Cientistas alertam para uma aceleração incomum na rotação da Terra, que pode provocar o dia mais curto da história nas próximas semanas e impactar sistemas globais

Embora a duração dos dias mude naturalmente ao longo do ano, astrônomos alertam que, em poucas semanas, a humanidade poderá enfrentar o dia mais curto já registrado desde o início das medições modernas.
Pesquisadores explicam que esse encurtamento decorre de uma aceleração inesperada na rotação da Terra, fenômeno que pode colocar o ano de 2025 entre os períodos mais marcantes em termos de alterações na dinâmica do planeta.
Em condições normais, a Terra realiza cerca de 365 rotações completas em torno de seu próprio eixo ao longo de cada órbita solar, número que define a contagem de dias em um ano nos calendários civis e científicos.
Contudo, ao longo da história geológica, esse número variou significativamente. Estimativas indicam que a Terra já girou de 490 a 372 vezes por órbita, resultado de processos naturais que alteraram a distribuição de massa do planeta.
Fatores como deslocamentos tectônicos, mudanças nos oceanos, erupções vulcânicas e até o gradual afastamento da Lua afetam diretamente a velocidade com que o planeta gira. No entanto, a atual aceleração está ocorrendo de forma incomum e sem explicação consensual entre os especialistas. A rotação parece estar se tornando mais rápida sem que haja uma causa clara.

Direitos autorais: Reprodução / Canva
O astrofísico Graham Jones, da Universidade de Londres, calculou que a Terra pode girar mais rápido em 9 de julho, 22 de julho ou 5 de agosto. Nessas datas, o planeta pode completar uma rotação até 1,51 milissegundos mais rápido que o habitual.
Embora esses números pareçam mínimos, eles têm implicações relevantes. Sistemas como GPS, redes de telecomunicação, satélites e relógios atômicos dependem de uma sincronia perfeita, e cada milissegundo fora do padrão pode causar falhas.
Até o momento, os cientistas ainda não sabem por que o planeta começou a girar mais rápido de forma tão abrupta. Leonid Zotov, da Universidade Estatal de Moscou, comentou:
Ninguém esperava isso. A causa dessa aceleração não foi explicada
Ele acrescentou: “A maioria dos cientistas acredita que seja algo dentro da Terra. Modelos oceânicos e atmosféricos não explicam essa enorme aceleração.”
Além de causas internas, há evidências de que eventos naturais extremos podem impactar diretamente o tempo de rotação do planeta. Um exemplo claro disso ocorreu em 2011, quando um terremoto de magnitude 9,0 atingiu a costa leste do Japão.
O abalo foi tão intenso que deslocou o eixo da Terra em cerca de 17 centímetros e encurtou o dia. A ilha principal do Japão chegou a se mover aproximadamente 2,4 metros em consequência do evento.

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O impacto surpreendeu especialistas em geofísica, que destacaram o efeito da redistribuição de massa na velocidade de rotação da Terra. Marés e movimentos subsequentes também contribuíram para prolongar pequenas alterações nos dias seguintes.
Na ocasião, o pesquisador da NASA, Dr. Richard Gross, explicou de forma didática:
Terremotos podem alterar a rotação da Terra reorganizando a massa da Terra. É isso que uma patinadora faz para girar mais rápido. Ela aproxima os braços do corpo, aproximando sua massa do eixo em torno do qual está girando. E os terremotos fazem a mesma coisa. Este terremoto deve ter movido a massa, em média, um pouco mais perto do eixo de rotação da Terra para fazer a Terra girar mais rápido e a duração do dia um pouco menor.
Apesar da tendência de aceleração ter sido notada desde 2020, os cientistas acreditam que esse ritmo não será permanente. Há ciclos naturais que provocam tanto aceleração quanto desaceleração ao longo de décadas.
“Mais cedo ou mais tarde, a Terra desacelerará”, disse Zotov, reforçando que embora a ciência esteja monitorando de perto essa oscilação, ainda não é possível prever quando a estabilidade será retomada.
Enquanto isso, cada milissegundo conta. O planeta pode estar girando mais rápido — e a humanidade terá que acompanhar esse novo ritmo com atenção redobrada.
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