Entrevista revela detalhes trágicos sobre a morte de menino e prisão do pai

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Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, morreu em uma casa em Palmas após passar o fim de semana com o pai, que está preso junto com a companheira, investigados por suspeita de homicídio qualificado e tortura.
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O que se sabe
FAQ editorial
Sabrina da Silva Feitosa, mãe de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, chorou ao conceder a primeira entrevista após a morte do filho. À TV Anhanguera, ela afirmou que a criança voltava das visitas ao pai com hematomas e demonstrava medo dele.
O pai do menino, o advogado Igor Gustavo Veloso de Sousa, de 33 anos, e a companheira dele, Kathellen Moreira, de 23, foram presos preventivamente. Os dois são investigados pela Polícia Civil do Tocantins por suspeita de homicídio qualificado e tortura. A prisão preventiva é uma medida cautelar e não representa condenação.
Durante a entrevista, Sabrina contou que percebeu ferimentos no corpo do filho depois de algumas visitas ao pai. Segundo ela, Igor apresentava justificativas para explicar como as marcas teriam surgido.
“Ele voltava com hematomas, eu mostrei as fotos, e ele falava que o menino caiu, ele tinha todo o argumento dele”, declarou Sabrina.
A mãe relatou que procurava respostas ao notar os ferimentos, mas acabava convencida pelas explicações apresentadas pelo ex-companheiro. Ela também revelou que sentia medo de procurar a polícia.
Ainda conforme o relato de Sabrina, Gustavo demonstrava pavor ao ouvir a voz do pai e dizia que apanhava durante as visitas. Essas declarações representam a versão apresentada pela mãe e deverão ser consideradas no decorrer da investigação.
Um vídeo gravado antes da morte também mostra o menino chorando ao falar sobre as visitas. Nas imagens divulgadas após o caso, Gustavo é questionado sobre o motivo de não querer ir para a casa do pai e responde: “Porque ele me bate”.
Gustavo foi encontrado morto em uma residência na região norte de Palmas, no Tocantins, depois de passar o fim de semana com o pai. O caso passou a ser investigado pela 1ª Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa.
Segundo a versão apresentada pela defesa de Igor, o menino teria se afogado na piscina da residência. O pai teria retirado a criança da água e realizado os primeiros socorros. Após uma aparente recuperação, teria dado banho no filho e o colocado para descansar.
A defesa também informou que, ao perceber que Gustavo não apresentava sinais vitais, Igor procurou a Polícia Civil, comunicou a morte e entregou as chaves da residência para a realização da perícia. Essa é a versão da defesa e ainda está sendo confrontada com os elementos reunidos pelos investigadores.
O exame preliminar realizado pelo Instituto Médico Legal não encontrou indícios de afogamento. Segundo as informações divulgadas sobre a perícia, o corpo apresentava múltiplas lesões, hemorragia interna e ferimentos em diferentes regiões.
O diretor do IML de Palmas, Eduardo Godinho, declarou ao Jornal Primeira Página que a causa aparente da morte foi uma laceração intestinal acompanhada de hemorragia interna e externa. Ele também afirmou que não foram encontrados sinais de afogamento no exame inicial.
A Polícia Civil investiga se Gustavo foi submetido a agressões e atos de tortura. De acordo com a CNN Brasil, o menino apresentava ferimentos na cabeça e em outras partes do corpo.
Os investigadores também apuram a origem das lesões encontradas na região anal e intestinal. Conforme explicou o delegado Eduardo Menezes, o conjunto de ferimentos passou a ser analisado dentro de um possível contexto de violência extrema.
A apuração inicial não apontou elementos suficientes para concluir que houve violência sexual decorrente de uma relação sexual. A causa definitiva da morte e a dinâmica do crime ainda dependem da conclusão dos laudos periciais.
A Polícia Civil também apura se as agressões contra Gustavo já aconteciam antes da morte. O relato de Sabrina sobre os hematomas e o vídeo no qual o menino diz que apanhava do pai estão entre as informações tornadas públicas após o início da investigação.
A defesa de Sabrina informou que as visitas de Gustavo ao pai eram determinadas pela Justiça. Segundo a advogada Stella Bueno, a mãe não poderia interromper a convivência por decisão própria, pois o descumprimento da determinação poderia gerar consequências no processo de guarda.
Também conforme a defesa da mãe, Sabrina denunciou Igor por supostas ameaças em 2023, durante um conflito relacionado à convivência com Gustavo, que ainda era bebê.
Na ocasião, a Justiça concedeu uma medida protetiva que determinava o afastamento de Igor em relação a Sabrina. As comunicações relacionadas ao filho deveriam ser realizadas por meio de terceiros. Essas informações foram divulgadas pelo Jornal Primeira Página.
Igor e Kathellen foram presos preventivamente após decisão da Justiça. Segundo a Polícia Civil, os dois são investigados por suspeita de homicídio qualificado e tortura.
A polícia apura qual teria sido a participação de cada investigado na morte de Gustavo. Até o momento, não houve julgamento nem condenação definitiva.
Após a repercussão do caso, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Tocantins aplicou uma suspensão cautelar ao registro profissional de Igor. Segundo a OAB-TO, a medida tem caráter preventivo e ficará em vigor enquanto o procedimento disciplinar for analisado pelo Tribunal de Ética e Disciplina.
A entidade ressaltou que o advogado terá direito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal durante a tramitação do procedimento.
Ao falar sobre a perda de Gustavo, Sabrina se emocionou e pediu a punição dos responsáveis. A mãe afirmou que espera respostas das autoridades e justiça pela violência que, segundo ela, foi sofrida pelo menino.
Eu quero justiça pelo meu filho. O meu filho sofreu, meu filho sofreu muito, declarou
O inquérito tramita sob sigilo. A Polícia Civil continua investigando as circunstâncias da morte, o histórico relatado pela mãe e a possível participação dos dois suspeitos presos. Os laudos periciais definitivos serão essenciais para esclarecer a causa da morte e determinar as responsabilidades no caso.
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