O que nos engana não são as aparências, são as nossas ilusões!

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Não minha filha, não venha me dizer que as aparências enganam. As aparências não fizeram nada, foi você que se deixou enganar.



O mundo de hoje é feito de aparências. As pessoas tentam mostrar ser o que não são, estão sempre inseguras de sua verdadeira natureza e por isso tentam impressionar os outros. Fazem isso pra ganharem atenção, conquistarem pessoas, conseguirem empregos, enfim, serem aceitos no meio social. Chega a ser uma defesa, em um mundo onde as pessoas estão sempre prontas a julgar aquilo que elas não consideram bom ou normal. Por isso a maioria das pessoas cria um verniz em torno de si, um personagem que as ajude a viver no mundo.

Maliciosamente ou não, todos nós aparentamos um pouco, e estamos longe de sentirmos segurança para expressarmos completamente aquilo que somos.

É por isso que já não podemos nos permitir sermos ingênuos ao ponto de acreditar que realmente conhecemos as pessoas. É claro que dentro de determinados limites podemos chegar a sabermos muito sobre alguma pessoa.


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Mesmo assim não tudo. Cada ser oculta em si um baú de dons e mistérios, anseios e medos, situações e sonhos que só ele sabe quais são. Há em cada pessoa coisas que nem ela própria conhece ainda. Como então cairmos na pretensão de achar que podemos realmente saber tudo de alguém? Temos que admitir nossos limites e compreender que caminhar no Universo Interior de outro alguém é uma tarefa difícil que leva tempo, afinidade e muita intimidade.

Mesmo com tudo isso, ainda há aqueles que acham que podem mapear a personalidade de alguém com a superficialidade de um olhar.


Nós temos um grande complexo que é o de criar conceitos apressadamente. É o mal de julgar, de classificar, de limitar o que a pessoa é através de nosso olhar e de nossas crenças.

E por isso nos machucamos. Porque em cada definição que fazemos do outro jogamos nele a carga de nossas expectativas, projetamos nele as nossas carências, fazemos dele a solução de nossos problemas.

Sejam nas amizades, nos relacionamentos, nos ídolos artísticos ou profissionais ao qual nos inspiramos, criamos modelos de perfeição na nossa cabeça e exigimos do outro que ele siga o desenho que fizemos para ele, a história que escrevemos com nossa imaginação.

Nossos olhos enxergam a superfície de alguém e nossa cabeça tenta definir a sua profundidade. Traçamos um argumento que parece ser muito lógico na nossa mente: Se a pessoa parece ser de um jeito, logo ela tem que ser assim ou assado.

Esse   “jeito” que acreditamos que a pessoa deve ter é sempre construído a partir de nossas carências, das ilusões absurdas que construímos com as nossas ideologias.

Vemos uma pessoa que parece ser muito tranquila, e acreditamos que ela deva ser calma sempre. Não permitirmos que ela tenha momentos de ira ou raiva. E quando ela se altera logo nos surpreendemos: “Nossa, eu não pensava que você era assim!”

Outra ilusão muito comum e quando jogamos no outro uma grande carga de perfeccionismo. Fazemos muito isso com pessoas que amamos, ou com ídolos e inspirações nossas. Daí dizemos: “Eu gostava tanto daquela pessoa, a admirava, mas ela me decepcionou!”

Falamos isso como se a realidade tivesse que se adequar a nossa imaginação.

Mas o pior é quando a pessoa não é aquilo que nos faz bem, mas fingimos não ver. Nossas carências cegam nossos olhos e deturpam a verdade. Pois não estamos querendo ver a pessoa como ela é: preferimos ver aquilo que gostaríamos que ela fosse. Com isso nos relacionamos com pessoas que nos fazem sofrer, que nada nos acrescentam, que sugam nossa energia, atrasam nossa vida. Contudo um belo dia a verdade bate na porta, e dizemos que nos enganamos com as aparências. Quando na verdade o que aconteceu foi que deixamos nossas carências falarem mais alto, insistimos em querer viver um sonho impossível, tentamos em vão modificar a realidade.

Quem alimenta muitas ilusões paga o preço da decepção quando a verdade aparece. E a culpa daí não é das aparências, mas da nossa insistência em não querer ver a realidade. A culpa é dessa cegueira de vida que nossas carências produziram.

Se você não quer se desiludir tome cuidado com suas próprias ilusões. Seja menos ingênuo e compreenda que é preciso mais que um olhar ou um momento para conhecermos uma pessoa. É necessário tempo e uma intimidade de ideais e sentimentos muito profunda, e que nem muitos casais antigos chegam a ter. Controle essa sua cabeça que imagina tudo e que projeta nos outros as suas necessidades. Elas são suas. Antes de esperar que alguém te ame, seja gentil, ame-se primeiro, seja bom com você, se impressione consigo mesmo e pare de jogar isso pras pessoas. Ninguém tem a obrigação de ser o que você imagina. Cada um é o que é, e se mostra num misto de verdade e aparência. Imaginar o outro pode ser algo normal e inofensivo se temos os pés no chão pra saber que aquilo até pode ser assim, mas que não quer dizer que seja assim.

Amadureça, e ao conhecer alguém prefira optar pela doce e maravilhosa sensação de se surpreender com uma pessoa, do que se desiludir por causa das figuras que você mesmo criou na sua cabeça.

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Só pode ser feliz aquele que em vez de se de deixar levar por uma aparência ou carência, procura se aventurar e lentamente conhecer um pouco da essência de cada um, no respeito e na aceitação incondicional do outro, sabendo que cada ser é diferente e especial naquilo que é.

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