CE: homem admite que matou namorada com 34 facadas por cobranças para arrumar emprego
São Paulo
23°C 10°C
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Dólar R$ 5,075 +0,03%
Euro R$ 5,817 +0,39%
CLUBE OS

CE: homem admite que matou namorada com 34 facadas por cobranças para arrumar emprego

Réu confessou ter matado a namorada após discussão; MP do Ceará e defesa anunciam recursos contra a pena de 31 anos

Avatar De Ana CarolineAna CarolineNotícias15/07/2026 às 10:24

Ce: Homem Admite Que Matou Namorada Com 34 Facadas Por Cobranças Para Arrumar Emprego
Foto: Divulgação / PCPE

O Tribunal do Júri do Ceará condenou Matheus Anthony Queiroz, de 27 anos, pelo assassinato da namorada, Clarissa Costa Gomes, de 31. Depois de dois dias de julgamento, ele recebeu uma pena de 31 anos e três meses de prisão por matar a companheira com 34 facadas.

O crime ocorreu em 7 de julho de 2025, dentro da residência da vítima, em Fortaleza. Matheus permanece preso desde aquela data.

Durante o depoimento prestado no julgamento, Matheus admitiu o crime pela primeira vez. Ele alegou que matou Clarissa depois de uma discussão em que ela teria cobrado que ele procurasse um emprego.

Nos dois depoimentos anteriores, realizados durante as audiências de custódia e de instrução, o acusado havia permanecido em silêncio. Em uma das ocasiões, alegou ter sofrido uma confusão mental que o fez esquecer o que aconteceu no dia do assassinato.

O que Matheus declarou no julgamento

Matheus afirmou que a discussão teve início depois que os dois retornaram da academia, no começo daquela tarde. Segundo ele, Clarissa cobrou que procurasse trabalho. A vítima atuava em dois hospitais da capital cearense e desejava que o namorado também tivesse um emprego.

O réu declarou que, após a cobrança, enviou currículos para algumas empresas. Em seguida, os dois teriam começado a discutir. Matheus afirmou que Clarissa permaneceu em silêncio depois de ouvir suas justificativas, comportamento que teria provocado sua irritação. Ele disse que perdeu o controle naquele momento.

“Fiquei com muita raiva”

No julgamento, Matheus foi representado pelo defensor público Emerson Castelo Branco. Ao término da sessão, o profissional anunciou que pretende recorrer da sentença para tentar reduzir a pena. Ele havia sido designado para atuar no caso apenas 15 dias antes do júri, depois que a família informou não possuir recursos para contratar um advogado particular.

O advogado Euclides Maia, que acompanhou Matheus ao longo de todo o processo, disse ao UOL que foi surpreendido pela confissão. Segundo ele, a estratégia da defesa consistia em solicitar a redução da pena com base nos supostos problemas psiquiátricos apresentados pelo acusado.

“Estava certo que ele não iria confessar. O principal motivo para que ele não confessasse na Delegacia ou em juízo é porque ele surtou. Ele tinha problemas mentais, testemunhas de acusação afirmaram isso, mas o Juiz não permitiu que fosse feito um exame de insanidade mental”

Euclides Maia também afirmou que sua atuação não representa uma defesa do assassinato, mas uma tentativa de garantir os direitos do acusado durante o processo.

“Não defendo crime algum, defendo o direito ao acusado. A única pessoa que realmente poderia dizer se era doente era um médico psiquiátrico perito.”

Ministério Público pretende recorrer da pena

O promotor Carlos Pinho informou ao UOL que também recorrerá da decisão, mas com o objetivo de conseguir o aumento da pena aplicada a Matheus. Na avaliação do representante do Ministério Público, o réu confessou porque não havia possibilidade de absolvição diante das provas reunidas no processo. A confissão foi considerada uma atenuante e acabou reduzindo a pena final.

Pinho sustenta que o assassinato ocorreu porque Clarissa demonstrou interesse em encerrar o relacionamento. Para o promotor, a vítima estava insatisfeita com a falta de interesse de Matheus em conseguir um emprego.

“Clarissa queria botar um ponto final na relação por não aceitar essa situação [desinteresse no trabalho]. Uma testemunha disse que ouviu ele dizendo que não poderia perdê-la, que ela ‘sustentava’ a vida dele”

O promotor também afirmou que Clarissa era responsável pelas despesas do casal durante passeios e viagens. Segundo ele, enquanto a enfermeira havia avançado profissionalmente por meio dos estudos, Matheus, apesar de possuir formação técnica, nunca havia trabalhado.

“Era ela quem arcava com o ônus das saídas, das viagens. Ele não fazia questão de realizar pagamentos. Clarissa estava insatisfeita porque tinha mestrado, era concursada, progrediu na vida pelos estudos. Ele, apesar de formado em curso técnico, nunca trabalhou em empregos”

O Ministério Público defendeu ainda a tese de que Matheus atacou Clarissa quando ela estava desprevenida, circunstância reconhecida pelos jurados como agravante. Conforme o promotor, o laudo apontou que a vítima não teve possibilidade de reagir.

“O laudo disse que ela morreu sem chance de defesa”

Como aconteceu o assassinato de Clarissa

No dia do crime, Clarissa chegou à própria casa acompanhada do namorado por volta das 13h30. Aproximadamente meia hora depois, participou de uma reunião virtual, mas não ativou a câmera nem o microfone, comunicando-se somente por mensagens escritas.

De acordo com a denúncia, após o encerramento da reunião, por volta das 15h, Clarissa enviou um pedido de socorro para uma das participantes.

“Após o término da reunião, por volta das 15h, Clarissa mandou mensagem para uma das pessoas que estava nessa reunião em que escrevia SOS”

A amiga que recebeu o pedido inicialmente não percebeu que Clarissa estava em perigo: “acreditou que a mensagem dizia respeito ao conteúdo da reunião”

A acusação acrescenta que, aproximadamente às 15h20, vizinhos ouviram a vítima chorando e pedindo ajuda. Conforme os relatos reunidos no processo, Clarissa também teria gritado: “Me solta, vai me matar”

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Ceará, Matheus surpreendeu Clarissa e pegou uma faca que a mãe da vítima mantinha guardada em uma geladeira. Depois disso, atacou a namorada diversas vezes. A enfermeira ainda tentou se proteger e pedir auxílio, mas não conseguiu escapar.

“[Ele] surpreendeu Clarissa e se apossou de uma faca que a mãe da vítima guardava em uma geladeira, desferindo diversos golpes contra a vítima. Clarissa ainda tentou se defender e pedir por ajuda, sem sucesso.”

O assassinato de Clarissa provocou grande repercussão. O caso também foi comentado por uma amiga da cantora e ex-BBB Juliette Freire, que publicou um vídeo lamentando a morte da enfermeira e afirmando que Matheus havia sido o primeiro namorado da vítima.


Se você presenciar um episódio de violência contra a mulher ou for vítima de um deles, denuncie o quanto antes através do número 180, que está disponível todos os dias, em qualquer horário, seja através de ligação ou dos aplicativos WhatsApp e Telegram.

O mesmo número também atende denúncias sobre pessoas idosas, pessoas com deficiência, pessoas em restrição de liberdade, comunidade LGBT e população em situação de rua. Além de denúncias de discriminação étnica ou racial e violência contra ciganos, quilombolas, indígenas e outras comunidades tradicionais.

Destaque-o e pressione Ctrl + Enter.

Cadastre-se para comentar

Os comentários continuam visíveis para todos. Para participar da conversa, crie sua conta do Clube OS e volte para esta matéria.

Cadastro gratuito Conta pessoal para participar Entrada rápida com Google ou Facebook Retorno direto para esta matéria

Liberar área de comentários

Conta gratuita Sem pagamento nesta etapa
Criar conta para comentar
Depois de entrar, recarregue a página para liberar o formulário.

Todos os campos são obrigatórios.