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Silvio Santos e Roberto Carlos lideram pesquisa de orgulho nacional, mas lista causa polêmica; veja quem aparece

Silvio Santos e Roberto Carlos aparecem no topo de pesquisa sobre orgulho nacional, mas a lista viraliza e divide opiniões nas redes sociais

Avatar De Ana CarolineAna CarolineCultural10/06/2026 às 11:42 10/06/2026 às 11:50

Silvio Santos E Roberto Carlos Lideram Pesquisa De Orgulho Nacional, Mas Lista Causa Polêmica; Veja Quem Aparece
Foto: Reprodução / Wikimedia Commons

O mapa cultural do Brasil parece estar ganhando novos contornos. O país tradicionalmente associado ao samba, ao banquinho e ao violão hoje se mostra cada vez mais conectado ao sertanejo, à música gospel e ao piseiro.

Repleto de nuances, o retrato dos gostos, hábitos e práticas de lazer dos brasileiros ficou mais claro a partir de uma nova pesquisa da TV Globo, realizada em parceria com a Quaest, que apresenta um painel inédito e revelador sobre a identidade nacional.

Os dados foram apresentados em um summit durante o Rio2C. O levantamento ajuda a orientar a criação de conteúdos de entretenimento em um país marcado por uma evidente “pluralidade singular”, como define Felipe Nunes, CEO da Quaest e idealizador do estudo “A cultura no espelho” ao lado de Suzana Pamplona, diretora de pesquisa e conhecimento da Globo.

Carência de novos ídolos

Derivada do mapeamento “O Brasil no espelho”, publicado recentemente em livro, a nova análise mostra que alguns clichês ainda resistem como uma espécie de fotografia idealizada do país. Na prática, porém, o comportamento cultural dos brasileiros aponta para outra direção.

Um exemplo está na música: samba e pagode são os ritmos preferidos de apenas 9% dos cidadãos, enquanto o sertanejo lidera a preferência de 26%. Mesmo assim, samba e pagode aparecem como os estilos mais representativos do Brasil para 23% dos entrevistados.

Ao comentar essa diferença entre consumo e símbolo cultural, Felipe Nunes explica que a preferência cotidiana nem sempre coincide com aquilo que as pessoas enxergam como representação do país: “Essa realidade mostra que o consumo não está atrelado necessariamente à representatividade “

Embora gastronomia e música sejam os temas que mais despertam identificação — com 9% e 21% dos entrevistados associando a cultura brasileira a esses tópicos, respectivamente —, isso não significa que exista um sentimento amplo de pertencimento. Hoje, apenas 20% dos brasileiros dizem se sentir “muito representados” pela cultura nacional, enquanto 48% afirmam se sentir “pouco representados” e 29% declaram não se sentir “nada representados”.

Silvio Santos E Roberto Carlos Lideram Pesquisa De Orgulho Nacional, Mas Lista Causa Polêmica; Veja Quem Aparece

Direitos autorais: Reprodução / Instagram – @grupomenosemais

A pesquisa também indica que os ídolos que mais despertam orgulho nos brasileiros pertencem, em grande parte, ao passado. No esporte, os nomes mais lembrados são Ayrton Senna e Pelé. Na cultura, aparecem Silvio Santos e Roberto Carlos. Embora pareça um dado simples, o resultado levanta uma questão relevante para criadores, produtores e empresas de mídia: o país talvez esteja carente de novas referências capazes de ocupar esse lugar simbólico.

Para Felipe Nunes, o baixo destaque dos influenciadores digitais nesse recorte traz um alerta importante para o mercado cultural e para quem trabalha com formação de imagem pública: “Na era dos influencers, os profissionais da internet parecem dar muito pouco orgulho aos brasileiros, e este é um recado importante”, ressalta Nunes.

“Precisamos voltar a pensar estrategicamente em como usar a cultura para criar ídolos, ou seja, para projetar pessoas que serão vistas como um modelo para a sociedade. “

O próprio conceito de cultura ainda aparece de forma difusa para uma parcela expressiva da população: 25% dos entrevistados não sabem dizer o que o termo significa. Esse dado aponta para barreiras de acesso e formação, além de expor como o consumo de bens e atividades artísticas no Brasil é fragmentado. Mais do que isso, revela que a ideia de identidade coletiva se constrói no cotidiano de maneiras muito diferentes.

Alguns resultados da pesquisa

O que é cultura brasileira?

  • Música: 21%
  • Comida: 9%
  • Festa: 7%
  • Esporte: 6%
  • Não sabe responder: 22%

Tipo de música preferido

  • Sertanejo: 26%
  • Religiosa/cristã/gospel: 16%
  • Forró/piseiro/arrocha: 10%
  • Samba/pagode: 9%
  • MPB: 8%

Direitos autorais: Reprodução / Instagram – @henriqueejuliano

Música que representa o país

  • Sertanejo: 25%
  • Samba/pagode: 23%
  • MPB: 14%
  • Forró/piseiro/arrocha: 12%
  • Religiosa/cristã/gospel: 5%

Artista que dá mais orgulho

  • Outros: 23%
  • Não sabe responder: 18%
  • Nenhum: 12%
  • Silvio Santos: 7%
  • Roberto Carlos: 6%
  • Fernanda Montenegro: 3%
  • Tony Ramos: 2%
  • Antonio Fagundes: 2%
  • Tarcísio Meira: 2%
  • Marília Mendonça: 2%
  • Luiz Gonzaga: 2%
  • Alcione: 2%
  • Gilberto Gil: 1%
  • Tim Maia: 1%
  • Amado Batista: 1%
  • Lima Duarte: 1%
  • Caetano Veloso: 1%
  • Cazuza: 1%
  • Chico Buarque: 1%
  • Chico Anysio: 1%
  • Djavan: 1%
  • Renato Russo: 1%
  • Gusttavo Lima: 1%
  • Tom Jobim: 1%
  • Raul Seixas: 1%
  • Machado de Assis: 1%
  • Anitta: 1%
  • Lázaro Ramos: 1%
  • Zeca Pagodinho: 1%
  • Elis Regina: 1%
  • Milton Nascimento: 1%
Silvio Santos E Roberto Carlos Lideram Pesquisa De Orgulho Nacional, Mas Lista Causa Polêmica; Veja Quem Aparece

Direitos autorais: Reprodução / Wikimedia Commons

Esportista ou atleta que dá mais orgulho

  • Ayrton Senna: 22%
  • Pelé: 21%
  • Não sabe responder: 15%
  • Nenhum: 10%
  • Neymar: 5%
  • Outros: 4%
  • Ronaldinho Gaúcho: 4%
  • Marta: 3%
  • Rebeca Andrade: 2%
  • Daiane dos Santos: 2%
  • Ronaldo Nazário (Fenômeno): 2%
  • Zico: 2%
  • Vinícius Júnior: 1%
  • Guga (Gustavo Kuerten): 1%
  • Raissa Leal: 1%
  • Romário: 1%
  • Garrincha: 1%
  • Gabriel Medina: 1%
  • Cafu: 1%
  • Anderson Silva: 1%

A força do conteúdo hiperlocal

Não por acaso, grandes grupos de mídia têm buscado descentralizar cada vez mais suas produções. Atualmente, entre os mais de 200 projetos em desenvolvimento pela TV Globo, quase metade é realizada em parceria com o mercado independente. A chegada de novos modelos de negócio, como licenciamentos e coproduções, também reflete uma tentativa de espelhar melhor a diversidade de um país de dimensões continentais.

Um dos projetos recém-renovados pela emissora já levou ao ar 13 telefilmes produzidos em parceria com afiliadas. Todos foram exibidos em rede nacional, na faixa “Tela Quente”, nas noites de segunda-feira. A proposta é fortalecer indústrias regionais e ampliar o olhar sobre o Brasil ao valorizar histórias, cenários e características locais.

Durante uma mesa no Rio2C, Gabriel Jacome, diretor de conteúdo da TV Globo, destacou que a busca por histórias regionais faz parte de uma estratégia para aproximar o conteúdo da diversidade real do país: “O Brasil possui uma infinidade de possibilidades narrativas. O que a gente observa, agora, é que a audiência quer ver essa textura cultural. Faz parte de uma visão estratégica buscar histórias hiperlocais”

A Netflix, multinacional do streaming, segue uma direção semelhante. Para ampliar a diversidade do catálogo, tanto com lançamentos quanto com produções clássicas, a empresa vem testando diferentes formatos de trabalho e acordos de produção. Obras com selo próprio, como “Cabras da peste” (2021), “Inexplicável” (2024) e o inédito “Vicentina pede desculpas”, são exemplos desse esforço para ampliar a pluralidade de vozes, cenários e sotaques. O tema também foi debatido em outra mesa do Rio2C.

Silvio Santos E Roberto Carlos Lideram Pesquisa De Orgulho Nacional, Mas Lista Causa Polêmica; Veja Quem Aparece

Direitos autorais: Divulgação / Netflix

Barbara Adams, head de licenciamento da Netflix Brasil, explicou que a variedade de conteúdos é uma resposta direta à diversidade do público brasileiro: “Nosso objetivo é ter sempre os filmes, as séries, as novelas e os documentários que o público quer ver… E nosso público é diverso. Então, precisamos de uma gama ampla de conteúdos”

Religiosidade ganha espaço na cultura

Outro dado relevante da pesquisa “Cultura no espelho” ajuda a entender o crescimento das narrativas de fé dentro da indústria cultural. Entre todas as dimensões analisadas pelo levantamento, a chamada “cultura religiosa” aparece como a mais vivenciada pelos brasileiros, ficando à frente até mesmo da “cultura de mídia”, que envolve televisão, internet, redes sociais, rádio e cinema.

Esse resultado encontra correspondência no setor audiovisual. Em outra mesa do Rio2C, realizadores apontaram a expansão de conteúdos ligados à espiritualidade no mercado nacional, impulsionados por histórias capazes de dialogar com públicos que vão além dos praticantes de uma religião específica.

Um marco importante desse segmento foi o filme “Nosso lar” (2010), baseado no livro homônimo de Chico Xavier. Considerando também a continuação lançada em 2024, a obra levou mais de cinco milhões de espectadores aos cinemas. Segundo o diretor Wagner de Assis, a audiência chegou a 40 milhões quando considerados todos os formatos, incluindo televisão e streaming.

Ao comentar a permanência do interesse do público pela produção, Wagner de Assis afirmou que continua recebendo retornos de diferentes lugares: “Semanalmente, recebo mensagem de algum lugar do mundo sobre o filme”

Para Ygor Siqueira, CEO da Heaven Content & 360 WayUp, produtora dedicada a filmes do gênero, os números confirmam a consolidação desse mercado. Segundo ele, não há mais retorno: trata-se de um segmento que veio para ficar.

Ao analisar a mudança de percepção dos exibidores nos últimos anos, Ygor destacou que o cinema cristão passou de uma aposta desacreditada para um mercado mais estruturado: “Há 15 anos, a gente chegava para o exibidor, mas ninguém acreditava no projeto. Ao longo dos últimos dez anos, porém, o mercado do cinema cristão se consolidou”, analisa. “Hoje os exibidores já estão falando: ‘Me tragam projetos, por favor’.”

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