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“Como podemos proceder?”: veja as conversas de WhatsApp encontradas pela PF entre a mulher de Moraes e Vorcaro

PF apreende conversas sobre contrato de R$ 129 milhões entre Viviane Barci e Daniel Vorcaro para atuação junto ao Banco Master

Avatar De Ana CarolineAna CarolinePolítica03/07/2026 às 13:39

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Foto: Divulgação / Agência Brasil - Marcelo Camargo / Banco Master

A Polícia Federal (PF) recuperou mensagens de WhatsApp trocadas entre a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

O diálogo envolve o envio da minuta de um contrato de honorários advocatícios no valor de R$ 129 milhões, referente à prestação de serviços jurídicos para a instituição financeira. As informações foram divulgadas pelo Estadão.

As mensagens foram retiradas do celular de Vorcaro, apreendido em novembro de 2025 durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. O conteúdo foi incluído no inquérito que apura o suposto vazamento de informações relacionadas à família de Alexandre de Moraes.

Mensagens entre Viviane Barci de Moraes e Daniel Vorcaro

Em 17 de janeiro de 2024, Viviane encaminhou a minuta do contrato diretamente para o WhatsApp de Daniel Vorcaro.

Na mensagem, escreveu: “Bom dia! Segue a minuta do contrato. Abraço.”

Cinco dias depois, o controlador do Banco Master respondeu: “Oi, tudo bem? Como podemos proceder na assinatura? Prefere eletronicamente ou mando as vias físicas assinadas?”

O contrato estabelecia que o escritório Barci de Moraes Associados prestaria serviços jurídicos ao Banco Master, atuando na representação dos interesses da instituição perante o Banco Central, a Receita Federal e o Congresso Nacional.

"Como Podemos Proceder?": Veja As Conversas De Whatsapp Encontradas Pela Pf Entre A Mulher De Moraes E Vorcaro

Direitos autorais: Divulgação / PF

Contrato previa R$ 3,6 milhões mensais

De acordo com o documento, assinado em janeiro de 2024, o escritório receberia R$ 3,6 milhões por mês ao longo de três anos. Caso fosse cumprido integralmente, o contrato chegaria a aproximadamente R$ 129 milhões em honorários até o início de 2027.

Dados da Receita Federal indicam que o escritório recebeu R$ 80,2 milhões em pagamentos feitos pelo Banco Master entre 2024 e 2025. Os repasses foram interrompidos depois da liquidação da instituição financeira.

Os valores chamaram atenção porque Viviane Barci aparecia em poucos processos judiciais ligados ao banco. Além dela, os dois filhos do ministro Alexandre de Moraes também atuam no escritório.

O posicionamento do escritório de Viviane Barci

Em nota enviada ao Estadão, o escritório Barci de Moraes informou que não comenta tratativas envolvendo clientes.

Em março, Viviane já havia afirmado que a consultoria prestada ao Banco Master teve como foco a implementação e a revisão de mecanismos de compliance, além da atualização do Código de Ética e Conduta da instituição.

Segundo o escritório, o trabalho também envolveu a revisão de políticas internas voltadas à prevenção à lavagem de dinheiro, relacionamento com o poder público, licitações, conflitos de interesse, partes relacionadas, gestão de riscos e proteção de dados.

A banca também declarou ter realizado 94 reuniões de trabalho durante o período de vigência do contrato. Desse total, 79 teriam ocorrido presencialmente na sede do Banco Master, 13 com a presidência da instituição e duas por videoconferência com o departamento jurídico do banco. O escritório afirmou ainda ter elaborado 36 pareceres e opiniões legais sobre temas previdenciários, contratuais, regulatórios, trabalhistas, de compliance, proteção de dados e crédito.

Investigação conduzida pela Polícia Federal

As conversas foram localizadas no celular de Daniel Vorcaro durante a Operação Compliance Zero e passaram a fazer parte da investigação sobre o suposto vazamento de informações sigilosas envolvendo a família de Alexandre de Moraes.

O inquérito investiga se o perito João Cláudio Nabas teria sido responsável pelo vazamento dos dados à imprensa. Ele foi alvo de busca e apreensão em 19 de maio. Segundo o Estadão, a defesa do investigador ainda não havia se manifestado sobre o caso.

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