A verdade é que quando amamos alguém, o que mais queremos é poder proteger, cuidar e passar nossas experiências para que ele ou ela não cometa os mesmos erros que nós. O problema é que, em muitos casos, nos esquecemos de explicar a razão dos nossos conselhos e comportamentos, e acabamos privando-o sem que tenhamos […]
A verdade é que quando amamos alguém, o que mais queremos é poder proteger, cuidar e passar nossas experiências para que ele ou ela não cometa os mesmos erros que nós.
O problema é que, em muitos casos, nos esquecemos de explicar a razão dos nossos conselhos e comportamentos, e acabamos privando-o sem que tenhamos um argumento plausível.
Tirar o direito de alguém com relação a sua espontaneidade é fazer com que ele se torne um simples repetidor de histórias, que talvez não escolhesse, se lhe dessem essa opção.
Somos superficiais demais diante daquilo que nos restringe e faz com que tenhamos medo de encorajar o outro.
Se nos perguntam o porquê de nossas atitudes, simplesmente somos incapazes de encontrar uma resposta realmente satisfatória. E o motivo é simples, nós também não sabemos, não nos conhecemos suficientemente bem para evitar aquilo que em nós nos impede de seguir em frente.
E então, bloqueamos comportamentos, sonhos e uma vida inteira de crianças e adultos, como uma tentativa quase desesperadora de fazê-los optar por um caminho mais seguro.
Mas, afinal, isso realmente é possível?
Somos capazes de livrar aqueles que amamos de todos os males do mundo?
E se fosse verdadeiramente possível, não estaríamos privando-os de todos os ensinamentos, que somente os desafios são capazes de nos oferecer? Não estaríamos impedindo seu amadurecimento? Não estaríamos sendo cúmplices no desenvolvimento de seres humanos cada vez mais imaturos e inseguros?
Até que ponto temos o direito de intervir na vida de alguém em nome do amor que sentimos?
Privar alguém de conhecer seus próprios limites, de descobrir as respostas por conta própria, e de vivenciar seus sonhos e mudar de opinião quando algo não mais o fizer feliz é, de certa forma, um tipo de violência velada.
Quando ultrapassamos os limites e projetamos no outro nossos medos, inseguranças e frustrações, formamos seres humanos sem autonomia. Retiramos deles a liberdade de ser quem são, de trilharem o caminho da sua própria felicidade.
Formamos seres humanos incapazes de fazer suas próprias escolhas, e que sentirão uma extrema necessidade de ser aceito pelo outro.
Seres humanos que viverão para satisfazer a expectativa alheia.
Criamos pessoas que não acreditam que podem ser amadas se disserem não ao outro. Seres humanos que não se amam como deveriam
É triste e preocupante saber que muitas vezes, esses mesmos seres humanos passam uma vida inteira sofrendo com ansiedades, depressões e infelicidade, sem nem ao menos saber o porquê.
É importante e fundamental entendermos que respeitar o limite do outro, escutar suas escolhas e procurar entender seus comportamentos antes de julgar é também uma prova de amor.
Permitir que o outro viva seus sonhos e acredite ser capaz de se superar a cada dia é o eu te amo mais sincero que você poderia dizer a alguém.
Que possamos ser incentivadores em um mundo onde os sonhos se perderam em meio a tanta correria.
Que possamos compreender a sutil diferença entre estar presente e retirar a liberdade do outro.
Que saibamos oferecer nossas mãos como uma forma de conforto e não de imposição.
Que possamos aprender a deixar que o outro seja sua melhor versão e a aceitá-lo como tal.
Que tenhamos a sensibilidade de ser luz para o caminho daqueles que amamos
Que sejamos capazes de guiá-los para que aprendam a abrir portas e não a fechá-las.
Que tenhamos coragem o suficiente para entender a origem de nossos próprios medos e sejamos capazes de superá-los para, então, poder ensinar aos nossos filhos que sempre é possível ser mais forte diante da vida.