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Entenda o histórico de pistolagem na cidade onde influencer do agro foi morta

Cidade onde influencer do agro foi morta carrega histórico de pistolagem, chacinas e crimes por encomenda ligados à violência rural

Avatar De Ana CarolineAna CarolineNotícias22/06/2026 às 12:05 22/06/2026 às 12:06

Entenda O Histórico De Pistolagem Na Cidade Onde Influencer Do Agro Foi Morta
Foto: Reprodução / Instagram - @alziramariatheodoro

Mutum, no Vale do Rio Doce, ainda convive com o estigma de ser um dos remanescentes da pistolagem mineira e capixaba na região. No dia 8 de junho, a produtora rural Alzira Maria Theodoro Luiz, conhecida nas redes sociais como “influenciadora do agro”, foi assassinada a tiros dentro da própria casa. Ela tinha 43 anos e deixou quatro filhos.

O município chegou a ser conhecido como um ponto de passagem e articulação para a contratação de pistoleiros. Enquanto em outras regiões, como no Jequitinhonha, essa realidade deixou de ser tão presente, Mutum ainda mantém uma fama associada a crimes de pistolagem e violência rural.

Entre os casos recentes está o triplo homicídio do Córrego Ponte Alta, registrado em 5 de novembro de 2025, na zona rural da cidade. No local, a perícia técnica recolheu 15 cápsulas de pistola calibre 9 mm e encontrou resquícios de entorpecentes. Três pessoas sem parentesco entre si foram executadas a tiros dentro de um imóvel rural.

A principal linha de investigação apontou para um possível acerto de contas realizado por uma associação criminosa ligada ao tráfico de drogas e à disputa por controle territorial.

As vítimas foram Davily Helen Batista Alves, de 18 anos, e Verônica Campos da Costa, de 32, ambas sem registros criminais anteriores, além de Nelson Teixeira de Arruda, de 60 anos, dono da propriedade, que possuía registros antigos por injúria e ameaça.

Depois do crime, a polícia prendeu um homem e duas mulheres, de 24, 27 e 29 anos, que estavam escondidos em uma casa no mesmo lugarejo.

Segundo a investigação, os suspeitos caíram em contradição e tentaram esconder celulares. Uma das mulheres, de 27 anos, já havia sido baleada e sobrevivido à Chacina das Lavouras de Café, ocorrida em 2024.

Chacina das Lavouras de Café

A Chacina das Lavouras de Café, registrada em 2 de junho de 2024, é considerada um dos episódios mais violentos da história recente de Mutum. O caso ganhou repercussão nacional porque os próprios executores filmaram a ação em tom de ostentação e ameaça.

Quatro pessoas foram mortas na zona rural do município. O ataque teria sido planejado como uma operação de “limpeza” e cobrança armada por um grupo que controlava uma rede clandestina de financiamento e pistolagem na região.

A investigação policial desarticulou uma estrutura que reunia extorsão de meeiros e trabalhadores de grandes lavouras de café, agiotagem e tráfico de drogas. Quem deixava de pagar juros abusivos ou tentava romper com o esquema de fornecimento de entorpecentes passava a entrar na lista de mortes encomendadas a pistoleiros locais.

Operação Lucas 3:14 e a pistolagem fardada

Embora tenha como foco a divisa do Espírito Santo com o Leste de Minas, a Operação Lucas 3:14, deflagrada em junho de 2026, alcançou uma engrenagem apontada como responsável por abastecer a violência em Mutum: o envolvimento de agentes de segurança do Estado que atuariam como matadores profissionais ou seguranças de bicheiros e latifundiários.

Deflagrada pelas polícias civis de Minas Gerais e do Espírito Santo, a operação mirou uma organização criminosa interestadual especializada em homicídios por encomenda e em práticas associadas à milícia e à pistolagem.

O nome da operação faz referência irônica à conduta dos investigados, citando um versículo bíblico: “A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa e contentai-vos com o vosso soldo.”

Policiais militares dos dois estados foram investigados e presos sob suspeita de usar a estrutura, o treinamento e as armas do Estado para executar desafetos, realizar cobranças sob ameaça armada e proteger negócios ilícitos na faixa de fronteira, com atuação em municípios do eixo Mutum-Brejetuba.

Outro caso ocorreu em outubro de 2025, no distrito de Imbiruçu. A dinâmica geográfica da “pistolagem de fronteira” ficou evidente nas prisões integradas entre as delegacias de Mutum, sob comando da delegada Dária Cristina, e de Brejetuba, no Espírito Santo, comandada pelo delegado Arthur França.

De acordo com as investigações, criminosos do Espírito Santo usavam distritos mais afastados de Mutum como esconderijo após cometerem assassinatos na modalidade de pistolagem.

Em uma das operações realizadas ao longo do mês, as equipes cercaram o isolado distrito de Imbiruçu, em Mutum, para capturar o coautor de uma execução ocorrida na localidade capixaba de São Jorge.

O suspeito de atuar como pistoleiro contratado já havia sido preso anteriormente no Espírito Santo. A logística de esconder participantes e mandantes em propriedades cafeeiras de Mutum era apontada como um padrão para dificultar a resposta aos crimes, aproveitando o fato de que cruzar a divisa por estradas de terra interrompia a jurisdição imediata das polícias estaduais.

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