Mulher de 43 anos é resgatada em Benedito Novo após anos de cárcere privado e maus-tratos do próprio pai
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A investigação sobre a mulher resgatada em Benedito Novo revelou que ela sofreu privação de comida, limitação de liberdade e maus-tratos pelo pai, que responderá por cárcere privado qualificado e maus-tratos. A vítima foi acolhida por uma familiar e está em processo de reabilitação multidisciplinar segundo as informaç...
Resumo do conteúdo
O que se sabe
FAQ editorial
A investigação conduzida pela Polícia Civil sobre a mulher resgatada no mês passado em Benedito Novo, no Vale do Itajaí, expôs detalhes graves sobre o que ela teria enfrentado ao longo de seus 43 anos de vida.
Os depoimentos reunidos no caso apontam privação de comida, limitação de liberdade e obrigação de realizar trabalhos domésticos, mesmo diante de suas condições psicológicas.
O pai da vítima é apontado como o responsável por impor à filha uma rotina marcada por condições desumanas e deverá responder na Justiça pelos crimes de cárcere privado qualificado e maus-tratos. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público nesta quarta-feira (10).
O caso veio à tona depois de uma denúncia de possível trabalho doméstico escravo. Agentes federais foram até o imóvel, localizado na cidade de cerca de 10 mil habitantes, e encontraram uma mulher com aparência frágil, infantilizada e que só conversava com outras pessoas quando recebia autorização do pai.
De acordo com a polícia, ainda não está definido se a mulher apresenta algum transtorno ou se o comportamento incompatível com sua idade seria consequência dos anos de isolamento. No despacho, o delegado Ismael Gustavo Marmitt recomenda a realização de uma avaliação neuropsicológica.
“É para o fechamento de diagnóstico e mensuração de reserva cognitiva; implementação de reabilitação multidisciplinar, com atendimentos odontológico, médico e psicoterapêutico; inserção em programas de socialização em ambientes enriquecidos”, explica.
A apuração também indicou, segundo o delegado, que a mulher vivia em situação de extrema vulnerabilidade e mantinha dependência em relação aos familiares que residiam com ela: o pai, o irmão e a mãe. Além disso, ela estaria submetida a condições degradantes de vida.
Conforme Marmitt, a situação era “incompatível com sua dignidade”.
O pai deverá responder aos crimes em liberdade. A mulher foi acolhida por uma familiar, e o genitor está proibido de se aproximar dela. No dia em que foi resgatada, ainda muito assustada, ela carregava no colo uma boneca como se fosse um bebê de verdade — um objeto descrito como uma espécie de amuleto para que se sentisse segura.
Ela também relatou que chegou a usar creolina, produto utilizado em animais, para tentar aliviar a dor no único dente que tinha na boca. Mesmo com o encerramento da investigação, o processo de reabilitação da vítima deve ser longo.
A mãe da mulher morreu em 2024.
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