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Era uma vez uma mulher gentil…

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Era uma vez uma Fernanda. Um dia Fernanda se casou, decidiu criar o filho de uma amiga que partiu cedo, engravidou, teve seu filho. Ela vivia em um lar feliz com sua cachorrinha de estimação, o marido e os meninos. Trabalhava bastante e se sentia realizada. Aí, um belo dia, Fernanda viu que alguma coisa não se encaixava.



Alguma coisa parecida com areia nos olhos. Alguma coisa que a gente não vê, mas que sente que começa a incomodar. Fernanda se separou.

Corajosamente, com o filho pequeno no colo, com o filho mais velho numa mão, com a cachorrinha na coleira na outra, Fernanda disse adeus a um amor de anos, a um amor que talvez tenha se acostumado tanto a amar que virou amizade.

Teve um dia, então, que Fernanda se apaixonou de novo. Sentiu as borboletas dançando no estômago, presenciou as flores perfumadas se abrindo em magnífica suntuosidade, sentiu aquela calmaria em rebuliço de oceano que só quem já se apaixonou sabe descrever. Por fora, a gente está numa paz de dar inveja. Por dentro, os hormônios e o coração estão em festa de arromba.


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Fernanda estava assim! Seduzida pelos olhares de seu novo amor, acariciada pelas mãos da paixão que nascia. Fernanda conversou com os meninos, explicou que a mamãe e o papai seriam amigos para sempre e estariam lá sempre que eles precisassem (e quando não precisassem também!), mas que ela estava gostando de outra pessoa.

E, então, chegou a vez de Fernanda contar ao mundo de seu amor, assim como todo par de apaixonados. Ela queria tirar fotos românticas no restaurante, queria postar vez ou outra beijos de amor com legendas de trechos de músicas entre aspas.

Ela queria gritar para todo o mundo ouvir que seu coração estava novamente batendo em ritmo de cortejo. Ela queria sair por aí de mãos dadas com sua paixão, com os cabelos ao vento, com a brisa fazendo carinho nos rostos sorridentes.


E foi aí que Fernanda disse algo que não mudaria em nada sua história de amor: que a nova pessoa por quem ela se apaixonara era outra mulher. Ora, Fernanda se apaixonou por uma pessoa, por uma alma habitando um corpo, por um papo divertido, por uma risada contagiante, por histórias engraçadas, por um ombro pronto para acalentar seu choro, por um colo macio para cuidar de suas dores. Fernanda se apaixonou por outro ser humano, com suas qualidades e defeitos, com seus medos e coragens, com suas lacunas e com seus preenchimentos. Pouco importa se esse ser humano é homem ou mulher. Menos ainda importa se o mundo inteiro aprovou ou não a nova paixão de Fernanda.

Era uma vez uma Fernanda cheia de coragem que não se importou com as opiniões de mais ninguém e que colocou fim no que tanto parecia concreto para poder voar – esplendorosa – pelo abstrato tão incerto, tão novo e tão emocionante.

É uma vez uma Fernanda que trata de ser gentil e fazer feliz a pessoa mais importante de sua vida: a sua!


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