A controvérsia entre a senadora Damares Alves e o pastor Silas Malafaia, provocada por alegações de fraude envolvendo igrejas no caso do INSS
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que a CPMI do INSS identificou indícios de participação de “grandes igrejas” em um esquema de descontos ilegais aplicados a aposentados.
A declaração gerou forte reação do pastor Silas Malafaia, que criticou a postura da parlamentar e a chamou de “linguaruda”.
Durante entrevista concedida ao SBT News, no último domingo, Damares afirmou que o possível envolvimento de lideranças religiosas no esquema causa incômodo e resistência à investigação.
Segundo ela, há pressão de comunidades religiosas para que determinados nomes não sejam expostos.
Quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: “não falem, não digam, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes”
A senadora avaliou que a situação “machuca muito”, mas reforçou que a comissão parlamentar tem o dever de seguir com as apurações.
Após a repercussão negativa da entrevista, Damares voltou a se manifestar e afirmou que as informações mencionadas são públicas e foram amplamente discutidas no âmbito da CPMI.
Em nota, ela reforçou que o possível envolvimento de entidades religiosas provoca “profundo desconforto e tristeza”.
A senadora também destacou que, apesar disso, a comissão precisa cumprir seu papel institucional.
“Ainda assim, a CPMI tem o dever constitucional de apurar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental”, afirmou.
Em resposta, Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, publicou um vídeo nas redes sociais cobrando que Damares apresente provas concretas e cite os nomes das igrejas supostamente envolvidas.
“Ou a senhora dá os nomes ou a senhora é uma leviana linguaruda”
O pastor afirmou que a liderança evangélica estaria “indignada” com o que classificou como uma postura “covarde e vergonhosa” da senadora.
Segundo ele, não se trata de proteger criminosos, mas de exigir responsabilidade nas acusações.
Em declaração ao UOL, Damares afirmou que apenas mencionou fatos levantados pela CPMI do INSS.
A senadora também encaminhou uma nota com dez situações apuradas pela comissão que envolvem evangélicos e instituições religiosas.
Entre os exemplos citados, está o caso de um pastor que é cunhado do dono do Banco Master, atualmente preso. Ele frequentava a Igreja da Lagoinha, uma das mais populares de Minas Gerais, e chegou a ser alvo de pedido de depoimento na CPMI, que acabou não sendo votado.
A polêmica reacendeu uma antiga tensão entre Malafaia e Damares. Desde a formação das alianças políticas para a eleição presidencial de 2022, o pastor vem fazendo críticas públicas à senadora.
Malafaia é um dos principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enquanto Damares mantém proximidade com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
A disputa, portanto, envolve figuras centrais do bolsonarismo e repercute entre lideranças, parlamentares e militantes.
Nos bastidores, a postura agressiva de Malafaia tem sido alvo de críticas. Pastores e deputados afirmam discordar do tom ofensivo adotado pelo líder religioso.
O comportamento foi especialmente questionado durante a eleição da presidência da Frente Parlamentar Evangélica, quando parlamentares demonstraram desconforto com suas atitudes.
Damares, por sua vez, enfrenta resistência dentro do próprio campo evangélico.
Setores mais conservadores a classificam como progressista e criticam posicionamentos como a menção a pessoas trans e a defesa de projetos para proibir perfis anônimos nas redes sociais, com o objetivo de proteger crianças e adolescentes.
A troca de acusações evidencia as divisões internas no meio evangélico e amplia o debate sobre transparência, responsabilidade e os limites do discurso público envolvendo religião e política.
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