O que é orí? Entenda por que Anitta quis ser coroada por Eloína dos Leopardos, e não por Virginia
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O que é orí? Entenda por que Anitta quis ser coroada por Eloína dos Leopardos, e não por Virginia

Anitta quis ser coroada por Eloína dos Leopardos, e não por Virginia, por uma questão ligada ao significado de orí e ao simbolismo do ritual

Avatar De Ana CarolineAna CarolineFamosos22/09/2026 às 12:38

O Que É Orí? Entenda Por Que Anitta Quis Ser Coroada Por Eloína Dos Leopardos, E Não Por Virginia
Foto: Reprodução / Instagram - @anitta

A coroação de Anitta como rainha de bateria da Grande Rio ganhou um significado que foi além da tradicional troca de faixa e coroa. Durante a cerimônia realizada na quadra da escola, em Duque de Caxias, a cantora recebeu o símbolo do posto das mãos de Eloína dos Leopardos, figura histórica do Carnaval carioca, em vez de fazer a passagem tradicional com Virginia Fonseca, sua antecessora.

A escolha chamou atenção e despertou dúvidas nas redes sociais. Eloína é considerada uma pioneira entre as rainhas de bateria do Carnaval brasileiro e ocupou o posto na Beija-Flor de Nilópolis em 1976, há cerca de 50 anos. Dessa forma, sua participação também acrescentou à cerimônia um forte simbolismo ligado à história do samba e do próprio cargo que Anitta passa a ocupar.

Além desse aspecto histórico, a decisão foi relacionada publicamente à espiritualidade da cantora. Anitta é adepta do candomblé e já demonstrou em diferentes momentos de sua carreira a importância das religiões de matriz africana em sua vida. Nesse contexto, um dos conceitos que ajudam a compreender os cuidados envolvendo a cabeça é o orí.

O que é orí?

A palavra orí, de origem iorubá, significa literalmente “cabeça”, mas seu sentido religioso e filosófico é muito mais amplo. Na tradição iorubá e em vertentes do candomblé, o conceito está relacionado à identidade individual, à consciência, à personalidade e ao destino de cada pessoa.

Estudos sobre a tradição iorubá descrevem o orí como um elemento fundamental na concepção de pessoa. Não se trata apenas da cabeça física, mas também de uma dimensão interior e espiritual, frequentemente chamada de orí inú, ou “cabeça interior”. É a partir dela que são desenvolvidas ideias relacionadas às escolhas, ao caminho pessoal e à realização do destino.

Por essa razão, a cabeça ocupa um lugar de grande importância simbólica e religiosa. Em diferentes tradições e casas de candomblé, existem ritos específicos destinados ao cuidado e fortalecimento do orí, entre eles o borí, palavra que pode ser compreendida como um ritual de alimentação ou fortalecimento da cabeça.

O objetivo dessas práticas está relacionado ao equilíbrio espiritual do indivíduo e à harmonização de seu caminho. Os significados, procedimentos e regras, entretanto, podem variar de acordo com a nação do candomblé, a casa religiosa e a orientação de cada liderança espiritual.

O que é orí? Entenda por que Anitta quis ser coroada por Eloína dos Leopardos, e não por Virginia

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Anitta No Candomblé — Foto: Reprodução/ Instagram E Facebook
Anitta No Candomblé — Foto: Reprodução/ Instagram E Facebook
Anitta No Candomblé — Foto: Reprodução/ Instagram E Facebook
Anitta No Candomblé — Foto: Reprodução/ Instagram E Facebook
Anitta No Candomblé — Foto: Reprodução/ Instagram E Facebook
Anitta No Candomblé — Foto: Reprodução/ Instagram E Facebook
Anitta No Candomblé — Foto: Reprodução/ Instagram E Facebook
Anitta No Candomblé — Foto: Reprodução/ Instagram E Facebook
Anitta No Candomblé — Foto: Reprodução/ Instagram E Facebook
Anitta No Candomblé — Foto: Reprodução/ Instagram E Facebook
Anitta No Candomblé — Foto: Reprodução/ Instagram E Facebook
Anitta No Candomblé — Foto: Reprodução/ Instagram E Facebook
Anitta Mostra Momentos No Candomblé — Foto: Reprodução/Instagram
Anitta Lança “Equilibrivm Ii” — Foto: André Nicolau/Divulgação
Anitta Lança “Equilibrivm Ii” — Foto: André Nicolau/Divulgação
Anitta Lança “Equilibrivm Ii” — Foto: André Nicolau/Divulgação
Anitta Lança “Equilibrivm Ii” — Foto: André Nicolau/Divulgação
Anitta Lança “Equilibrivm Ii” — Foto: André Nicolau/Divulgação
Anitta Lança “Equilibrivm Ii” — Foto: André Nicolau/Divulgação
Anitta Lança “Equilibrivm Ii” — Foto: André Nicolau/Divulgação
Anitta Lança “Equilibrivm Ii” — Foto: André Nicolau/Divulgação
Anitta Lança “Equilibrivm Ii” — Foto: André Nicolau/Divulgação
Anitta Lança “Equilibrivm Ii” — Foto: André Nicolau/Divulgação
Anitta Lança “Equilibrivm Ii” — Foto: André Nicolau/Divulgação

Por que existe cuidado especial com a cabeça?

Dentro dessa visão religiosa, a cabeça não é considerada apenas uma região qualquer do corpo. Por estar associada ao orí, ela recebe cuidados especiais e pode estar sujeita a determinadas restrições, principalmente em contextos ritualísticos.

Em algumas tradições de matriz africana, evita-se que qualquer pessoa toque a cabeça de um iniciado ou praticante sem necessidade ou autorização. O cuidado está relacionado ao respeito pela dimensão espiritual representada pelo orí e pelas particularidades do caminho religioso de cada indivíduo.

Por isso, atos aparentemente simples fora do contexto religioso — como colocar um objeto sobre a cabeça, tocar o topo da cabeça ou realizar determinados gestos cerimoniais — podem assumir um significado completamente diferente dentro de uma tradição espiritual.

É importante destacar que não existe uma única regra aplicada de maneira idêntica a todas as pessoas que seguem o candomblé ou outras religiões de matriz africana. Cada terreiro possui fundamentos, hierarquias e orientações próprias, e determinadas restrições podem depender da iniciação, da tradição seguida e das instruções recebidas pela pessoa.

Orí também está relacionado ao destino

A importância do conceito vai além da proteção da cabeça. Na filosofia religiosa iorubá, o orí está profundamente associado ao destino individual.

De maneira simplificada, a ideia é que cada pessoa possui um caminho próprio, e seu orí participa dessa trajetória. Por isso, cuidar dele simbolicamente significa também buscar equilíbrio para as decisões, escolhas e acontecimentos que fazem parte da vida.

Pesquisas acadêmicas sobre o tema descrevem o orí como portador de elementos ligados à personalidade e ao destino. Essa concepção ajuda a explicar por que rituais dedicados à cabeça possuem tanta relevância dentro de diferentes vertentes do candomblé.

Assim, quando praticantes falam em “cuidar do orí”, a expressão não precisa ser compreendida apenas como uma proteção física. Ela envolve também a manutenção do equilíbrio espiritual, da consciência e do caminho individual.

O toque no orí e as tradições religiosas

Algumas interpretações religiosas entendem que o contato com a cabeça exige cuidado justamente por sua importância espiritual. Há casas em que determinados toques são reservados a pessoas autorizadas ou ligadas à trajetória religiosa do praticante.

Também existem crenças, dentro de algumas vertentes, de que a interação com outras pessoas pode envolver trocas energéticas. Nesse entendimento, sentimentos, estados emocionais e desequilíbrios poderiam influenciar o indivíduo, razão pela qual determinados gestos são realizados somente dentro de condições ritualísticas específicas.

Essas interpretações, porém, não devem ser tratadas como uma regra única do candomblé, da umbanda ou de todas as religiões de matriz africana. Embora compartilhem referências culturais e religiosas, essas tradições possuem diferenças importantes entre si.

Quem é Eloína dos Leopardos?

O Que É Orí? Entenda Por Que Anitta Quis Ser Coroada Por Eloína Dos Leopardos, E Não Por Virginia

Direitos autorais: Reprodução / Instagram – @eloinadosleopardos

A presença de Eloína dos Leopardos tornou a cerimônia ainda mais simbólica. Ela é apontada como uma das grandes pioneiras do posto de rainha de bateria no Carnaval carioca.

Eloína ocupou o posto na Beija-Flor de Nilópolis em 1976. Sua trajetória atravessa décadas do Carnaval e da vida cultural do Rio de Janeiro, fazendo dela uma personagem histórica das escolas de samba.

Atriz, coreógrafa, dançarina e produtora, Eloína construiu sua carreira em um período no qual pessoas trans e travestis enfrentavam ainda mais barreiras para conquistar espaços de destaque. Sua presença à frente de uma bateria na década de 1970 tornou-se um marco dentro da festa.

Ao escolhê-la para realizar a coroação, Anitta reuniu no mesmo momento referências à ancestralidade, à história do Carnaval e à própria espiritualidade. A cerimônia, portanto, ganhou um significado que ultrapassou uma simples troca de rainhas.

Virginia Fonseca havia ocupado anteriormente o posto de rainha de bateria da Grande Rio, enquanto Anitta assumiu oficialmente a função para o Carnaval de 2027. A escolha de Eloína para colocar a coroa sobre a cantora transformou o gesto em um dos momentos mais comentados da cerimônia e reacendeu o interesse do público sobre o significado de orí e sua importância nas tradições de matriz africana.

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