Amiga de Malévola revela o que viveu em prisão no Egito: “Não deram comida, nem água”
Bruna Mercatelli detalha terror vivido ao lado de Malévola Alves durante prisão no Egito

Amiga de Malévola Alves, Bruna Mercatelli descreveu a tensão que enfrentou enquanto esteve presa no Egito. Nas gravações compartilhadas nas redes sociais na quinta-feira (22), a brasileira contou ter ficado horas sem alimentação e água, sentido medo da ação policial e seguido em um camburão fechado até conseguir sair do país.
“Eu estou bem agora, mas o que a gente passou foi horrível. Trataram a gente como se fôssemos criminosas”, afirmou Bruna, já em um hotel, durante uma escala do retorno ao Brasil.
De acordo com Bruna, o episódio teve início em uma catacumba de Alexandria, onde registrou uma dança em vídeo. Um funcionário teria solicitado a exclusão das imagens por considerar aquele conteúdo proibido no espaço. Ela relatou ter obedecido à orientação, mas disse que outra mulher a abordou novamente para perguntar sobre o material que havia gravado.
Bruna explicou que também tirara fotos e resistiu, num primeiro momento, a excluí-las. Posteriormente, segundo seu relato, um policial encarregado do espaço a levou para uma sala, pediu acesso ao telefone e determinou que apagasse todo o conteúdo das catacumbas.
Ela declarou ter eliminado os registros, permitido que fotografassem seu passaporte e assinado um termo com o compromisso de não divulgar aquele conteúdo. Quando os participantes do passeio já se organizavam para ir embora, policiais cercaram a van em que estavam.
Depois disso, as brasileiras seguiram para uma delegacia e permaneceram ali horas. Bruna afirmou que os policiais apreenderam seu telefone e o de Malévola, aparelhos que ainda não haviam sido devolvidos quando divulgou os vídeos.
Ao ser interrogada, ela disse ter respondido a perguntas sobre identidade de gênero, ocupação profissional e condições financeiras. Depois, ambas tiveram as impressões digitais coletadas e assinaram documentos.
Malévola Alves
1 / 28Bruna descreve privação de comida e água
Conforme a versão de Bruna, as duas receberam a orientação de pagar fiança antes de serem encaminhadas a uma penitenciária. A brasileira relatou ter atravessado a madrugada naquele espaço, passando parte da detenção sem que lhe oferecessem comida ou água.
Ela mencionou ainda obstáculos para utilizar o banheiro. Segundo contou, frutas só foram entregues pelas autoridades depois que as duas choraram e protestaram contra as condições enfrentadas.
“Eu não consegui fazer xixi no banheiro, não deram comida para gente, não deram água. Quando eu pedi para ir ao banheiro, o policial, um tirão, me levou lá dentro, perto das celas das presas, sabe? Me levou num banheiro podre, não aceitei ir”, contou.
Mesmo ultrapassado o horário anunciado para a soltura, a espera teria prosseguido. Segundo Bruna, elas conseguia obter esclarecimentos sobre o momento em que seria autorizada a sair.
O deslocamento ao aeroporto, conforme descreveu, aconteceu em um camburão sem ventilação e fechado. A viagem teria durado de três a quatro horas. Já no terminal, elas continuaram esperando em uma sala especial até a partida do avião.
Sobre os telefones, Bruna declarou ter sido informada de que estariam na embaixada brasileira. Entretanto, ressaltou que não tinha confirmação de que os equipamentos haviam sido entregues.
O que motivou a detenção das brasileiras no Egito
As autoridades do Egito detiveram Malévola Alves e Bruna Mercatelli na terça-feira (20), depois da produção de vídeos para as redes sociais durante a viagem. As informações divulgadas atribuíram às brasileiras acusações de atos obscenos em público, desrespeito aos valores familiares e assédio a transeuntes.
A liberação ocorreu na quarta-feira (21), mediante fiança cujo valor foi divulgado como sendo de aproximadamente R$ 10 mil.
Jonatha Carvalho Matos, responsável pela defesa de Malévola, declarou ao Metrópoles que ela e as brasileiras integrantes do grupo tinham retorno previsto para a noite de quinta-feira (22). O desembarque estava programado para aproximadamente 22h30.
De acordo com as informações divulgadas sobre as normas egípcias, o assédio a transeuntes pode ser punido com prisão de dois a quatro anos, multa entre 100 mil e 200 mil libras egípcias ou as duas medidas. O advogado explicou que cabe ao juiz escolher entre a detenção, a penalidade financeira e a combinação de ambas.































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