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“Só olhou para ele e medicou”: mãe de menino morto após passar por UPA questiona atendimento

Mãe de Caio Vinicius questiona atendimento na UPA e resposta do Samu após morte do adolescente em São Carlos

Avatar De Ana CarolineAna CarolineNotícias26/06/2026 às 09:59

&Quot;Só Olhou Para Ele E Medicou&Quot;: Mãe De Menino Morto Após Passar Por Upa Questiona Atendimento
Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal - Beatris Regina de Lima

A mãe do adolescente Caio Vinicius de Oliveira, de 15 anos, que morreu um dia depois de ser atendido e liberado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Prado, em São Carlos (SP), afirma ter dúvidas sobre o atendimento médico prestado ao filho. Segundo ela, o menor recebeu alta sem que exames fossem realizados.

A médica não fez nada, nem relou nele. Só olhou para ele e medicou, disse Beatris Regina de Lima

O caso foi registrado pela Polícia Civil como morte natural. Apesar disso, a família questiona tanto a conduta médica adotada na unidade de saúde quanto o socorro prestado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Segundo Beatris Regina de Lima, Caio passou mal e desmaiou dentro de casa na madrugada de quinta-feira (25). O adolescente chegou a ser atendido por uma equipe do Samu e por um médico da Unidade de Suporte Avançado (USA), mas não resistiu.

Em nota, a Prefeitura de São Carlos informou que o adolescente deu entrada na UPA da Vila Prado às 5h17 de quarta-feira e foi liberado cerca de duas horas depois porque, de acordo com a equipe médica, não apresentava sinais graves.

Mãe relata suspeita inicial de virose

Beatris contou que Caio era um adolescente saudável e que manteve sua rotina normalmente na terça-feira (23). Na madrugada de quarta-feira (24), porém, ele começou a apresentar vômitos e fortes dores abdominais, sendo levado de carro até a UPA.

Eu falei que ele não parava de vomitar, estava com muita dor na barriga. Ele não parava de se contorcer na frente dela. Retornei e falei que não dava para levar ele embora e deram outra medicação. Uma delas disse que deveria ser uma virose, contou

A mãe afirma que a médica apenas olhou para o adolescente e que, mesmo com a continuidade dos sintomas, nenhum exame foi solicitado. Durante a passagem pela UPA, Caio teria sido atendido por duas médicas que, segundo Beatris, não fizeram uma avaliação detalhada do estado de saúde do jovem.

Adolescente recebeu alta após ser medicado

Caio recebeu medicamentos na veia, incluindo dipirona, mas continuou reclamando de dor. A mãe voltou ao consultório para avisar que o filho não apresentava melhora. Depois disso, uma nova medicação, com decadron e dramin, foi aplicada.

Após a administração dos remédios, Caio relatou que a dor havia diminuído e recebeu alta para retornar para casa. No decorrer do dia, conforme a mãe, o adolescente permaneceu abatido, fraco e com dificuldade para ficar em pé. Ele ingeriu uma refeição leve e tomou bebida isotônica para tentar se reidratar.

Na madrugada de quinta-feira, no entanto, o quadro se agravou. Beatris relatou que o filho a chamou dizendo sentir dor no peito e tontura. Pouco depois, o adolescente perdeu a consciência no sofá da sala da residência da família.

“Ele dormiu por volta das 21h, mas por volta das 3h ele me chamou e quis ir para o sofá. Depois de um tempo, ele me gritou, e fui correndo ver. Ele disse que estava com dor no peito e caiu de lado no sofá, já com a boca branca”, disse.

Família questiona atendimento do Samu

A família acionou o Samu e, segundo o relato da mãe, a primeira ambulância chegou rapidamente ao endereço. Beatris, porém, afirma que houve demora para que o atendimento começasse, pois a enfermeira que estava na unidade móvel teria permanecido dentro da ambulância.

De acordo com Beatris, a enfermeira só entrou na casa alguns minutos depois, quando Caio já estava inconsciente. Na sequência, as manobras de reanimação foram iniciadas. Pouco depois, uma segunda ambulância, desta vez com médico, chegou ao local para auxiliar no socorro.

A mãe acredita que houve falhas tanto no atendimento realizado na UPA quanto na abordagem inicial da equipe do Samu. Ela registrou boletim de ocorrência e afirma ter imagens de câmeras de segurança da residência que, segundo ela, mostram a chegada da ambulância e parte da atuação da equipe.

O corpo de Caio Vinicius de Oliveira foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) de Américo Brasiliense para que a causa da morte seja apurada.

O velório está previsto para sexta-feira (26), das 10h às 14h, no Velório Nossa Senhora do Carmo. Depois, o sepultamento será realizado no Cemitério Santo Antônio, em São Carlos.

Prefeitura informa detalhes do atendimento

Segundo a prefeitura, Caio foi atendido por uma médica às 5h33 na UPA, apresentando queixa de dor epigástrica, localizada na parte superior do abdômen, além de vômitos. O paciente, conforme a equipe médica, não apresentava febre, inapetência ou outros sinais considerados de alerta.

De acordo com a nota da administração municipal, o adolescente recebeu medicação com buscopan, cimetidina, dipirona, decadron e dramin. Após permanecer em observação, Caio passou por uma nova avaliação clínica às 7h18. Como apresentou melhora, recebeu alta médica.

Sobre o atendimento do Samu, a Prefeitura de São Carlos informou que o chamado foi registrado às 3h20 da madrugada de quinta-feira (25). A solicitação, segundo o município, relatava um paciente com náuseas, vômitos e mal-estar.

A administração municipal afirmou que a primeira equipe enviada foi uma Unidade de Suporte Básico (USB), por ser a ambulância mais próxima do endereço informado. O veículo foi acionado às 3h25 e chegou ao local às 3h31.

A prefeitura também informou que, em seguida, foi deslocada uma Unidade de Suporte Avançado (USA), conhecida como UTI Móvel. A equipe foi acionada às 3h39 e chegou ao endereço às 3h48. Os registros indicam que a USB deixou o local às 4h24.

A administração municipal não detalhou quais procedimentos foram realizados pelas equipes durante o atendimento ao adolescente.

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