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Psicóloga ajuda crianças palestinas a lidarem com traumas da guerra gratuitamente. “Perda pode causar depressão”

“Estou feliz por ainda estar viva fisicamente”, explica a psicóloga Ola Abu Hasaballah, que explica que suas feridas são psicológicas e emocionais.



O conflito entre israelenses e palestinos não é recente, e a disputa de terras na região começou ainda na Antiguidade. Mas desde a Segunda Guerra Mundial, os conflitos armados se intensificaram na região, principalmente porque, nessa época, o mundo estava atento ao que acontecia com a população judaica.

A Faixa de Gaza é um dos locais mais densamente povoados, segundo reportagem da BBC, o pequeno território tem mais de 2 milhões de pessoas, sendo que quase 50% tem menos de 15 anos.

Uma pesquisa de 2018, da Organização das Nações Unidas (ONU), mostra que uma em cada quatro crianças na região precisava de apoio psicossocial para tratar-se de traumas anteriores.


A psicóloga Ola Abu Hasaballah, de 32 anos, mora em Gaza e tem um filho de apenas 3 anos. Sendo mãe solo e trabalhando com crianças, seu sonho é que elas sejam poupadas dos bombardeios e da destruição que precisou testemunhar durante a vida.

Os recentes 11 dias de combate entre israelenses e palestinos, que matou cerca de 250 pessoas em Gaza e 12 em Israel, pelo menos, mais de 60 crianças em Gaza e duas em Israel. Mesmo com o cessar-fogo anunciado em 21 de maio, a psicóloga acredita que quem mais perdeu foram as crianças e os jovens.

Direitos autorais: reprodução Twitter/@olahasaballah.

Para Ola, além de todos os que morreram, quem sobreviveu à guerra também carrega cicatrizes profundas, que nem sempre estão aparentes. Ela explica que muitos viveram perdas de familiares e muita tristeza, sendo muito difícil conseguir voltar à normalidade. Alguns vão precisar de anos de acompanhamento psicológico profundo, como aconselhamento individual, atendimento e terapia.


Com mestrado em saúde mental, atuando como psicóloga infantil e oficial de educação para o Conselho Norueguês de Refugiados, Ola atende crianças afetadas pela guerra há 13 anos.

Quem perdeu os pais, irmãos ou a casa tem grandes chances de desenvolver transtorno de estresse pós-traumático, causando perda de sono, sentimento de culpa, isolamento, sensação de desamparo, raiva e até depressão.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Quando o último bombardeio se encerrou, a psicóloga encontrou um grupo de cinco meninas, de 11 anos, quando retomou seu trabalho. Uma das garotas explicou que toda vez que ouvia uma explosão, pensava que ia morrer como o colega Dima, que faleceu durante o conflito. Ola conta que todas elas fizeram desenhos de suas casas, o que mostra que as crianças as veem como o lugar mais seguro.


Os recentes ataques e bombardeios reduziram milhares de edifícios e casas a escombros, e a psicóloga explica que, para uma criança, perder a própria residência significa perder todas as coisas familiares, capazes de lhes trazer conforto e proteção, como brinquedos, roupas, livros, entre outras.

Mas não é só isso, algumas perderam seu ponto de apoio, com a morte dos pais, enquanto outras também foram feridas.

Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

No início dos anos 2000, enquanto brincava com os irmãos, aviões israelenses bombardearam a vizinhança em que Ola vivia, um momento que classifica como “realmente assustador”. Por ter experienciado ataques parecidos, a profissional consegue sentir a ansiedade e o medo, como se a sua própria casa estivesse estremecendo.


Uma das principais razões para ter se tornado psicóloga foram os traumas que os irmãos mais velhos tiveram, apresentando um comportamento extremamente agressivo depois dos incidentes.

E, assim como eles, que não receberam apoio psicossocial, Ola sabe que as crianças estão tentando lidar com os próprios traumas, mas podem (e devem) receber ajuda.

Durante o último ataque, Ola tentou manter a rotina de sua casa, procurando acalmar o filho de apenas 3 anos. Ela conta que ele ainda é muito jovem para entender o que está acontecendo, mas que sempre diz que vai protegê-lo todas as vezes que alguma explosão acontece.

Para ela, Gaza não é apenas um lugar, conta uma história, é de onde seus pais vieram e onde sua mãe está enterrada, a terra de todas as suas memórias e identidade.


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