O Segredo

Luciano Huck revela que teve dificuldade de “aceitar” a homossexualidade do irmão: “Perdi o chão”

Em seu livro “De porta em porta”, o apresentador explica o “choque” que sentiu aos 28 anos, quando seu irmão contou sobre sua sexualidade.



A orientação sexual é um tema que provoca inúmeros debates, mas também a violência e a morte de milhões de indivíduos homossexuais no mundo. De acordo com o relatório da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Instersexuais (ILGA), o Brasil é o país onde mais matam pessoas trans e a nação americana onde mais matam homossexuais.

Segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), uma pessoa LGBTQI+ é morta a cada 19 horas no país, sendo que a cada 26 horas uma pessoa trans é assassinada, assim como levantado pela Rede Trans Brasil. A realidade das pessoas que não entram no espectro heterossexual de normatividade tende a ser permeada pela violência, invisibilidade e abandonos.

O apresentador Luciano Huck relatou um pouco sobre as dificuldades enfrentadas, em 1999, quando seu irmão Fernando Grostein lhe contou sobre sua sexualidade. O fundador do “Quebrando o tabu” e cineasta, de 40 anos, escolheu o irmão para ser a primeira pessoa da família a saber que ele é homossexual.


O relato está no recém-lançado “De porta em porta”, livro que Huck escreveu durante o isolamento social neste tempo de pandemia, e reúne memórias pessoais, aprendizados e conversas com personalidades de diversas áreas.

De acordo com o resumo da obra, o apresentador se viu isolado dentro de casa, em 2020, quando começou a refletir sobre os impactos da pandemia, e decidiu iniciar uma série de conversas com pessoas famosas e anônimas, mostrando o que cada um tem a oferecer ao mundo onde vive.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@grosteinandrade.

Luciano explica que Fernando chegou e simplesmente lhe disse: “Eu sou gay”. O cineasta tinha 20 anos e explicou que a sua sexualidade não era uma questão de escolha, era a forma como tinha nascido e como era, não havia o que pudesse ser feito. O apresentador, que dedicou um capítulo inteiro ao assunto, disse que concordou no primeiro momento, mas que sentiu um “choque”.


Ainda em seu livro, Luciano Huck explica que esse choque tinha mais a ver com a “forma obtusa, estúpida e quase desumana” de como o mundo dita as normas comportamentais. Ele explicita que queria apenas que seu único irmão não precisasse sofrer nenhum tipo de preconceito e tivesse as portas sempre abertas, mas que não é assim que as coisas funcionam.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@grosteinandrade.

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O relato marca, de forma emocionante, o momento em que Huck percebe que carregava muito preconceito dentro de si e que ele não era tão próximo nem tão parecido com seu irmão como imaginava. De acordo com ele, tudo isso porque foi “submetido a uma espécie de pós-graduação machista”, que o tornou incapaz de enxergar os preconceitos na forma de pensar, dizer e fazer, e que hoje reconhece que antes disso tinha medo de enfrentar os próprios preconceitos.


Fernando também narra no livro como o irmão “perdeu o chão” quando ele lhe contou sobre sua sexualidade, mas que seu instinto imediato foi de acolhimento e proteção. Luciano lhe ofereceu a mão e depois um abraço, dizendo que eles estavam juntos, justamente num momento em que o cineasta estava em busca de aceitação social.

De maneira arrependida, Luciano explica que, desde a infância, achava que tinha obrigação de repetir frases e reproduzir comportamentos que reforçassem a “virilidade” tão estimulada socialmente, mas que hoje percebe que esses comportamentos apenas colaboraram para que uma geração inteira de homens se tornassem traumatizados e, no mínimo, sexualmente confusos.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@grosteinandrade.

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Mesmo assim, foi preciso ainda muitos encontros em que os dois tivessem que “revisitar as dores e emoções” a respeito do assunto, com discussões, conversas e muito aprendizado. Por fim, o apresentador revela que sua vida pessoal está muito longe de ser um “comercial de margarina”, mas que expõe sua intimidade familiar no livro justamente por acreditar que sua história pode, de alguma forma, colaborar para que o mundo melhore.

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