais.
Para cães adultos que já apresentam reatividade, o processo exige mais paciência, mas ainda pode ser eficaz com o uso do reforço positivo — ou seja, recompensar o bom comportamento com petiscos, carinho ou brincadeiras. Em alguns casos, a orientação de um adestrador profissional é recomendada para ajudar o animal a superar seus medos e reações negativas.
O estado emocional do tutor também influencia diretamente no comportamento do cão. Cães convivem diariamente com seus humanos e são extremamente sensíveis ao ambiente em que vivem.
Quando o tutor está nervoso, ansioso ou tenso, o animal pode sentir essas emoções e reagir a elas. Por isso, cuidar do próprio bem-estar também é uma forma de proteger e equilibrar o emocional do seu melhor amigo de quatro patas.
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