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Quando a gente ama quer ver, tocar, dar aquele abraço que nos faz entrar no silêncio do outro

O amor tem urgência de se concretizar, é o que desperta um brilho no olhar ou um sorriso bobo, provocado por uma simples lembrança do outro.

Amar e não poder ver nem tocar é como estar em um elevador descontrolado, em alta velocidade, entre o céu e o inferno.  


Penso nos amores proibidos, corações partidos, esperanças  sopradas pelo vento das impossibilidades, sem razão que justifique uma  separação ou cruel sentença. Penso nas despedidas e no sofrimento de quem vai guerrear em algum país distante, longe o bastante para sucumbir a distância e a tristeza da solidão.  Penso nos amantes, naqueles que vivem um total entendimento e que são mútuo alento em dias e noites cheios de paixão e desejo,  chego a sentir a pureza do beijo  naqueles breves instantes da despedida antes da partida. Até logo, até breve, um dia ou até nunca mais? Quem poderá saber com segurança ?

Por que precisa haver despedida? Por que tantas dificuldades em viver um amor nos tempos atuais?

Não se iluda, os tempos são iguais, só ganharam o disfarce da modernidade, mas os padrões de comportamento, em se tratando de sentimento, continuam os mesmos. Alguns pais continuam querendo que os filhos namorem ou casem com alguém melhor posicionado na escala social, mesmo que esse alguém não tenha escrúpulos e seja dono de um caráter duvidoso. Pais influenciam, sim, e muito, nas escolhas e decisões dos filhos, às vezes, sem exercer autoritarismo mas com chantagem ou tortura emocional. Quando não é a família pode ser a necessidade ditada pela sociedade, de uma estrutura sólida e à prova de qualquer ameaça de pobreza.

Então,  os amados, empurrados por essa sociedade imperativa de consumo, são influenciados pelo modelo sugerido de sucesso aprovado. Correm atrás de um emprego melhor, de um estudo mais abrangente, de uma equipe mais competitiva, de um estágio mais dinâmico,  todos correm, correm, mas o pódio cada vez parece mais distante.


Um dia, talvez, seja possível amar com calma, sem pressões, sem tediosa rotina, sem ter que mostrar em fotos ou histórias que você vai bem, obrigado e cada dia mais feliz, embora pareça o contrário e você tenha a bolsa com alguma compensação financeira, mas gaste quase tudo com remédios ou terapias para aliviar suas carências e tensões.

É preciso amar hoje, olhar nos olhos do outro agora, trocar a excessiva cobrança por profundidade, é preciso buscar a verdade nos gestos, exemplos e atitudes e não na falta de virtudes de quem nunca soube o que é amar. 

Penso em tantos casais como Romeu e Julieta, de Shakespeare, separados pelo ódio das famílias, penso nas tias e tios solteiros por falta de opção ou por submissão às expectativas dos outros, penso nas despedidas por causa da guerra, tão antagônica a qualquer sentimento decente. Imagino as cartas, mensagens carregadas de emoção de quem vive a cada dia o temor de não haver jamais um reencontro. Penso na correria dessa louca engrenagem chamada necessidade de sucesso, tão diferente do progresso  (normal e construído sem pressa com os sonhos e desejos justos de cada coração).


Quando a gente ama quer ver, tocar, cheirar, rir junto  de qualquer besteira, planejar, aconchegar e dar aquele abraço que faz você penetrar manso no silêncio do outro e sentir-se, imediatamente, em um mágico passeio pela via láctea. 

O amor tem urgência de se concretizar, é o que desperta um brilho no olhar ou um sorriso bobo, provocado por uma simples lembrança do outro.

Pare já esse elevador descontrolado que eu citei no começo do texto, aperte o botão de emergência e procure qualquer saída para chegar e permanecer onde está o amor, ao lado do bom humor e da generosidade.

Ame seja lá o que ou quem for, repense as atitudes, freie a pressa e saiba que o que interessa é a felicidade que você sente e desperta em cada andar da sua emoção. Seja autêntico e nunca deixe ninguém determinar os rumos da sua vida, porque nessa viagem quem é o guia e ao mesmo tempo o viajante é você.

A liberdade é o bem mais precioso que temos, não a entregue a qualquer ascensorista, seja o comandante do seu destino.

Desejo que seu elevador seja panorâmico, com direito a  encantamento e poesia e que um dia, você resolva seriamente deixar de se preocupar com aquilo que ainda nem aconteceu e que talvez nunca aconteça.

Viva sempre o momento presente, ame muito, sinta essa energia ao máximo para que a plenitude o alcance e dance a suave melodia de quem sabe dançar conforme a música, mas que escolheu o ritmo da harmonia, para viver essa fantasia  em comunhão com o Todo e em total união com quem foi selecionado para ser seu companheiro, nessa louca e incrível viagem.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: alexshutter95 / 123RF Imagens





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