As pessoas feridas sentem medo do afeto

Existem pessoas que têm muita dificuldade em receber amor, afeto e cuidados. Isso é real, pode acreditar. Inclusive, muitas delas são especialistas em se dedicar ao outro, aliás, elas fazem disso a sua religião.

Há pessoas que não se sentem confortáveis quando são abraçadas, tocadas, afagadas, elas não se sentem merecedoras do cuidado do outro.

Arrisco-me em dizer que são pessoas muito  machucadas e carentes afetivamente ao ponto  de  perceberem  o carinho e a entrega do outro como uma ameaça. Eu faço uma comparação ao comportamento de alguns animais, o cachorro por exemplo: quando muito maltratado, ele fica agressivo ao ser acariciado, ele se sente ameaçado.

Esse comportamento é comum nos mais variados contextos: nas amizades, relacionamentos amorosos, familiares e sociais. Eu conheço uma senhora que é extremamente dedicada a cuidar dos outros, e ela faz isso com o melhor dela. Ela cuida dos vizinhos quando adoecem, dos familiares e até de estranhos, se for o caso. Ela ama cozinhar para todos, sua cozinha está sempre cheirando a delícias feitas com muito carinho. Contudo, ela possui uma extrema dificuldade em ser agradada, o abraço dela é  tenso e desconcertado.

Eu a amo demais, então, um dia eu me ofereci para fazer uma massagem nos pés dela, com a desculpa de que queria uma opinião sobre um creme que tinha comprado.

Ela permitiu com muita resistência! Os pés dela estavam muito tensos e enrijecidos, mas, no terceiro dia, ela já estava relaxada e com um semblante que expressava gratidão, ela estava gostando de ser tocada.

Deduzi então que a resistência dela ao toque físico tem a ver com a falta de costume. Um dia desses, ela fez contato comigo, disse que sente muito a minha falta, e que nunca vai me esquecer, ela é minha ex sogra, eu a amo muito e ainda pretendo viajar só para dar um abraço nela e enchê-la de carinho. Eu deixei minhas digitais naquela vida e carrego as dela comigo, sou muito grata por isso.

Nos relacionamentos amorosos, isso acontece também. Há quem não se sinta confortável o suficiente dentro do abraço do(a) parceiro(a), eu já ouvi muitos relatos sobre isso. Ele(a) é arredio(a) ao contato corporal, o que geralmente acarreta  grandes frustrações a um parceiro amoroso e que percebe no toque físico a manifestação do amor que necessita. Quem valoriza o toque físico e não percebe reciprocidade no parceiro tende a sentir-se rejeitado e isso pode gerar uma grande ferida emocional ao longo do tempo, por isso é necessário que o casal busque ajuda para que a relação não se torne uma fonte de adoecimento.

Existem pessoas que se esmeram em cuidar do outro, elas estão sempre atentas às necessidades das pessoas que a cercam, mas não se percebem como seres que também precisam e merecem aquilo que elas ofertam.

E, no geral, são pessoas extremamente críticas consigo mesmas, elas estão sempre se sentindo em dívida com o outro, colocando-se em último plano na lista de prioridades. Lamentavelmente, nem todas são valorizadas e reconhecidas pelo que fazem em prol dos outros.

Posso lhe pedir uma coisa? Aproveite esse clima de Natal e olhe com o coração para as pessoas da sua família. Sabe aquela tia esquisitona? Pois é, diga algo que a alegre, diga que se lembra de quando ela te deu aquele pirulito na infância, sei lá, mas faça com que ela se sinta enxergada ao menos por algum instante. Abrace a sua avó, mesmo que ela pareça durona, pode ter certeza de que ela vai se emocionar, toque os cabelos brancos dela, dê afeto embrulhado com um lencinho florido.

Aí na sua casa, na sua família existem muitas pessoas precisando do seu toque, do seu olhar, faça algo por essa causa, no final, você vai se sentir o maior presenteado de todos.


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