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Fotos mostram presídio onde Deolane está detida após defesa denunciar más condições

Fotos mostram o presídio onde Deolane está detida após a defesa denunciar más condições no local e pedir providências sobre a situação

Avatar De Ana CarolineAna CarolineDeolane Bezerra11/06/2026 às 17:07

Fotos Mostram Presídio Onde Deolane Está Detida Após Defesa Denunciar Más Condições
Foto: Divulgação / SAP

Fotos anexadas a um ofício encaminhado pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) ao Ministério Público mostram detalhes do Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, local onde a influenciadora e advogada Deolane Bezerra está presa preventivamente desde maio.

Na terça-feira (9), a Justiça de São Paulo rejeitou o pedido apresentado pela defesa para que ela fosse transferida para uma Sala de Estado-Maior ou, alternativamente, tivesse a prisão preventiva substituída por prisão domiciliar. Ao pedir a mudança, os advogados alegaram que a unidade apresentava condições insalubres, mencionando falta de higiene, calor excessivo e até a presença de escorpiões na cela.

As imagens obtidas pela TV Globo, porém, mostram um ambiente diferente daquele descrito pela defesa. Nas fotos, aparecem celas organizadas, corredores limpos e uma área reservada ao banho de sol das detentas.

Também há registros de habitações individuais com enxovais dobrados, televisão e objetos pessoais acomodados. Outras imagens exibem vasos de plantas distribuídos pelo corredor e um espaço voltado para visitas com crianças, com brinquedos e móveis coloridos.

O documento foi assinado por Adriana Alkmin Pereira Domingues, chefe do Departamento do Complexo Penal, e encaminhado ao promotor Lincoln Gakiya.

Como é o pavilhão onde Deolane Bezerra está detida

De acordo com o ofício enviado pela SAP, o Pavilhão Especial possui dez habitações individuais. Cada espaço conta com cama, mesa, cadeira, banheiro com chuveiro elétrico, televisão, ventilador, interruptor de iluminação interna, além de acesso a bebedouro com água gelada e garrafa térmica para uso durante a noite.

O documento afirma ainda que as presas têm direito a banho de sol todos os dias, das 8h às 17h, totalizando nove horas diárias. A área externa conta com bancos, tanque para lavagem de roupas e brinquedos usados durante visitas de crianças.

Segundo a secretaria, a unidade também oferece atividades esportivas, como vôlei e futebol, além de opções recreativas, entre elas pintura em desenhos antiestresse, xadrez, dominó e resta 1. O pavilhão também disponibiliza atividades religiosas, com vídeos e louvores conduzidos por representantes de denominações católicas e evangélicas.

Em relação à alimentação, a SAP informou que são servidas quatro refeições por dia: café da manhã, almoço, jantar e ceia. O cardápio, segundo a secretaria, segue o padrão adotado nas unidades prisionais do estado e é elaborado com base em critérios nutricionais e sanitários.

Sobre higiene, o ofício menciona a Lei de Execução Penal e afirma que cabe à pessoa presa manter a própria higiene pessoal e o asseio da cela, habitação ou alojamento. O documento também informa que todas as mulheres custodiadas recebem mensalmente kits individuais de higiene pessoal, produtos de limpeza e uniformes.

A SAP afirma ainda que a manutenção das habitações e do Pavilhão Especial é feita periodicamente ou sempre que solicitada pela presa provisória.

Pedido de liberdade foi negado pelo STJ

A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, na terça-feira (9), um pedido de liberdade apresentado pela defesa de Deolane Bezerra, influenciadora digital e advogada que cumpre prisão preventiva desde maio.

Os ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Maria Marluce Caldas e Messod Azulay Neto entenderam que não caberia uma intervenção do STJ naquele momento, já que outros pedidos de liberdade da influenciadora ainda estavam pendentes de análise em tribunais de instâncias inferiores.

A defesa de Deolane sustentou ao STJ que o caso não preencheria os requisitos legais para a manutenção da prisão preventiva. Os advogados argumentaram que não haveria risco concreto à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal, além de afirmarem que as provas reunidas já estariam em poder das autoridades.

Os ministros recomendaram que o Tribunal de Justiça de São Paulo dê celeridade à análise dos recursos apresentados pela defesa da influenciadora.

A defesa também alegou que:

  • a prisão preventiva deveria ser substituída por prisão domiciliar, pois Deolane é mãe de uma criança de 9 anos e seria a única responsável pelos cuidados;
  • os fundamentos usados para justificar a prisão seriam genéricos e não individualizariam risco de reiteração delitiva, destruição de provas ou fuga, sem indicação de fatos concretos atuais;
  • os fatos investigados seriam referentes ao período de 2018 a 2021;
  • outras medidas cautelares seriam adequadas e suficientes, como entrega do passaporte, proibição de deixar a cidade e impedimento de contato com investigados.

De acordo com relatório policial, Deolane teria movimentado R$ 13,6 milhões entre 2018 e 2022 em contas pessoais. O documento aponta ainda que outros R$ 14 milhões teriam passado por três empresas ligadas à influenciadora.

Para os investigadores, a origem dos valores seria “espúria”. A apuração também teria identificado empresas fantasmas em nome da influenciadora, localizadas em cidades do interior paulista, próximas ao presídio de Presidente Venceslau, dividindo o mesmo endereço com dezenas de outras firmas apontadas como de fachada.

A defesa da influenciadora nega qualquer envolvimento com crime organizado ou com dinheiro de origem ilícita. Os advogados afirmam que todos os valores recebidos por Deolane são declarados e devidamente justificados.

Relator do caso, o ministro Ribeiro Dantas destacou a gravidade dos fatos investigados. Segundo ele, o fato de a influenciadora ser mãe de uma criança menor de 12 anos não garante, de forma automática, a liberdade ou a substituição da prisão por domiciliar.

Ribeiro Dantas afirmou que a decisão que autorizou a prisão preventiva está fundamentada e que não haveria elementos suficientes para justificar uma revisão pelo STJ naquele momento, cabendo aguardar a análise das instâncias responsáveis.

“As condições pessoais favoráveis, alegada ausência de risco de fuga e retorno espontâneo ao Brasil, não são suficientes para afastar os elementos suficientes para afastar a necessidade da custódia quando presentes elementos objetivos que recomendam a manutenção nem autorização substituição por medidas alternativas em contexto de atuação organizada e risco de reiteração”, afirmou.

Durante o julgamento, o advogado da influenciadora, Aury Lopes Jr., defendeu que os elementos apresentados não justificariam a prisão preventiva. Ele afirmou que houve uma prisão midiática e pediu que Deolane pudesse aguardar o andamento do caso em liberdade.

O advogado argumentou que ela foi investigada durante quatro anos, mas que, entre 2022 e 2024, não teria havido manifestação do Ministério Público no caso nem pedido para que ela prestasse esclarecimentos.

“Quatro anos investigando para ter prisão midiática. Não há risco para prova, que é contábil e fiscal, já está toda garantida. Não existe risco de fuga. [Deolane] Estava viajando a trabalho, com a filha, e volta para casa. […] Presa em casa com fuzil, prisão midiática, prisão excessiva e que com certeza traumatizou a filha. […] Foi uma prisão para humilhar a personagem, mas quem está presa é uma mulher, que tem um filha de 10 anos, que fez aniversário na semana passada. […] A menina precisa da mãe. Não tem pai presente”, disse o advogado.

A Procuradoria-Geral da República defendeu a manutenção da prisão, citando a possibilidade de reiteração criminosa.

“Sempre as organizações criminosas usaram desde menores de idade, a pessoas com algum grau de desequilíbrio emocional, loucura, ou mesmo mais recentemente mães de família sabendo que a sociedade tem a família o mais alto maior patamar de respeito e credibilidade. E por conta dessas situações, que não podemos esquecer que uma coisa é a mãe praticar ato ilícito de uma vez, outra é de praticar de forma contínua e reiterada”, afirmou o subprocurador-geral da República, Augusto Aras.

Deolane foi indiciada por organização criminosa e lavagem de dinheiro

Deolane Bezerra foi indiciada pela Polícia Civil de Presidente Venceslau, em São Paulo, pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Além dela, outras seis pessoas também foram indiciadas após a conclusão do relatório do inquérito da Operação Vérnix.

O documento reúne os resultados das investigações após o cumprimento das medidas judiciais da fase que levou à prisão da influenciadora e de outros investigados.

Segundo a polícia, o grupo alvo da operação continuava em atividade no momento das prisões e estaria promovendo a reestruturação de empresas supostamente usadas para ocultar e dissimular patrimônio e recursos financeiros.

Os investigadores também apontaram indícios de uso de novas pessoas jurídicas, movimentações patrimoniais recentes e mecanismos alternativos para circulação de valores, incluindo operações com ativos virtuais.

Com base nas novas provas, a Polícia Civil formalizou sete indiciamentos, incluindo o de Deolane por lavagem de dinheiro e organização criminosa, além de apresentar representações complementares ao Poder Judiciário.

Entre os pedidos feitos estão o sequestro cautelar de veículos apreendidos durante a operação, a ampliação de bloqueios patrimoniais e a custódia judicial de joias e relógios encontrados durante as diligências.

Outras investigações envolvendo Deolane Bezerra

O caso mais recente se soma a um histórico de investigações, operações e processos envolvendo o nome de Deolane Bezerra. A seguir, relembre os principais episódios citados nas apurações.

Julho de 2022

Busca e apreensão por lavagem em empresa de apostas: a Polícia Civil de São Paulo cumpriu mandados de busca e apreensão na mansão de Deolane em Alphaville.

A ação apurava crimes contra a economia popular e lavagem de dinheiro relacionados a uma empresa de apostas esportivas que patrocinava a influenciadora. Na ocasião, dois carros de luxo, um Porsche e um Land Rover Discovery, foram apreendidos.

Fevereiro de 2024

Investigação por foto com colar de chefe do tráfico: Deolane passou a ser alvo de um inquérito da Polícia Civil do Rio de Janeiro após publicar fotos no Baile da Disney, no Complexo da Maré, usando o cordão de ouro do traficante Thiago da Silva Folly, conhecido como “TH”, apontado como chefe do Terceiro Comando Puro (TCP).

Na época, a influenciadora publicou um vídeo em suas redes sociais explicando a selfie.

“Fui no Complexo da Maré ontem, tava lá no baile da Disney. Fui bem recebida, não gastei um real. Tirei foto com geral, com cordão, sem cordão, botaram o cordão em mim, tiraram, e pocas, eu sou isso”, disse a influenciadora.

A polícia passou a apurar uma possível associação ao tráfico de drogas.

Setembro de 2024

Primeira prisão na Operação Integration: o primeiro grande revés judicial de Deolane ocorreu em setembro de 2024, quando ela foi presa preventivamente em Recife, Pernambuco.

A Operação Integration, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, investigava um suposto esquema de lavagem de dinheiro e jogos de azar ilegais que teria movimentado cerca de R$ 2 bilhões.

Na ocasião, bens de luxo da influenciadora foram sequestrados.

“Sei que as coisas vão se esclarecer”, declarou ela em carta escrita à mão na prisão.

Depois de idas e vindas no Judiciário, Deolane obteve um habeas corpus.

No início de 2026, a Justiça Federal assumiu a competência do caso, anulou os atos estaduais anteriores e repassou o inquérito para a Polícia Federal.

Abril de 2026

Alvo da PF na Operação Narco Fluxo: cerca de um mês antes, Deolane entrou na mira de uma grande operação da Polícia Federal chamada Narco Fluxo.

A PF passou a investigá-la por suposta participação em uma rede que teria usado o meio artístico e plataformas digitais para lavar dinheiro oriundo do tráfico internacional de drogas, rifas clandestinas e apostas.

Relatórios de inteligência apontaram que a conta bancária da advogada funcionaria como “conta de passagem” para ocultar recursos de uma organização criminosa suspeita de enviar mais de três toneladas de cocaína para o exterior.

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