A Justiça tomou uma nova decisão no caso Gisele, envolvendo o coronel acusado de matar a esposa, que era policial militar

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A Justiça de São Paulo manteve a prisão preventiva do coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu por feminicídio e fraude processual na morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, após reavaliação que não identificou mudanças significativas no caso. O processo segue para fase de instrução, com depoimentos previstos ent...
Resumo do conteúdo
O que se sabe
FAQ editorial
A Justiça de São Paulo manteve a prisão preventiva do coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto (53), réu pelos crimes de feminicídio e fraude processual na morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana (32).
A decisão foi tomada durante a reavaliação periódica da medida cautelar, prevista na legislação brasileira.
O policial está preso desde 18 de março deste ano. Na época da detenção, ocupava o posto de tenente-coronel, mas a corporação o promoveu à patente de coronel após a aposentadoria.
Ao analisar novamente o caso, a juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro concluiu que não houve alteração significativa que justificasse a revogação da prisão e manteve a prisão preventiva do acusado.
Segundo a magistrada, permanecem válidos os fundamentos que levaram à decretação da medida cautelar, especialmente diante do avanço da ação penal para a fase de instrução processual, momento em que serão produzidas provas e colhidos depoimentos de testemunhas e envolvidos.
As audiências estão marcadas para ocorrer entre 29 de junho e 3 de julho, período em que o coronel deverá prestar depoimento.
A reavaliação da prisão ocorre em cumprimento ao Código de Processo Penal, que determina a revisão da necessidade da medida a cada 90 dias, independentemente de solicitação da defesa ou da acusação.
Gisele foi baleada na cabeça em 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde vivia com o marido, no bairro do Brás, região central da capital paulista. Ela chegou a ser socorrida em estado grave e encaminhada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos.
Em seu depoimento, Geraldo Leite Rosa Neto afirmou que, na manhã do ocorrido, comunicou à esposa a intenção de encerrar o relacionamento. Segundo ele, Gisele teria reagido de forma exaltada, pedido que ele deixasse o quarto e fechado a porta.
O coronel relatou que foi tomar banho e, cerca de um minuto depois, ouviu um barulho. Inicialmente, acreditou tratar-se de uma porta batendo, mas afirmou que encontrou a esposa caída no chão ao sair do banheiro.

Direitos autorais: Reprodução / Arquivo Pessoal – Gisele Alves Santana
Apesar do registro inicial como suicídio, a polícia passou a investigar o caso como morte suspeita após declarações da mãe da vítima.
Ela relatou que a filha vivia um relacionamento marcado por controle excessivo, agressividade e comportamentos considerados abusivos por parte do marido. Segundo a mulher, o policial proibia Gisele de usar batom, salto alto e perfume, além de exercer rígido controle sobre sua rotina.
Durante as investigações, mensagens extraídas do celular do coronel revelaram episódios de humilhações, ofensas e relatos de violência dentro do relacionamento.
Também surgiu uma denúncia anônima registrada em um Inquérito Policial Militar, apontando que o oficial apresentava comportamento instável e costumava perseguir, intimidar e ameaçar a companheira. A Corregedoria da Polícia Militar instaurou procedimento para apurar os fatos poucos dias após a morte da soldado.
Em abril, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o processo deverá tramitar na Justiça comum e não na Justiça Militar. De acordo com a decisão, a análise do caso ocorre pela 5ª Vara do Júri de São Paulo, responsável por julgar acusações de homicídio e feminicídio.
Desde o início da investigação, Geraldo Leite Rosa Neto nega ter matado a esposa. Em entrevista concedida anteriormente, ele afirmou que está sendo alvo de acusações injustas e declarou ter a consciência tranquila.
Com a manutenção da prisão preventiva e o início da fase de depoimentos, o processo entra agora em uma etapa considerada decisiva para o esclarecimento da morte da soldado Gisele Alves Santana.
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