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Morte em rope jump em SP: cor de cabelo livra instrutor de responder por sumiço de câmera

Detalhe no cabelo leva polícia a descartar João Antonio no desaparecimento da câmera do caso de rope jump em Limeira

Avatar De Ana CarolineAna CarolineNotícias03/07/2026 às 12:17

Morte Em Rope Jump Em Sp: Cor De Cabelo Livra Instrutor De Responder Por Sumiço De Câmera
Foto: Reprodução / X

A Polícia Civil descartou a suspeita de que o instrutor João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva, conhecido como “Alemão”, tenha sido o responsável pelo desaparecimento da câmera que registrou a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos.

O equipamento estava preso ao braço da vítima e desapareceu depois que ela foi lançada sem cordas de uma ponte durante um salto de rope jump, modalidade em que a pessoa salta em pêndulo presa por cordas. Para a polícia, a câmera é considerada uma prova essencial para esclarecer a dinâmica do ocorrido.

O caso aconteceu em 13 de junho, na Ponte do Esqueleto, localizada entre Limeira (SP) e Cordeirópolis (SP). A investigação apura não apenas a hipótese de homicídio envolvendo instrutores da equipe, mas também a possível ocultação de provas.

O ponto que levou os investigadores a afastarem, ao menos nesta fase do inquérito, a participação de João Antonio na adulteração da cena da morte foi a cor do cabelo.

O instrutor tem os fios tingidos de “loiro muito claro”. Já testemunhas relataram à polícia que a pessoa que retirou a câmera do braço da jovem tinha cabelo escuro.

A informação aparece no segundo inquérito do caso, concluído nesta segunda-feira (30), ao qual o g1 teve acesso nesta quinta-feira (2). Com a suspeita afastada em relação a João, os indícios sobre a possível ocultação da prova passaram a recair sobre outros dois integrantes da equipe responsável pela organização dos saltos.

“Nesse contexto, os indícios colhidos passam a recair, ao menos nesta fase inicial da investigação, sobre os investigados Gabriel e Kauê”, escreve o inquérito policial.

João está preso desde 20 de junho, mas a Polícia Civil informou que já solicitou a revogação da prisão temporária dele. Desde o início da prisão, tanto João quanto seus advogados negavam que ele tivesse pegado a câmera.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (2), os advogados de João Antonio, Vitor Aurélio e Ana Flávia de Almeida Foguel, afirmaram que o instrutor deve ser indenizado pelo período em que permaneceu preso.

“A Defesa lamenta o julgamento antecipado que João sofreu e o tempo que permaneceu em cárcere de forma ilegal, especialmente porque nunca houve qualquer indício de que ele teria desaparecido com referido objeto. Desde o início da segregação, esta se mostrou ilegal e desnecessária, sendo apontado todos os vícios pelos advogados subscritores. Apesar das graves e irreparáveis consequências pessoais que isso gerou em sua vida pessoal, restou comprovado que ele não praticou qualquer crime, devendo, inclusive, ser indenizado pelo período em que permaneceu, indevidamente, preso”, escrevem em nota.

Quem são os novos investigados?

Kauê Felipe Silva Silveira e Gabriel Barros Martins são integrantes da organização de rope jump e passaram a ser investigados pela possível ocultação da câmera. O relatório policial apontou que os dois têm cabelo escuro e usavam uniforme no dia do evento.

A defesa de Gabriel Barros declarou que a nova suspeita é um equívoco. O g1 tentou localizar a defesa de Kauê Felipe, mas não conseguiu contato até a última atualização da reportagem.

Mesmo sendo investigados pela possível ocultação da câmera, a polícia pediu a revogação da prisão de Gabriel, que estava detido desde 20 de junho. Ele e Kauê não foram indiciados por falta de provas de participação direta na morte ou na ocultação de evidências.

Possível mandante da ocultação

O documento apontou a organizadora do evento, Evelyne dos Santos Gonçalves, como a mandante da pessoa que teria feito a câmera desaparecer.

Segundo o depoimento do investigado Luís Gustavo de Oliveira, logo após o acidente, Evelyne demonstrou grande preocupação e pediu expressamente que buscassem a câmera para apagar o vídeo. Ele afirmou que recusou o pedido porque decidiu priorizar o socorro da vítima.

Em depoimento, João Antonio declarou que ouviu de uma pessoa, não identificada por ele, o relato de que Evelyne teria pedido a um integrante da equipe que pegasse a câmera.

Evelyne foi indiciada por homicídio qualificado e fraude processual.

A defesa de Evelyne, feita pelo advogado Maurício Marchiori, discordou do indiciamento e afirmou que as teses defensivas serão apresentadas no momento oportuno, com confiança no devido processo legal e na presunção de inocência.

Inquéritos sobre o caso

O segundo inquérito teve como objetivo delimitar a responsabilidade penal de cinco integrantes do grupo que promovia os saltos de rope jump e que estavam no local no momento do ocorrido.

Já o primeiro inquérito resultou no indiciamento de três integrantes do grupo, apontados como responsáveis por lançar a jovem da ponte, por homicídio com dolo eventual. Eles foram presos no dia da morte.

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