Fabiano Zettel, preso há 7 meses, sinaliza romper silêncio sobre o caso Master após tentativa frustrada de delação

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Fabiano Zettel, detido há sete meses, tem manifestado a intenção de colaborar no caso Master com informações relevantes, mas não há confirmação de que um acordo de colaboração premiada esteja sendo negociado atualmente.
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Detido há sete meses, Fabiano Zettel — cunhado de Daniel Vorcaro e apontado como operador financeiro do ex-banqueiro — tem dito a pessoas próximas que não quer mais manter silêncio sobre o caso Master. De acordo com a Folha de S.Paulo, ele alega dispor de informações relevantes para revelar, incluindo dados que envolveriam autoridades.
Esse movimento surge meses após uma tentativa de colaboração premiada que não prosperou. Em abril, Zettel buscou fechar um acordo, período em que Vorcaro também articulava sua própria proposta de delação, mas as tratativas emperraram diante da resistência da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Zettel está preso desde março, quando se entregou à Polícia Federal (PF) após ter a prisão decretada no inquérito que investiga fraudes ligadas ao Banco Master.
Segundo mensagens reunidas pelos investigadores, ele teria atuado em pagamentos e fundos vinculados ao grupo comandado por Vorcaro, o que reforça sua relevância na apuração do caso que também atraiu atenção de instituições como o Banco Central e o Supremo Tribunal Federal.
Segundo informações da Folha de S.Paulo, Fabiano Zettel mudou de equipe de defesa em março deste ano e, a partir daí, passou a buscar oficialmente um acordo de colaboração premiada com as autoridades.
O advogado Celso Vilardi assumiu o caso e chegou a discutir o tema diretamente com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por relatar as investigações ligadas ao Banco Master.
A ideia era apresentar a proposta de delação de Zettel paralelamente à que já estava em curso para Daniel Vorcaro, seu cunhado. Dessa forma, Zettel poderia corroborar dados fornecidos por Vorcaro e ainda acrescentar informações exclusivas, de seu próprio conhecimento, sobre o caso.
Já as tratativas envolvendo Vorcaro tiveram progresso maior. Em maio, a defesa dele protocolou junto à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República uma proposta que abordava encontros, deslocamentos e vínculos com agentes públicos.
Novas versões vieram depois, mas uma delas foi rejeitada pela Polícia Federal, que considerou o material insuficiente em novidades. Outra tentativa de acordo também foi recusada pela PGR e comunicada ao STF, já que faltavam elementos inéditos e compromisso real com a devolução de valores.
Desde que foi preso, Zettel voltou a ter o nome mencionado em diferentes frentes da apuração. De acordo com mensagens obtidas pela Polícia Federal, ele teria atuado em pagamentos ligados a pessoas com vínculos ao Banco Central.
Também é citado em conexão com fundos usados em negócios sob investigação da corporação, entre eles o fundo Arleen, que adquiriu participação no resort Tayayá, no Paraná. Essa operação passou a ser analisada por envolver empresas associadas à família do ministro Dias Toffoli, e mensagens encontradas no celular de Vorcaro trazem conversas com Zettel sobre transferências relacionadas a esse fundo.
Mais recentemente, segundo reportagem do iG, Zettel afirmou, em gravações recuperadas pela PF, que Vorcaro teria mantido R$ 20 bilhões no exterior. Essas gravações são anteriores ao atual indício de que ele pretende deixar de ficar em silêncio durante a investigação.
De acordo com a Folha, pessoas que estiveram com Zettel na prisão relatam que o tempo prolongado sob custódia e a separação dos filhos contribuíram para a mudança em sua postura. Ele teria se queixado de reportagens e informações divulgadas nos últimos meses e passado a afirmar que não quer mais arcar sozinho com o desgaste do processo.
Isso, no entanto, não indica que uma nova delação esteja em negociação neste momento. Até o momento, não há anúncio de acordo de colaboração firmado, tampouco confirmação de que a Polícia Federal ou a Procuradoria-Geral da República tenham retomado formalmente tratativas com a defesa do investigado.
O que se alterou, até aqui, foi o tom das falas de Zettel. Após uma tentativa de delação que não avançou e sete meses sob prisão, ele tem sinalizado a interlocutores que pode voltar a se manifestar sobre o esquema apurado no caso Master, cujos desdobramentos envolvem ainda nomes como Celso Vilardi, André Mendonça, o Supremo Tribunal Federal, o Banco Central e Dias Toffoli.
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