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“Vou sentir falta da paternidade durante isolamento”: pai teme ficar longe de filhos com fim da pandemia

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Richard conta que nunca se sentiu tão próximo de seus filhos como agora e que o isolamento melhorou em muitos aspectos a sua paternidade.

Em alguns países, a vacinação da população contra a covid-19 tem avançado rapidamente, criando a possibilidade de retomar algumas atividades. Com a imunização, o comércio e o trabalho podem voltar ao normal, reabrindo escolas e outros locais em segurança. Mesmo que ainda existam medidas sanitárias para o funcionamento de qualquer estabelecimento, com a vacina, as chances de pegar o vírus em sua forma mais grave chegam a zero.

Esse vislumbre de um retorno à vida de antes tem incomodado Richard Innes, britânico e pai de dois meninos, Ben, de 4 anos, e Freddie, de 2. Em dois artigos publicados no The Mirror, o diretor de conteúdo digital revela que vai sentir falta da paternidade que tem exercido na pandemia, da proximidade que tem com os filhos e dos benefícios disso na vida deles.

Ele acredita que a pandemia pode ter beneficiado seu filho mais novo, já que ele pode presenciar muito mais uma rotina com seu pai, sem nenhuma rotina externa à da casa.

O pai nunca imaginou que, algum dia, escreveria um artigo falando sobre o impacto positivo do bloqueio na vida das crianças, mas reconhece que, em alguns aspectos, a paternidade se tornou mais simples.

Richard sabe de todos os impactos negativos da doença, que o isolamento não é benéfico para a maioria das famílias, principalmente as que estão sobrecarregadas, sem falar na quantidade de mortes, na quantidade de pessoas que não têm a possibilidade de ficar em casa e que, infelizmente, acabam contraindo a doença.

Além disso, ele explica que, como seus filhos são bem novos, não precisou inserir na rotina o ensino em casa, mas que sente profundo respeito e admiração pelos que aceitaram o desafio, arregaçaram as mangas e ajudaram as crianças. Outra coisa relatada por Richard é que, felizmente, no último ano, não sentiu nenhuma ansiedade com o fato de “perder algo”, referindo-se a perder alguma programação ou não frequentar algum lugar bacana.

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Direitos autorais: reprodução/arquivo pessoal.

Antes da pandemia, as redes sociais e seus amigos lhe informavam o tempo todo, mesmo que indiretamente, programações imperdíveis. Excursões, visitas, parques, restaurantes, locais que aumentavam demasiadamente sua ansiedade, despertando o que em inglês chamam de fomo (fear of missing out, medo de perder alguma coisa).

Antes da covid-19, ele sempre tinha a sensação de que não estava fazendo o suficiente com seus filhos, que os estava decepcionando por nunca fazer aquelas coisas maravilhosas que via outros pais fazendo na internet.

Com o bloqueio, essa sensação nunca veio. Não há nada para se fazer lá fora e, claro, a rotina pode ser massacrante em alguns momentos, com muita televisão e crianças entediadas, mas não há nada a se perder.

Ele se sente muito feliz com a ideia de que pode voltar a fazer coisas reais com sua família e ver as pessoas, como fazia antes. Richard sabe que todos estavam tendo experiências igualmente ruins com o bloqueio, e que as relações familiares não podem ser tratadas como uma competição. Mas teme que o desejo de viver desenfreadamente, depois da imunização em massa, possa desencadear essa constante ansiedade em uma avalanche de postagens, todas em locais maravilhosos, esbanjando felicidade.

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