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Não guarde o amor para depois!

Não guarde o amor pra depois!



Não queira escolher o momento propício, a hora sensata. Não racionalize, e divida em pequenas porções e distribua pelos dias esse amor tão recortado e diluído como homeopatia. Placebo não aquieta minha fome, minha ânsia. Há um vazio mais baixo que o buraco do estômago e ele quer devorar antes de ser decifrado.

Comamos para queimar a boca, enquanto ferve, enquanto está cru e sangra e pulsa e dá pra sentir o gosto espesso de vida. Sejamos ao mesmo tempo presa e predador um do outro até que nossas dilaceradas peles caiam felizes num sono profundo, sono de fadiga, não de tédio.

Não deixe o amor pra depois

Que quanto mais se requenta, mais outra gororoba vira e é melhor ter um jantar de rico do que muitos de pobre. Mais vale uma noite profunda do que quinhentas rasas. Nos deleitemos hoje, amanhã cultivamos memórias que podem se tornar sementes de outros amores amplos. E, de toda forma, eu prefiro morrer de fome amanhã e viver de vida hoje.


Não guarde o amor pra depois.

Te digo, ele passa da data de validade! Pode ser que expire, que azede, que seja roubado por outros olhos famintos.


Não guarde por medo ou por cuidado.

Amor assim é para ser deleitado até o lamber dos dedos.

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Por: Clara Baccarin – Via: clarabaccarin.com

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