Necessidade Versus Desejo: você sabe a diferença?

Uma das maiores fontes de sofrimento é a confusão entre necessidades não atendidas e desejos não realizados.

Necessidades referem-se a aspectos essenciais à condição humana, a exemplo da alimentação, vestimenta e abrigo.

Com o passar dos séculos e a maior complexidade da sociedade, as necessidades evoluem. Luz elétrica, saneamento e até mesmo o acesso a internet são consideradas hoje necessidades.

Existem vários fatores que influenciam essas mudanças. Uma delas é a tecnologia. O avanço tecnológico muda hábitos e valores.

Antigamente, para conservar alimentos, utilizava-se banha, salmoura, desidratação de alimentos entre outras técnicas. O surgimento das geladeiras domésticas veio de encontro a necessidade de conservar alimentos poupando tempo e esforço.

A relação entre bens de consumo e necessidades robusteceu a crença de que “ter” é uma necessidade.

Não ter o smartphone de última geração ou o sapato “sensação” pode ser causa de profunda insatisfação. Em termos racionais, é plenamente possível viver bem sem ter um smartphone. É possível se sentir digno e protegido com um calçado não tão novo, bonito ou “na moda”. Entretanto, a consciência nem sempre aplaca a sensação de vazio ou falta.

Os desejos são manifestações da vontade. O carro novo, a casa dos sonhos, o batom perfeito. Tudo isso é desejo. Posso controlar meus desejos. Posso postergar meus desejos. Posso evoluir com meus desejos. Mas não posso privar o corpo do que é necessário.

Os desejos possuem um forte componente emocional. Justamente por isso, um desejo não realizado pode causar frustração. Mas somente quando confundimos necessidade com desejo ficamos infelizes e até doentes.

O entendimento de que necessidade não tem relação com bens nem pessoas pode ser libertador.

Nem sempre os desejos refletem a nós mesmos. Na maioria das vezes, eles são projeções dos outros. Vem da propaganda, das redes sociais, da família, das pessoas com as quais convivemos.

As projeções, na essência, são inspirações. A pessoa que recebe a projeção sente-se “inspirada” a fazer igual ou seguir o exemplo. O problema é quando a projeção é seguida por pulsão, sem nenhuma conexão emocional. De repente, você que se sentia tão bem com o corpo começa uma dieta porque sua melhor amiga está buscando emagrecer.

Desejos tem a ver com o ter. Necessidades tem a ver com você!

Se você sente fome, você deve comer. Se você sente frio, deve agasalhar-se. Isso é necessidade.

Quando uma necessidade não é satisfeita, a unidade responde. O corpo grita, a mente falha, o coração sofre e o espírito desequilibra. Uma necessidade desprovida abala a estrutura e um desejo confundido com necessidade pode causar a mesma sensação.

O desejo leva a algo além do que é essencial e eventualmente de nós mesmos. Desejo tem a ver com prazer. Embora algumas tradições espirituais recomendem a anulação de todo o desejo, ele cumpre uma função importante. Sem desejo não há iluminação, pois, toda existência foi projetada para o prazer.

O corpo é um centro sensorial. A dimensão de conexão com a Terra. O desejo vem do corpo para trazer equilíbrio para a vida. Tomar um sorvete depois de uma semana de dieta rigorosa, entregar-se ao ócio após uma longa jornada de trabalho, tomar um chope com os amigos… Isso é equilibrar-se!

Atender uma necessidade traz alívio. Satisfazer um desejo dá prazer. Equilibrar-se, como ensinou o Mestre Osho, é um processo dinâmico.

Ninguém está em equilíbrio, mas, “se equilibrando”. Você fica o tempo todo pendendo entre dois extremos, pois, esse é o único jeito de ficar “no meio”.

O desejo proporciona prazer e sentir prazer pela vida é a única maneira de manter sua unidade. O problema é quando o desejo vira necessidade.

Desejo nasce para ser comandado, não para ser comandante. Para dar mais cor à vida e não para ser fonte de sofrimento. Ele nunca deve ser confundido com necessidade. Do contrário, escraviza. Quando aprendemos a desejar não só para nós mesmos, o desejo vira um caminho para a liberdade.

“Quando sua mente, quando o seu coração, quando o seu ser estiver sendo puxado em duas direções diferentes ao mesmo tempo, você está criando o inferno. E, quando você é total, é uno, uma unidade orgânica… nessa própria unidade orgânica, as flores celestiais começaram a desabrochar em você.” Osho – “O Livro de Sua Vida”



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