Como o silêncio afeta nosso cérebro de forma positiva, ciência explica:

Em um mundo cada vez mais ocupado e barulhento, o silêncio é vendido. Assim como a água limpa, o silêncio é um recurso, e pode, de fato, ser usado como um ponto de venda. Considere o seu notebook funcionando sem barulhos, retiros de meditação, férias para locais remotos. O silêncio é a cola que os une.



O silêncio foi estudado por acidente

Ao longo dos anos, uma pesquisa enfatizou como o silêncio pode acalmar nossos corpos, melhorar nossa conexão com o mundo e realmente aumentar o “ruído” de nossos pensamentos internos. Porém, a maioria da pesquisa estava focada no ruído ao chegar a estas conclusões, não no silêncio.

Sim, a maioria dos pesquisadores estudou o silêncio por acidente. Por exemplo, em um estudo de 2006, onde os efeitos fisiológicos da música foram estudados, Luciano Bernardi disse o seguinte em Nautilus:

“Nós não pensamos sobre os efeitos do silêncio. Ele não deveria ser estudado especificamente.”


No entanto, quais foram os efeitos do silêncio em nossos cérebros nesses estudos?


Dois minutos de silêncio aumentam a excitação

No estudo acima mencionado, Bernardi observou métricas fisiológicas em 24 pessoas, quando ouviram seis canções. De acordo com Bernardi:

“Durante quase todos os tipos de música, houve uma mudança fisiológica compatível com uma condição de excitação.”


Mas o mais surpreendente foi o que aconteceu quando houve pausas silenciosas – dois minutos de silêncio provaram ser muito mais relaxantes do que uma música pacífica ou um silêncio mais longo, antes do experimento começar. Uma de suas principais descobertas – o silêncio é acentuado pelos contrastes – é apoiado pela pesquisa Neurológica, em um estudo de Michael Wehr, de 2010.


O silêncio afeta nosso córtex auditivo

O estudo de 2010 de Michael Wehr, que observou cérebros de ratos durante rajadas curtas de som, produziu alguns resultados surpreendentes. Uma explosão de som faz com que o córtex auditivo (a parte do cérebro responsável pelo processamento da informação sonora), desperte, mas o silêncio também provoca uma mudança. Uma rede separada de neurônios no córtex auditivo desperta.

O que acontece no momento em que o córtex auditivo desperta?


Como o silêncio afeta o nosso córtex auditivo: Desenvolvimento celular

Esta questão foi examinada por uma bióloga da Universidade Duke, Imke Kirste. No estudo de 2013, ela analisou os efeitos que o som tem nos cérebros de ratos adultos. Quatro grupos de camundongos foram expostos a diferentes estímulos auditivos: música, ruídos de ratos filhotes, ruído branco e silêncio.

O silêncio era o controle, e como em muitos estudos anteriores, seu efeito foi considerado insignificante. Todos os sons tinham um efeito neurológico a curto prazo, mas e quanto ao silêncio?

Duas horas de silêncio por dia levaram ao desenvolvimento celular no hipocampo – a área do cérebro responsável pela formação de memória e emoções. Isso confundiu Kirste. Mas depois de pensar, ela chegou à seguinte conclusão – a ausência de ruído era tão artificial e alarmante que causou um alerta profundo nos ratos.

O desenvolvimento de novas células nem sempre é bom para a saúde, mas neste caso, as células estavam se tornando neurônios funcionais (uma célula especializada que transmite os impulsos nervosos, também conhecida como célula nervosa). Kirste prosseguiu dizendo:

“Vimos que o silêncio está realmente ajudando as células recém-geradas a se diferenciarem em neurônios e a se integrarem no sistema”.


O silêncio amplifica a autorreflexão

O silêncio não ajuda apenas na geração de células, mas também na autorreflexão. Todos nós temos o que é conhecido como o “modo padrão” da função cerebral – encontrado no córtex pré-frontal (localizado na frente do cérebro e responsável pelo pensamento abstrato, análise do pensamento e controle do pensamento).

O modo padrão está sempre ativo, recebendo e analisando informações. Por exemplo, a capacidade de detectar perigos ocorre automaticamente nesta parte do cérebro. Este modo padrão também é altamente ativo durante a autorreflexão (compreensão de nós mesmos), de acordo com Joseph Moran.

De acordo com Moran e colegas, quando o cérebro está neste modo de repouso, é capaz de integrar informações internas e externas em um espaço de trabalho consciente. Quando há silêncio, seu espaço de trabalho consciente tem maior liberdade para processar as informações internas e externas, permitindo que você descubra melhor o seu lugar no mundo.

E talvez Noora Vikman, uma etnomusicologista (profissional que estuda música em um contexto cultural) e consultora de silêncio para os comerciantes da Finlândia resuma melhor:

“Se você quer conhecer a si mesmo, tem que estar consigo mesmo, discutir consigo mesmo, ser capaz de conversar consigo mesmo.”

O silêncio é realmente ouro. Muda seu cérebro. Muda sua vida.

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Traduzido pela equipe de O Segredo –  Fonte: Life Hack

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