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Empresário preso por matar gari em BH afirma em carta que o ocorrido foi um “acidente”

Empresário preso por matar gari em BH alega "acidente" em carta

Avatar De Beatriz CarvalhoBeatriz CarvalhoNotícias27/08/2025 às 09:59 27/08/2025 às 15:18

Empresário Preso Por Matar Gari Em Bh Afirma Em Carta Que O Ocorrido Foi Um &Quot;Acidente&Quot;
Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal

O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, de 47 anos, confesso autor do assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes, de 44, escreveu uma carta na prisão alegando que o caso foi um “acidente”.

O documento, redigido segunda-feira (25) por Renê e entregue à sua defesa, revela que ele se sente bem representado tanto pela nova equipe de advogados quanto pela anterior. “O que aconteceu foi um acidente com a vítima e me sinto bem representado. Tenho certeza que resolveremos esse mal-entendido“, declarou.

A carta foi elaborada durante a terceira troca de advogados do empresário. Renê, que está preso desde 11 de agosto, inicialmente contratou uma equipe de advogados de Minas Gerais, mas uma semana depois, o escritório abandonou o caso alegando “motivo de foro íntimo“.

Um novo advogado, Dracon Cavalcanti Lima, assumiu a defesa, mas segunda-feira a Justiça de Minas Gerais informou que Renê havia constituído um novo defensor, Bruno Silva Rodrigues, do Rio de Janeiro.

O empresário decidiu que os dois advogados “trabalhem em parceria”. O documento foi entregue no presídio de Caeté (MG) ao defensor Dracon Cavalcanti Lima, que explicou ao portal UOL que houve um mal-entendido com o novo advogado contratado por Renê.

Por ora, ambos os advogados permanecem no caso, mas Dracon mencionou que uma reunião foi agendada com o empresário para decidir qual escritório continuará na defesa.

O portal O Segredo tentou contato com o advogado Bruno Silva Rodrigues, que optou por não se pronunciar.

Eu, Renê da Silva Nogueira Júnior, tinha dado autorização para o Dr. Dracon via procuração para me defender no meu nome. Gostaria de reforçar que acredito no trabalho do mesmo e reforço a necessidade que meus advogados trabalhem em parceria. O que aconteceu foi um acidente com a vítima e me sinto bem representado tanto pelo Dr. Dracon como pelo Dr. Bruno Rodrigues. Tenho certeza que resolveremos esse mal-entendido. Pedi ao mesmo para não sair do meu caso. Que Deus abençoe
Carta escrita por Renê

Versão de Renê em depoimento à polícia

Renê revelou que, no dia do crime, ele tomou um desvio para o trabalho devido ao atraso. Em certo momento, entrou em um beco sem saída e foi aconselhado por pessoas na rua a voltar. Nesse instante, o empresário admitiu que retirou a arma da mochila e a colocou sob suas pernas no banco do carro.

Ao retornar pela via, ele encontrou um engarrafamento causado pelo caminhão de lixo, que estava realizando a coleta.

Segundo Renê, a motorista do caminhão permitiu que outros veículos passassem à sua frente, mas, em seguida, dirigiu-se ao seu carro. Ele disse à mulher que seu veículo “era largo” e que não conseguiria passar pelo espaço disponível.

A motorista do caminhão avistou a arma em suas pernas e gritou: “Ele está armado“. Após essa declaração, Renê afirmou que um dos garis presentes se aproximou e gritou que “ameaçar mulher é fácil, quero ver fazer isso com um homem“.

Em seguida, o empresário saiu do carro armado, e o gari comentou: “Com arma é fácil“. Renê, então, afirmou que desafiou o homem para “resolver na mão“, momento em que sua arma disparou.

No depoimento, Renê também admitiu que o gari com quem ele teve a discussão não era Laudemir. Ele negou a versão das testemunhas que afirmaram que o carregador da pistola teria caído e que ele o recolocou na arma.

Renê permanece preso preventivamente e enfrentará acusações de homicídio duplamente qualificado. A Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais abriu um procedimento administrativo para investigar se houve omissão ou prevaricação por parte da delegada. Até agora, ela não foi indiciada no caso, nem é suspeita de ter auxiliado o marido, e continua em seu cargo.

Relembre o caso

Renê admitiu que tirou a vida de Laudemir de Souza Fernandes após uma discussão no trânsito. Laudemir estava em horário de trabalho quando Renê passou pela rua onde ele e outros garis realizavam a coleta de lixo, conforme relato da PM.

Quando a motorista do caminhão de lixo foi atacada, Laudemir e os colegas se defenderam, mas Renê pegou a arma e atingiu a vítima na região torácica. Ele foi socorrido e levado ao Hospital Santa Rita, em Contagem, mas não resistiu.

O empresário deixou o local do crime e foi detido enquanto se exercitava em uma academia de alto padrão. A prisão ocorreu algumas horas após o crime, no bairro Estoril, uma área nobre da capital mineira.

O delegado afirmou que Renê seguiu sua rotina após o crime para não deixar evidências contra si. Evandro Radaelli, responsável pela investigação, comentou ao UOL News sobre as imagens de câmeras de segurança que mostraram o empresário no trabalho e em casa após o ocorrido.

O acusado alegou que pegou a arma da esposa para garantir sua segurança ao se deslocar para a empresa onde trabalhava, em Betim.

Em seu depoimento, onde confessou o crime, relatou que saiu de casa por volta das 08h05, pegou a pistola calibre .380 de Ana Paula e a colocou em sua mochila sem que a esposa notasse.

Renê afirmou que essa “foi a primeira vez” que utilizou a arma da esposa. No depoimento, justificou a ação dizendo que pegou a pistola “pelo fato de estar indo para local perigoso e que não conhecia muito bem as vias” até a sede da empresa, e que, por ser natural do Rio de Janeiro, estava “receoso” de andar desarmado.

À polícia, ele explicou que a arma seria para “proteção” pessoal, porque “estava muito tenso“.

Renê enfatizou que não imaginou que o tiro atingiria Laudemir e expressou arrependimento “por ter jogado fora a vida da vítima, dele [mesmo], atrapalhado a vida da esposa, do filho [que ele tem com outra mulher] e da família da vítima“.

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