Descubra quem se beneficia com o fim da escala 6x1

O fim da escala 6×1 — em que o trabalhador tem direito a uma folga a cada seis dias trabalhados — foi um dos principais pontos discutidos durante o ato pelo Dia do Trabalhador, realizado nesta quarta-feira por diversas centrais sindicais.
A proposta também foi citada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em pronunciamento oficial no feriado de 1º de Maio, com a promessa de levar o debate para diferentes segmentos da sociedade.
Se aprovada, a proposta pode representar uma transformação significativa no cotidiano profissional de muitos brasileiros, especialmente homens, trabalhadores com carteira assinada e pessoas empregadas nos setores de comércio e serviços, onde a jornada costuma ser mais extensa.

Direitos autorais: Divulgação / Agência Brasil – Tomaz Silva
O texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/2025 prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas, beneficiando diretamente os trabalhadores formais.
Segundo levantamento do Instituto de Economia da Unicamp (IE-Unicamp), baseado em dados da PNAD Contínua do IBGE, cerca de 34,4 milhões de brasileiros — o equivalente a 37% da população ocupada — podem ser beneficiados. Todos pertencem à parcela que possui vínculo empregatício formal.
De acordo com as pesquisadoras responsáveis pelo estudo, homens devem ser proporcionalmente mais favorecidos, pois acumulam jornadas médias semanais maiores do que as das mulheres. Logo, a redução para 36 horas representa um alívio mais expressivo para eles.
Já os setores mais afetados seriam comércio e serviços, que dependem de mão de obra constante, inclusive aos finais de semana.
Essa mudança poderá forçar a contratação de novos funcionários para cobrir as escalas de trabalho. Ainda assim, os defensores da proposta argumentam que mais tempo livre estimula o consumo, o que poderia gerar aumento de lucro para as empresas desses setores.
Segundo a advogada Juliana Mendonça, especialista em direito e processo do trabalho, o impacto nas áreas de hotelaria e alimentação tende a ser ainda maior. Esses segmentos geralmente adotam a escala 6×1 e possuem demandas intensificadas em horários alternativos e períodos sazonais. Ela destaca:
Reduzir a jornada para 36 horas semanais obrigaria esses empregadores a reestruturar completamente os turnos e a logística de pessoal, o que pode resultar em novas contratações ou aumento de horas extras afirma Mendonça

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A PEC em questão altera o inciso XIII do artigo 7º da Constituição Federal, que trata da duração máxima da jornada de trabalho. A proposta foi apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e mantém o limite diário de oito horas, mas reduz o total de horas semanais para 36.
Na prática, se aprovada como está, a proposta possibilitaria a adoção de uma nova escala: em vez do tradicional 6×1 (seis dias de trabalho para um de folga), os trabalhadores passariam a cumprir uma escala 4×3 — ou seja, quatro dias de trabalho e três de descanso.
Protocolada em fevereiro deste ano, a proposta já conta com as assinaturas necessárias para tramitar na Câmara dos Deputados. No momento, o texto aguarda despacho do presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), para que comece oficialmente a tramitação nas comissões responsáveis.
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