Mensagens de estudante presa após atropelar e matar idoso em Porto Velho podem pesar na investigação

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Vitória Caroline Marangoni Schneider, estudante de Medicina, atropelou e matou Odair Brustolin em Porto Velho após uma discussão, sendo presa em flagrante e podendo responder por homicídio triplamente qualificado. Ela já havia sido detida por embriaguez ao volante em 2025, mas teve o processo arquivado após acordo.
Resumo do conteúdo
O que se sabe
FAQ editorial
O caso ocorreu na quarta-feira (1º), em Porto Velho. Áudios encaminhados por Vitória Caroline Marangoni Schneider, de 29 anos, estudante de Medicina, a um grupo de moradores registram uma discussão após o atropelamento que resultou na morte de Odair Brustolin, de 68 anos. De acordo com o boletim de ocorrência, o acidente foi registrado por volta das 13h20. Cerca de 25 minutos depois, às 13h45, as mensagens de voz foram enviadas ao grupo.
Nas gravações, Vitória afirma que já havia comunicado previamente que passaria de carro pelo portão do condomínio. Ela também declara que os moradores já conheciam seu comportamento. O conteúdo das mensagens foi compartilhado após o atropelamento e integra os registros relacionados ao caso.
“Eu avisei, eu avisei 10 vezes que, se não parassem de me chamar de louca, de ficar me tratando de louca, eu ia passar pelo portão. Eu falei, eu falei mil vezes. Eu não sei por que vocês ficam duvidando de alguma coisa, porque vocês já me conhecem”, diz nos áudios.
Após o atropelamento, Vitória acabou detida e encaminhada à Central de Flagrantes. De acordo com a Polícia Militar, ela teria tentado deixar o local antes de ser abordada. A mulher foi localizada na residência de um homem que afirmou ser seu amigo.
Procurada, a defesa foi contatada pelo g1, mas não houve manifestação até a mais recente atualização desta reportagem.
Em entrevista à Rede Amazônica, o defensor público Fábio Roberto declarou que o episódio pode ser classificado como homicídio triplamente qualificado. Ele explicou que a investigada poderá ser responsabilizada pelas qualificadoras de motivo fútil, pelo emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima e também pelo fato de a vítima ser idosa.
Conforme o defensor, a condenação pode alcançar até 30 anos de prisão. Fábio Roberto acrescentou que os áudios tornados públicos podem ser interpretados como indícios de premeditação, aspecto que tende a influenciar a avaliação do caso pelo Judiciário e a definição da dosimetria da eventual pena.
Odair Brustolin, de 68 anos, morreu após um carro atingir a residência onde ele se encontrava, na tarde desta quarta-feira (1º), em Porto Velho. O veículo invadiu o imóvel depois de uma discussão que teria ocorrido momentos antes na rua.
De acordo com testemunhas, a condutora, identificada pela polícia como Vitória Caroline Marangoni Schnider, de 29 anos, se envolveu em um desentendimento com as vítimas e tentou agredi-las. Após a briga, ela entrou no automóvel e avançou contra a casa.
Registros feitos por vizinhos mostram que Vitória Caroline tentou atingir o imóvel em um primeiro momento. Em seguida, ela recuou o carro, deu marcha à ré e acelerou novamente, conseguindo invadir a residência. Durante a ação, Odair foi atropelado (veja vídeo acima).
O idoso chegou a ser socorrido e encaminhado a um hospital da capital, mas não resistiu aos ferimentos. A morte foi confirmada por familiares.
Depois do episódio, a motorista deixou o local. A Polícia Militar realizou buscas na região com o objetivo de localizar a suspeita e o veículo. Pouco tempo depois, os policiais receberam a informação de que Vitória Caroline estaria na casa de um amigo.
A equipe foi até o endereço indicado e encontrou a mulher sentada na varanda do imóvel. O amigo relatou que ela pediu ajuda após afirmar que havia se envolvido em uma discussão no condomínio onde mora. Segundo ele, a solicitação era para realizar serviços de lanternagem e pintura no carro.
Conforme o boletim de ocorrência, os policiais solicitaram novamente que Vitória saísse da casa. Ela atendeu à ordem e se dirigiu até a equipe. Ainda segundo o registro, a mulher apresentava comportamento exaltado e agressivo. Na sequência, recebeu voz de prisão e foi conduzida ao Departamento de Flagrantes.
Apontada como responsável pelo atropelamento que resultou na morte de Odair Brustolin, de 68 anos, na quarta-feira (1º), a estudante de Medicina Vitória Caroline Marangoni Schneider, de 29 anos, já havia sido detida anteriormente por dirigir sob efeito de álcool. O episódio ocorreu em maio de 2025, em Porto Velho.
De acordo com registros do processo, após a prisão ela foi submetida a audiência de custódia e obteve liberdade provisória. A decisão judicial, no entanto, estabeleceu medidas cautelares. Entre as determinações impostas estavam a suspensão da carteira de motorista e a proibição de frequentar bares.
Posteriormente, a estudante firmou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), instrumento aplicado a infrações de menor gravidade e sem violência. Por meio desse mecanismo, o investigado reconhece a prática do ato e aceita cumprir պայմանamentos para evitar que a denúncia avance e se transforme em ação penal.
Como parte do acordo, ela efetuou o pagamento de aproximadamente R$ 1,5 mil, valor correspondente a um salário mínimo à época. Depois de atender às condições estabelecidas, as restrições foram revogadas pela Justiça em fevereiro deste ano, e o processo acabou arquivado em abril.
Em nota, o Ministério Público de Rondônia (MP-RO) informou que o Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) foi firmado em julho de 2025, após um acidente de trânsito. Segundo o órgão, inicialmente a estudante foi investigada por lesão corporal, embriaguez ao volante e danos a dois veículos. No entanto, ela indenizou a vítima e os proprietários dos carros, e a vítima decidiu não representar criminalmente.
Ao final do andamento processual, restou somente a imputação por embriaguez ao volante. Segundo o Ministério Público, à época dos fatos ela não possuía antecedentes criminais. O órgão informou ainda que, depois de cumprir as condições estabelecidas no acordo firmado, o procedimento foi encerrado e arquivado.
Entre as imagens reunidas no processo está a identificação de Vitória Caroline Marangoni Schneider, de 29 anos, em foto de arquivo pessoal. Outro registro apresenta a vítima, Odair Brustolin, de 68 anos, além do momento em que o carro invade a residência e ocorre o atropelamento; a montagem reúne foto de arquivo pessoal e print de tela. Há também a captura do instante em que a mulher avança com o veículo contra o portão, igualmente por meio de print.
As imagens incluem ainda o registro da suspeita detida na Central de Flagrantes, também obtido por captura de tela. Por fim, consta fotografia de Odair Brustolin, de 68 anos, identificado como vítima de atropelamento dentro de casa, em imagem de arquivo pessoal. O conjunto dos registros visuais documenta tanto os envolvidos quanto a sequência do ocorrido, conforme anexado ao caso.
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