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Malafaia chama Damares de “linguaruda” após citação de igrejas em fraude do INSS

A controvérsia entre a senadora Damares Alves e o pastor Silas Malafaia, provocada por alegações de fraude envolvendo igrejas no caso do INSS

Avatar De Ana CarolineAna CarolinePolítica15/01/2026 às 12:44

Malafaia Chama Damares De “Linguaruda” Após Citação De Igrejas Em Fraude Do Inss
Foto: Divulgação / Agência Brasil - Fabio Rodrigues-Pozzebom / Tânia Rêgo

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que a CPMI do INSS identificou indícios de participação de “grandes igrejas” em um esquema de descontos ilegais aplicados a aposentados.

A declaração gerou forte reação do pastor Silas Malafaia, que criticou a postura da parlamentar e a chamou de “linguaruda”.

Declaração sobre igrejas gera desconforto

Durante entrevista concedida ao SBT News, no último domingo, Damares afirmou que o possível envolvimento de lideranças religiosas no esquema causa incômodo e resistência à investigação.

Segundo ela, há pressão de comunidades religiosas para que determinados nomes não sejam expostos.

Quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: “não falem, não digam, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes”

A senadora avaliou que a situação “machuca muito”, mas reforçou que a comissão parlamentar tem o dever de seguir com as apurações.

Senadora afirma que dados são públicos

Após a repercussão negativa da entrevista, Damares voltou a se manifestar e afirmou que as informações mencionadas são públicas e foram amplamente discutidas no âmbito da CPMI.

Em nota, ela reforçou que o possível envolvimento de entidades religiosas provoca “profundo desconforto e tristeza”.

A senadora também destacou que, apesar disso, a comissão precisa cumprir seu papel institucional.

“Ainda assim, a CPMI tem o dever constitucional de apurar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental”, afirmou.

Malafaia exige nomes e provas

Em resposta, Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, publicou um vídeo nas redes sociais cobrando que Damares apresente provas concretas e cite os nomes das igrejas supostamente envolvidas.

“Ou a senhora dá os nomes ou a senhora é uma leviana linguaruda”

O pastor afirmou que a liderança evangélica estaria “indignada” com o que classificou como uma postura “covarde e vergonhosa” da senadora.

Segundo ele, não se trata de proteger criminosos, mas de exigir responsabilidade nas acusações.

Damares diz que apenas relatou apuração da cpmi

Em declaração ao UOL, Damares afirmou que apenas mencionou fatos levantados pela CPMI do INSS.

A senadora também encaminhou uma nota com dez situações apuradas pela comissão que envolvem evangélicos e instituições religiosas.

Entre os exemplos citados, está o caso de um pastor que é cunhado do dono do Banco Master, atualmente preso. Ele frequentava a Igreja da Lagoinha, uma das mais populares de Minas Gerais, e chegou a ser alvo de pedido de depoimento na CPMI, que acabou não sendo votado.

Troca de acusações expõe racha no meio evangélico

A polêmica reacendeu uma antiga tensão entre Malafaia e Damares. Desde a formação das alianças políticas para a eleição presidencial de 2022, o pastor vem fazendo críticas públicas à senadora.

Malafaia é um dos principais aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enquanto Damares mantém proximidade com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

A disputa, portanto, envolve figuras centrais do bolsonarismo e repercute entre lideranças, parlamentares e militantes.

Nos bastidores, a postura agressiva de Malafaia tem sido alvo de críticas. Pastores e deputados afirmam discordar do tom ofensivo adotado pelo líder religioso.

O comportamento foi especialmente questionado durante a eleição da presidência da Frente Parlamentar Evangélica, quando parlamentares demonstraram desconforto com suas atitudes.

Ala conservadora também critica damares

Damares, por sua vez, enfrenta resistência dentro do próprio campo evangélico.

Setores mais conservadores a classificam como progressista e criticam posicionamentos como a menção a pessoas trans e a defesa de projetos para proibir perfis anônimos nas redes sociais, com o objetivo de proteger crianças e adolescentes.

A troca de acusações evidencia as divisões internas no meio evangélico e amplia o debate sobre transparência, responsabilidade e os limites do discurso público envolvendo religião e política.

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