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Quando for amar…

Quando for amar, vá de mansinho, mas chegue rápido. Não se demore a tocar e toque devagarinho, mas pegue firme.



Passe carinho, passe ternura, passe a mão, a boca e hidratante. Amor doce, amor romântico, amor selvagem, todos no mesmo pacote, faz da vida um presentão.

Quando for amar, traga seu cheiro, sua alma, coloque-me para dentro do seu amor, mas deixe as regras, os julgamentos do lado de fora.

Quando for amar, esquente meus pés, segure minha mão, deite no travesseiro e diga: me dá um cheiro, fica aqui comigo, vamos ler um livro ou assistir televisão.


Quando for amar, arranque o olhar navalha que faz picadinho o coração. Não olhe para todos os lados, apenas para os olhos do ser amado. Olho no olho – é pros valentes. Covardes olham para o chão.

Quando for amar, não se ausente, faça-se presente até nos sonhos. Vá para outro planeta mas leve seu amor do lado ou dentro do coração. Dê espaço, respeite a privacidade, mas chegue perto, fique junto. Já é sabido que quem muito se ausenta uma hora deixa de fazer falta.

Quando for amar, compartilhe sonhos bobos, sorrisos, desencantos, dissabores. Uma história compartilhada com palavras, filhos, comidas e lençóis tem muito mais vida. Dê um beijo mesmo dormindo ou acorde com um abraço de conchinha antes de levantar. Leve um presentinho ou dê um agarrinho, só pra manter a chama acesa. Leve flores para amenizar as dores. Só não deixe o amor murchar por não partilhar amor, por falta constante de dedicação. Pois, sem cuidado, até a mais forte estrutura é abalada e vai pro caixão.

Quando for amar vá por inteiro, vá de trem, vá a pé, vá de avião. Só não vá sem coração. Vá de corpo e de alma. Qual a graça em ter um livro somente com a capa.


Quando for amar, use a base sólida da confiança, do respeito e da autoestima, coração nenhum aguenta a paranóia da insegurança.

Quando for amar vale discussão, vale choro, vale raiva, vale ficar nervoso, tremer e alterar a voz; só não vale agressão. Não vale desenterrar defunto, só para não perder a questão. Vale defender-se, ou reconhecer que errou e pedir perdão, mas não vale acusar como defesa. Vale ceder por amor e depois de tudo dizer: vem cá, desculpa, fica assim não. Não vale dar as costas e dane-se! Vale olhar carinhoso, mesmo depois do furacão, vale dizer o que sente, só não vale frieza, falta de emoção. Também é golpe mortal enfiar a faca das palavras no coração. Lute sempre pelo empate, discuta, chore, brigue, mas não trate o amor como inimigo, não haverá vencedores nesta guerra.

Quando for amar, troque, seja UM com sua dupla, não queira comandar sempre, uma hora seja quem conduz, outra seja quem é levado, ninguém aguenta dirigir sozinho toda a estrada.

Então, quando for amar, chama-me para amar junto, separado só se for um de motorista e o outro de passageiro, juntos na mesma direção.


Quando for amar, não sinta vergonha, não fique mudo, fique emocionado, mas não fique mudo, sem reação. Mude. Silencie o suficiente para escutar os sussurros e o tum tum do amor. Fale o que sente, na hora, deixar pra depois corrói e destrói. Se precisar calar para acalmar, escolha o silêncio das orações. Ame por afinidade e semelhança, isso é raro e resiste ao tempo por mais tempo.

Quando for amar, AME com entrega. Isso aquece a vida e o coração. E o bom da vida é compartilhar: pedaços – só se for de chocolate; frio – só se for dos nossos pés.

Se for amor, quero quente e por inteiro.

Matildes Montenegro


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Direitos autorais da imagem de capa: macniak / 123RF Imagens

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