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Policiais mulheres limparam apartamento onde PM foi baleada, diz testemunha

Um polêmico incidente envolve a morte de Gisele Alves Santana, soldado da Polícia Militar, em São Paulo, onde testemunhas alegam que três policiais mulheres limparam a cena do crime após o disparo fatal

Avatar De Jader MenezesJader MenezesNotícias10/03/2026 às 04:46

Gisele Alves Santana era soldado da Polícia Militar de São Paulo. Foto: Reprodução / Redes Sociais

Uma testemunha do condomínio onde a soldado da Polícia Militar, Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi baleada na cabeça, em São Paulo, afirmou em depoimento às autoridades que três policiais mulheres estiveram no apartamento onde o disparo ocorreu para limpar o imóvel horas após o ocorrido.

Testemunha afirmou à Polícia Civil que, na tarde do mesmo dia em que Gisele foi baleada e morreu, em 18 de fevereiro, viu três agentes mulheres da PM paulista chegarem ao condomínio para limpar o apartamento. A informação consta nos autos do processo, ao qual o portal UOL teve acesso.

As PMs chegaram ao prédio por volta das 17h48 daquele dia e teriam entrado no apartamento acompanhadas por uma funcionária do condomínio. As agentes foram identificadas pela testemunha como uma soldado e duas cabos.

O acionamento tardio das autoridades e a ausência de marcas de sangue nas roupas sugerem uma possível omissão de socorro do tenente-coronel Geraldo Leite à esposa. Geraldo teria ligado para a polícia às 7h57, cerca de 30 minutos após o disparo que matou a esposa.

Alô, tenente-coronel Neto, a minha esposa é policial feminina, ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma viatura aqui agora, falou em ligação à emergência da PM.

À polícia, a mãe da vítima afirmou que o relacionamento do casal era extremamente conturbado e que o tenente-coronel era uma pessoa abusiva e muito violenta. Ela afirmou que Geraldo proibia a esposa de usar batom, salto alto e perfume, além de cobrá-la rigorosamente para realizar várias tarefas domésticas.

Advogado de Geraldo alegou, no último dia 4, que o tenente-coronel não figura como “investigado, suspeito ou indiciado”.

Desde o início das apurações, tem colaborado com as autoridades competentes e permanece à disposição para o esclarecimento dos fatos, divulgou o escritório de Eugênio Malavasi em nota.

Não obstante, vêm sendo divulgadas informações e interpretações que alcançam aspectos de sua vida privada, muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados, ocasionando exposição indevida e repercussões que atingem sua honra e dignidade, acrescentou. Escritório Malavasi Sociedade de Advogados, em nota

Ligação tardia e ausência de sangue

Marido de Gisele também divergiu de testemunha sobre horário em que esposa foi baleada. Geraldo declarou à polícia que entrou no banheiro para tomar banho por volta das 7h e, cerca de um minuto depois, ouviu o barulho de tiro na casa.

Uma vizinha, no entanto, diz que o disparo foi feito às 7h28. No inquérito policial, ao qual a coluna teve acesso, a mulher falou ter acordado exatamente neste horário por ter ouvido um “estampido único e forte”. Ela diz ter certeza da hora por ter olhado imediatamente para o celular.

Na sequência, tenente-coronel fez mais duas chamadas, às 08h02 e às 8h08. As duas primeiras motos de resgate dos bombeiros chegaram entre 8h09 e 8h10, mas a vítima foi socorrida pelo helicóptero Águia da PM às 9h11.

Testemunhas acreditam que o oficial não prestou socorro imediato à esposa. Três agentes, um bombeiro e dois funcionários do condomínio que viram Geraldo durante a ocorrência alegam que ele não apresentava marcas de sangue pelo corpo e pelas roupas. Não há comprovação técnica, por enquanto, a respeito disso.

As pessoas que estiveram no local disseram que o tenente-coronel estava sem camisa e com as mãos “completamente limpas”. A polícia entende que os resquícios poderiam indicar que ele prestou os primeiros socorros na vítima, que tinha muito sangue em sua volta.

Ainda quando os policiais estavam na casa, Geraldo tomou um banho antes de ir ao hospital. Geraldo pediu a um capitão e tenente da PM, que se encontravam no local, para se banhar alegando que ficaria muito tempo longe de casa. O pedido foi negado inicialmente, mas, depois foi liberado, conforme boletim de ocorrência.

Relembre o caso

Gisele morreu no hospital no dia 18 de fevereiro. Após manobras de reanimação, a mulher foi socorrida em estado grave e levada ao Hospital das Clínicas, na região central da capital, onde sua morte foi constatada às 12h04. A vítima deixa uma filha de 7 anos, de um relacionamento anterior.

Em depoimento, Geraldo afirmou que ele e a mulher viviam em quartos separados e que, no dia dos fatos, se dirigiu ao quarto de Gisele por volta das 7h para dizer que queria se separar.

O homem afirmou ter dito que ainda a amava, mas entendia ser melhor se separar porque o relacionamento não estava funcionando. De acordo com ele, após a declaração, a esposa se levantou de forma “exaltada”, mandou ele sair do quarto e bateu a porta. Ele alega ter pegado a toalha para tomar banho em seguida.

A morte de Gisele foi registrada inicialmente como suicídio, mas passou a ser apurada como “morte suspeita” no dia 20 de fevereiro. O caso está tramitando sob sigilo, segundo o Tribunal de Justiça, por se tratar de um inquérito policial que apura suposto crime de feminicídio. Assim, outros detalhes não poderiam ser passados.

O corpo da PM foi exumado e investigadores aguardam resultado. Também foi solicitada perícia no local, bem como exame para identificar a presença de pólvora nas mãos de Gisele e Geraldo. Uma pistola Glock .40 da Polícia Militar de São Paulo, três celulares, dois carregadores, dois cartuchos e uma bermuda de Geraldo foram apreendidos.


Se você presenciar um episódio de violência contra a mulher ou for vítima de um deles, denuncie o quanto antes através do número 180, que está disponível todos os dias, em qualquer horário, seja através de ligação ou dos aplicativos WhatsApp e Telegram.

O mesmo número também atende denúncias sobre pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas em restrição de liberdade, comunidade LGBT e população em situação de rua. Além de denúncias de discriminação étnica ou racial e violência contra ciganos, quilombolas, indígenas e outras comunidades tradicionais.

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