Ex-prefeito Alcides Bernal morre após passar mal no Presídio Militar e ser internado em Campo Grande
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Ex-prefeito Alcides Bernal morre após passar mal no Presídio Militar e ser internado em Campo Grande

Alcides Bernal morreu aos 60 anos após passar mal enquanto cumpria prisão preventiva em Campo Grande

Avatar De Ana CarolineAna CarolineNotícias13/07/2026 às 10:04 13/07/2026 às 10:06

Ex-Prefeito Alcides Bernal Morre Após Passar Mal No Presídio Militar E Ser Internado Em Campo Grande
Foto: Reprodução / YouTube

O ex-prefeito Alcides Bernal morreu aos 60 anos, na madrugada desta segunda-feira (13), na Santa Casa de Campo Grande. Desde 24 de março, ele permanecia detido no Presídio Militar, acusado de matar o servidor público Roberto Carlos Mazzini durante uma disputa pela posse de um imóvel.

A causa da morte ainda não foi informada. Bernal havia sido hospitalizado em 30 de junho, depois de passar mal no Presídio Militar. Na ocasião, foi submetido a um procedimento cardíaco e, segundo a defesa, exames apontaram uma série de lesões no coração. Após receber alta, ele retornou à unidade prisional.

No fim de semana, Bernal apresentou novo mal-estar e foi levado novamente à Santa Casa. A internação ocorreu após a Justiça rejeitar o pedido de prisão domiciliar. Ao g1, Ricardo Machado afirmou que Bernal desmaiou no presídio. No hospital, ele foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) devido ao quadro.

“Ele começou com cateterismo, mas depois foi submetido a uma angioplastia coronariana. E dessa angioplastia, ele foi submetido depois a outra angioplastia, quando foi colocado os stents nele”

Após detalhar os procedimentos, a defesa informou que havia apresentado pedidos de prisão domiciliar devido aos problemas cardíacos que Bernal enfrentava, inclusive antes da cirurgia realizada no fim de junho. Segundo Ricardo Machado, o ex-prefeito era um paciente cardíaco de alto risco. A defesa também citou um ofício do Presídio Militar que informava não haver condições adequadas para mantê-lo devido ao estado de saúde. Ricardo Machado afirmou:

“Houve uma alerta da defesa ao Poder Judiciário desde o início do processo de que ele possuía doença grave, foi alertado essa semana que ele não poderia retornar ao presídio, fizemos um pedido de domiciliar, fizemos um pedido adendo, de uma questão temporária de ele retornar para casa, isso não aconteceu. Ficou com certeza um sentimento de frustração”

Prisão pela acusação de homicídio

Segundo as investigações, Roberto Carlos Mazzini e um chaveiro estavam em uma residência localizada na Rua Antônio Maria Coelho quando foram surpreendidos por Bernal. O imóvel havia pertencido ao ex-prefeito, mas foi levado a leilão judicial e arrematado por Roberto Carlos Mazzini.

Bernal era acusado de disparar duas vezes contra o servidor público e deixar o local sem prestar socorro. Algumas horas depois, apresentou-se à polícia e permaneceu preso no Presídio Militar de Campo Grande.

Em 30 de junho, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou o habeas corpus que pedia a liberdade do ex-prefeito. A decisão ocorreu menos de uma semana após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinar que Bernal fosse julgado pelo Tribunal do Júri.

Carreira política de Alcides Bernal

Natural de Corumbá, Alcides Bernal era advogado, radialista e político. Em 2004, foi eleito vereador de Campo Grande e presidiu a Comissão Permanente de Transporte e Trânsito. Quatro anos depois, em 2008, foi reeleito e passou a comandar a Comissão Permanente de Defesa do Consumidor. Em 2010, tornou-se deputado estadual.

Nas eleições de 2012, Bernal tornou-se o 62º prefeito de Campo Grande. Ele permaneceu à frente da administração municipal até 2014, quando teve o mandato cassado. Na época, era filiado ao Partido Progressistas (PP).

Dos 29 vereadores da Câmara Municipal, 23 votaram a favor da cassação por irregularidades apontadas em contratos emergenciais. Com a perda do mandato, o vice-prefeito Gilmar Olarte, também do PP, assumiu o comando da administração municipal.

A denúncia que deu origem ao processo foi apresentada por dois empresários à Câmara Municipal em 30 de setembro de 2013. Eles apontaram contratações emergenciais sem justificativa. O documento foi aceito pelos vereadores, e uma comissão processante acabou sendo criada para investigar o caso.

Durante o processo, Bernal afirmou que não havia provas das irregularidades atribuídas à gestão. No dia da votação, ocupou a tribuna da Câmara para se defender e declarou que suas decisões tinham como objetivo proteger o interesse público.

Em 2015, o político Bernal reassumiu a prefeitura por decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Por dois votos a um, os desembargadores determinaram seu retorno em agosto daquele ano, um ano e cinco meses após a cassação. Ele permaneceu no cargo até o fim do mandato, em 2016 “a Justiça pode tardar, mas não falha.”

A declaração foi feita por Bernal ao g1 após a decisão. Ele ainda tentou conquistar a reeleição em 2016, mas não chegou ao segundo turno da disputa, ficando de fora da etapa seguinte por uma diferença de 2.630 votos.

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