O Brasil se prepara para enfrentar os impactos de um El Niño intenso, com risco de seca severa, incêndios florestais e enchentes em diferentes regiões do país

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O NOAA confirmou o início do El Niño com intensidade fraca e há 63% de chance de que ele se fortaleça para uma condição muito forte entre novembro e janeiro, o que pode ser um Super El Niño. O Brasil se prepara com ações coordenadas, monitoramento e planejamento regionalizado para mitigar impactos como chuvas intensas...
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O que se sabe
FAQ editorial
Nesta quinta-feira (11), o NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) confirmou oficialmente o início do El Niño, depois de meses acompanhando as condições registradas no Oceano Pacífico Equatorial.
Neste primeiro momento, o fenômeno ainda se manifesta com intensidade fraca, mas a tendência é de fortalecimento ao longo dos próximos meses.
Segundo o órgão internacional, existe 63% de probabilidade de que o fenômeno alcance uma condição considerada muito forte entre novembro e janeiro. Caso essa projeção se confirme, o evento poderá ficar entre os mais intensos já observados desde 1950, conforme alerta da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina.
Eventos climáticos com esse nível de intensidade costumam ser conhecidos popularmente como Super El Niño. Diante da possibilidade de agravamento, o MIDR (Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional), por meio da Sedec (Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil), reuniu órgãos federais e instituições responsáveis pelo monitoramento climático para analisar os possíveis cenários.
De acordo com o coordenador-geral de Gerenciamento de Riscos da Sedec, Leno Rodrigues de Queiroz, os efeitos do El Niño não são iguais em todo o território brasileiro. Por isso, cada região exige atenção específica e planejamento adequado para lidar com os riscos previstos: “Estamos olhando cuidadosamente para possibilidades de estiagem, incêndios e chuvas”
Para o trimestre formado por junho, julho e agosto, os impactos esperados indicam tendência de chuvas acima da média no Centro-Sul do Brasil. Ao mesmo tempo, há previsão de seca severa nas regiões Norte e Nordeste, com possibilidade de incêndios florestais e ondas de calor a partir de agosto e setembro.
O meteorologista Fábio Rocha, da Divisão de Previsão de Tempo e Clima do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), também destacou que a intensidade prevista para o El Niño varia entre moderada e forte. Segundo ele, o fenômeno deve ganhar maior consistência principalmente durante o período da primavera.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que o Brasil se encontra mais preparado para responder aos desafios climáticos atuais do que em anos anteriores. Ele ressaltou que, embora o El Niño seja um fenômeno natural, seus efeitos acabam sendo intensificados pelo avanço das mudanças climáticas.
Com o objetivo de coordenar as ações de prevenção e resposta, o Governo Federal instalou uma sala de situação permanente, coordenada pela Casa Civil. A estrutura reúne 13 ministérios e diferentes órgãos públicos, que acompanham os cenários climáticos de forma contínua e elaboram medidas antecipadas para diminuir impactos sociais e ambientais.
Entre as providências já colocadas em prática estão o fortalecimento do monitoramento ambiental, o aumento da frota de aeronaves e equipamentos destinados ao combate ao fogo, além do repasse de cerca de R$ 500 milhões aos corpos de bombeiros de estados considerados mais vulneráveis aos incêndios florestais.
A Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil explica que o El Niño não deve ser entendido apenas como um fenômeno oceânico. Ele é resultado da interação entre o oceano e a atmosfera. O aquecimento das águas do Pacífico Equatorial altera o comportamento dos ventos e desencadeia uma série de efeitos climáticos em diferentes partes do planeta.
O monitoramento do fenômeno é feito a partir de diferentes áreas do Pacífico Equatorial. Entre essas regiões, a porção central, conhecida como Niño 3.4, é considerada a principal referência pelos centros meteorológicos internacionais para acompanhar e caracterizar a ocorrência do El Niño.
Quando a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 fica pelo menos 0,5°C acima da média climatológica, o oceano passa a apresentar características associadas ao El Niño. Para que um episódio do fenômeno seja considerado consolidado, esse aquecimento precisa permanecer por, no mínimo, cinco trimestres consecutivos.
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