O bolso furado da jaqueta

Que linda! Vou comprar. Mas tá com o bolso furado… não tem outra? Ok… eu conserto em casa amanhã. Hoje não deu… correria. Semana que vem, sem falta.

Mas eu só lembrava de consertar a jaqueta quando já estava de saída e colocava a mão no bolso… aí já não dava mais tempo naquela hora. Clássico. Tipo lembrar que esqueceu de comprar xampu quando tá no chuveiro.

Trabalho, faculdade, namoro, contas e papeis. Eu tinha coisas mais importantes para fazer do que me preocupar com um simples bolso furado.

Vida segue. Quase quatro meses de uso da jaqueta com o bolso – ainda – furado. Quase quatro meses de tensão por talvez esquecer que tava furado, colocar algo lá e perder.

Imagina se fosse a carteira? Chave de casa? Celular? Todo dia era isso.

Soa tão bobinho, mas o fato é que a gente faz isso o tempo todo. A gente vai ignorando, procrastinando, postergando, como se esperasse que, por um milagre, a situação se resolvesse.

Mas, por trás dessas coisas aparentemente “sem importância”, há trava, há tensão, há bloqueio. E isso também trava, tensiona e bloqueia nossa vida. A luzinha do painel tá lá acesa faz um tempão. As correspondências nem foram abertas. Livros que não foram terminados. Emails não lidos. Papéis para reciclar. Potes não devolvidos.

Sabe, adoraria chegar em casa e ver minha jaqueta consertada. Como por mágica. Sempre fui muito independente, mas quem não gosta de que, às vezes, as coisas sejam resolvidas assim?
Adorava quando minha mãe fazia isso. Plim! O botão estava no lugar. Zíper arrumado. A bainha feita. Ela sempre foi ótima nisso! E a gente nem precisava pedir! Era mágico. Mas esse tempo já foi. Olá, vida adulta!

Tudo o que acontece ao nosso redor diz muito sobre nós mesmos. Já dizia o filósofo, neste caso, um cara chamado Hermes Trimegisto em um dos seus 7 princípios: “O que está dentro reflete no que está fora e vice-versa.”

Um quarto bagunçado reflete a nossa própria bagunça interna. Coisas para arrumar também nos dizem que a gente precisa arrumar algo em nós.

E quando a gente arruma dentro, o fora passa a ser mais fácil (não duvide do poder de uma cama arrumada de manhã). Quando a gente arruma fora, o dentro também fica melhor. E o fora sendo mais fácil, ajuda também a gente ficar melhor com a gente mesmo. Resumindo: é um maravilhoso ciclo do bem onde a gente só ganha.

E aí?  Qual bolso da jaqueta você vai consertar hoje? O meu, acabei de arrumar. 


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: petrunina / 123RF Imagens



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