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Tenente baleado na cabeça é investigado por morte durante operação realizada em janeiro

Ronickson Pimentel, baleado na cabeça, é investigado pela morte de jovem em operação da PM em Suzano

Avatar De Ana CarolineAna CarolineNotícias29/06/2026 às 09:37

Tenente Baleado Na Cabeça É Investigado Por Morte Durante Operação Realizada Em Janeiro
Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal / Instagram - @r_pimentels

O tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, baleado na cabeça durante um atentado no sábado (27), também é investigado pela morte de um jovem de 22 anos em uma operação policial realizada em janeiro, em Suzano, na Grande São Paulo.

Ronickson ingressou na Polícia Militar em 2009, depois de servir como fuzileiro naval na Marinha entre 2006 e 2009. Em 2015, passou a atuar como oficial da corporação após concluir a formação na Academia do Barro Branco. Desde 2019, ele integra a Rota, considerada a tropa de elite da PM paulista.

Investigação sobre morte em operação

Ronickson e outro policial militar são investigados pela morte de João Francisco Silva de Sousa, ocorrida em 7 de janeiro. De acordo com o inquérito policial militar, o tenente comandava a equipe envolvida na ação e teria feito dois disparos de fuzil. O cabo Edson Andrade Valério também efetuou dois disparos, usando uma pistola.

João, de 22 anos, morreu ainda no local depois de ser atingido por quatro tiros. Segundo o laudo necroscópico, a causa da morte foi hemorragia interna provocada pelos disparos, que perfuraram o tórax e causaram lesões no pulmão, coração, fígado e intestino.

Os policiais apuravam uma denúncia anônima sobre armazenamento de drogas em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. No primeiro endereço, eles prenderam um suspeito e apreenderam armas, munições, drogas e equipamentos usados no tráfico. Conforme o inquérito, o homem detido indicou um segundo imóvel, localizado em Suzano, onde haveria mais drogas e armamentos.

Ao chegarem a uma chácara em Suzano, os policiais afirmaram que houve troca de tiros. Em depoimento, o tenente relatou que João teria reagido à abordagem. Ainda segundo a versão apresentada no inquérito, foi apreendida uma pistola com numeração raspada e munições. No imóvel, também foram encontrados 166 tijolos de maconha e porções de cocaína.

A câmera corporal do tenente gravou a ação, mas não mostra se a vítima atirou contra os policiais. Conforme a descrição oficial das imagens incluída no inquérito ao qual o UOL teve acesso, Ronickson aparece dizendo: “perdeu, perdeu, ladrão”

Na sequência, são ouvidos disparos. O documento, no entanto, não informa se João efetuou tiros contra os agentes durante a operação.

A companheira de João apresentou uma versão diferente sobre a ação policial. No documento, ela afirmou que estava dentro da casa quando ouviu barulhos no portão. João teria saído para verificar o que acontecia e, em seguida, os policiais entraram no imóvel. Segundo ela, um agente a retirou da casa, e os disparos foram ouvidos enquanto ela era levada para a rua.

PM apontou legítima defesa, mas Ministério Público Militar discordou

O inquérito da Polícia Militar concluiu que os agentes atuaram em legítima defesa e não identificou a prática de crime. A conclusão foi homologada pela corporação em março deste ano.

O Ministério Público Militar, porém, discordou do entendimento e defendeu que o caso fosse julgado pelo Tribunal do Júri. Após essa manifestação, a Justiça Militar encaminhou o processo para a Justiça comum em 6 de abril.

Em uma nova etapa, o Ministério Público apontou falhas na investigação e solicitou novas diligências. Para o promotor Alexandre Acerbi, ainda faltam laudos de confronto balístico entre as armas dos policiais e a arma atribuída à vítima, além de depoimentos formais dos PMs envolvidos e de testemunhas. O objetivo é esclarecer se houve troca de tiros e se o uso da força foi legal.

A Defensoria Pública representa Ronickson e Edson Andrade Valério no caso. A reportagem procurou o órgão, mas não obteve retorno até a publicação do texto. O espaço segue aberto.

Atentado contra o tenente da Rota

Ronickson Pimentel dos Santos foi baleado na cabeça poucos minutos depois de deixar uma academia, no sábado (27). Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que dois homens em uma motocicleta se aproximaram do policial e atiraram contra ele quando o tenente também parou de moto em um semáforo da avenida Goiás, em São Caetano do Sul.

Ele continua internado em estado grave, mas estável. O policial passou por uma cirurgia neurológica no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André. Em nota, a Polícia Militar afirmou que o momento exige: “extrema cautela”

A corporação também declarou que o tenente: “luta por sua vida”

A motocicleta usada no crime foi localizada horas depois do atentado. O veículo estava abandonado na rua Roberto Koch, na zona sul da capital paulista, e será periciado em busca de impressões digitais e vestígios biológicos.

A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária, por 30 dias, de dois suspeitos, de 40 e 52 anos. Segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública), um terceiro homem, de 24 anos, compareceu ao DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa) acompanhando o pai detido, mas não foi preso.

A polícia ainda trabalha para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer a motivação do atentado contra o tenente.

Quem é Ronickson Pimentel dos Santos

Ronickson Pimentel é irmão de Eloá Cristina Pimentel. Ela tinha 15 anos quando foi mantida em cárcere privado e assassinada pelo ex-namorado Lindemberg Alves, em 2008, em Santo André.

O tenente iniciou sua trajetória na Polícia Militar em 2009, após ter servido como fuzileiro naval na Marinha entre 2006 e 2009. Em 2015, tornou-se oficial da PM depois de concluir a formação na Academia do Barro Branco. Desde 2019, faz parte da Rota, unidade de elite da Polícia Militar de São Paulo.

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