Rafael Cardoso relembra sua fase de descontrole emocional e busca por recuperação

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Rafael Cardoso falou publicamente sobre sua luta contra a dependência química após 45 dias de internação voluntária, destacando a importância da honestidade na recuperação. Ele relatou recaídas, impacto na autoestima e pediu desculpas à ex-mulher e família pelo sofrimento causado.
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O ator Rafael Cardoso falou publicamente pela primeira vez sobre sua luta contra a dependência de álcool e drogas após deixar uma clínica de reabilitação. Em entrevista ao Domingo Espetacular, o artista de 40 anos relembrou as recaídas enfrentadas nos últimos anos e a exposição de seu vício.
Cardoso permaneceu durante 45 dias em uma internação voluntária, período em que ficou afastado dos filhos, dos familiares e de sua rotina habitual. Em conversa com o jornalista Roberto Cabrini, exibida no domingo (2), ele explicou a diferença entre suas experiências anteriores e o atual tratamento.
“Primeira vez na minha vida eu realmente entrei em recuperação. Antes eu só fiquei sóbrio. Hoje eu estou em recuperação”, contou ele.
Rafael também explicou como percebeu que havia chegado a uma situação extrema e decidiu conversar com os familiares sobre a necessidade de receber ajuda profissional.
“Descontrole emocional, uso de droga, bebida… Quando eu estava sozinho, aí os pensamentos estavam ficando obscuros. Planejei tudo realmente. Eu falei: ‘cara, chega, não quero mais'”, revelou.
Ao falar sobre as consequências da dependência, o artista descreveu como o vício afetou sua autoestima, sua identidade e a maneira como passou a enxergar a própria imagem.
“É você perder tudo, a dignidade, perder a sua consciência de quem você é. Porque quando eu me olhava no espelho, enxergava um monstro. Eu olhava no espelho e eu não me reconhecia: ‘De novo nesse lugar?'”, disse ele.
Durante a entrevista, Rafael afirmou estar orgulhoso do caminho que começou a percorrer. Segundo o ator, a honestidade consigo mesmo tornou-se a base de sua recuperação.
“Eu, hoje, tô orgulhoso de mim. Orgulhoso porque o pilar da minha recuperação é a honestidade. Se eu for desonesto comigo, acabou. Achei que eu ia morrer sozinho, que eu ia perder o respeito dos meus filhos, eu ia perder o respeito de todo mundo. Eu já tinha perdido o respeito por mim mesmo”, desabafou.
Rafael e a ex-mulher, Mari Bridi, enfrentaram disputas judiciais depois do término do casamento, que durou 15 anos. O processo de separação envolveu medidas protetivas e questões relacionadas à convivência com os filhos Aurora e Valentim.
Na entrevista, o ator contou que pediu desculpas à ex-esposa e enviou uma mensagem para ela no Dia das Mães. Ele afirmou ainda que também se desculpou com a ex-sogra, a jornalista Sônia Bridi, e relacionou parte dos problemas enfrentados no casamento à dependência.
“Agradeço muito, do fundo da minha alma, por tudo que elas tentaram fazer por mim e eu não consegui enxergar. Elas me sugeriram algumas vezes que eu me internasse. E eu tenho muito carinho, muito amor por elas”, declarou.
A decisão de procurar tratamento aconteceu depois de uma recaída registrada poucos dias antes da internação. Rafael participou de um evento beneficente de divulgação do filme espírita Sexo e Destino (2026), em Volta Redonda, no Rio de Janeiro, mas seu comportamento chamou atenção.
De acordo com relatos divulgados na ocasião, ele teria chegado ao evento aparentemente alcoolizado. Por causa de seu estado, o ator não conseguiu cumprir a programação prevista, e a palestra que apresentaria acabou cancelada.
Em julho, Rafael Cardoso publicou uma carta nas redes sociais na qual refletiu sobre o tratamento. No texto, ele reconheceu que havia perdido o controle da própria vida e começou a compreender as consequências de suas atitudes.
“Está tudo mais claro. A consciência do que eu estava fazendo da minha vida às vezes aperta forte, porém é necessária. Havia perdido o controle da minha vida. Só quem não via era eu mesmo”, escreveu.
Na mesma publicação, o ator afirmou que demorou para entender a gravidade do transtorno e descreveu a dependência química como uma doença que exige acompanhamento e recuperação contínuos.
“Estou grato mesmo assim, por cada pedra no caminho, por mais duras e humilhantes que tenham sido estas experiências. Somente assim consegui entender a gravidade do meu transtorno. Sou um adicto, portador do transtorno por uso de substâncias, que é incurável e mata humilhando”, declarou.
Ao finalizar a carta, Rafael agradeceu o apoio recebido durante o tratamento e citou familiares, amigos e profissionais envolvidos em seu processo de recuperação.
“Agradeço o carinho de cada um que está vibrando positivamente por minha recuperação, especialmente à minha família: meu pai, Carol, minhas tias e primos, bem como todos que sei que estão nesta corrente familiar”, escreveu.
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